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Presidente de associação solidária acusado de violar e escravizar mulheres em situações precárias

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JSM / APAV

O presidente da associação “Paz no Coração” está a ser acusado por 60 crimes sexuais. Atualmente, encontra-se em prisão preventiva.

Alfredo Marques Carvalho, líder da associação, acolhia vítimas de violência doméstica, atiradas para a rua com os filhos, ou mulheres sem-abrigo, em situação de extrema pobreza. Contudo, o homem que se mostrava solidário tinha outra faceta.

Segundo o Ministério Público (MP), o responsável pela instituição violava ou coagia sexualmente as mulheres indefesas, na sede da Associação “Paz no Coração”, onde vivia, em Lisboa.

Como noticia o Jornal de Notícias, se estas não aceitassem ser as suas “escravas”, eram ameaçadas com despejo.

O medo de voltar a dormir na rua com filhos menores levou a maioria das vítimas a manter o silêncio e a submeterem-se ao agressor.

Por exemplo, uma das quatro vítimas, de origem africana, tinha acabado de chegar a Portugal, em setembro de 2018. Em Angola, onde tinha cinco filhos, era vítima de violência doméstica por parte do marido e procurou Portugal para ter uma vida melhor.

Inicialmente, o arguido abordou a vítima para lhe dizer que “estava à procura de uma mulher”, mas apesar da resposta negativa continuou a coagir a mulher alegando que precisava de manter relações sexuais e, caso não aceitasse, punha-a na rua juntamente com os filhos.

Outra mulher, também vítima de violência doméstica, passou a residir na associação em agosto de 2020. Recebia apenas 180 euros de rendimento social, mas tinha de pagar 300 de renda em dinheiro vivo. Logo no primeiro dia, foi coagida a manter relações e sofreu abusos, mas rebateu sempre os avanços do arguido.

Entretanto detido pela Polícia Judiciária de Lisboa, Alfredo Carvalho, de 54 anos, está a aguardar julgamento, que começa em setembro, em prisão preventiva.

No primeiro interrogatório judicial a que foi submetido, em novembro do ano passado, Alfredo Carvalho, natural de Mangualde, disse padecer de disfunção erétil, alegando ser impossível violar as mulheres.

No entanto, o Ministério Público (MP) sublinhou a inexistência de elementos clínicos, exames ou perícia que atestasse da impossibilidade em manter relações sexuais.

Tendo em conta os fortes elementos probatórios recolhidos durante a investigação da brigada de luta contra crimes sexuais da PJ de Lisboa, o MP considerou ser inócua a realização de exames de urologia, pedidos pelo arguido.

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O arguido também está acusado de denúncia caluniosa, já que acusou o companheiro de uma mulher acolhida pela associação de violência doméstica, apenas para se tentar vingar da vítima que recusou ter relações sexuais.

  ZAP //

8 Comments

    • Ou anda tudo doido, ou anda tudo mentiroso. O homem propõe fazer exames de urologia pra provar ter disfunção erétil (o que não elimina assédio mas elimina violação) e o MP diz que “ah e tal, não vale a pena porque as provas são muitas” – quero ver como é que ele as violava se não levantava a verga. Se calhar era com calçadeira.

      Isto agora acham que basta 31 de boca para entalar um homem sempre com as mesmas acusações. Ou se prova ou nada feito porque o ónus da prova fica do lado de quem acusa.

      • Fosse o que fosse, nem que fosse para fazer qq coisa sem tocar nelas, sem consentimento é violação, ainda para mais numa situação destas. Tens que rever a tua ética, ainda acabas na mesma cela que ele, com uma calçadeira nos entrefolhos.

      • MMQ se achas que só pode violador quem tem uma ereção precisas de apreender a pensar fora da mentalidade patriarcal em que vives. E já agora ter disfunção erétil agora não implica que a tivesse aquando da prática dos crimes mas reitero que devias reconsiderar o conceito que tens de violação. Ps para perceberes o quão difícil é a uma vítima de violação dizer que o foi basta pensares em quem tem de ler os teus fantásticos comentários tendo sido vitima.
        Pensa antes de escrever e pensa que liberdade de expressão é de todos mas só alguns têm inteligência para a usar. Tu não tens…

  1. Há por aí tanta solidariedade camuflada com gente a viver à grande e a abusar do poder que lhe conferem que cada vez mais vão descredibilizando as instituições que deveriam ser um exemplo para a sociedade, é a ver qual consegue ir mais longe em maus exemplos, ou será que a sociedade está a inverter o sentido do respeito e da dignidade humana?

  2. É evidente que isto vai levar tudo um grande tombo, até porque se fosse para continuar assim, daqui a pouco era impossível viver mais de uma pessoa em cada casa, de tal forma se banalizaram as acusações de violência doméstica.

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