Lar da idosa coberta de formigas terá dado alimentos fora da validade aos utentes

Uma trabalhadora do lar acusa a provedora de ocultar o prazo de validade de iogurtes e outros alimentos dados aos utentes, que ficariam com dores de barriga e diarreia.

Uma funcionária do lar da Misericórdia de Boliqueime, a instituição onde foi filmado o vídeo da idosa acamada coberta de formigas e com uma ferida aberta — que acabou por morrer um mês depois do registo das imagens — acusa agora a provedora do lar de ocultar o prazo de validade dos iogurtes que eram dados aos utentes.

Em declarações ao Correio da Manhã, a trabalhadora, que ficou em anonimato, afirma que a responsável pela instituição “mandava tirar os rótulos dos iogurtes e colocá-los em jarros para serem dados aos utentes”. Os alimentos vinham do Banco Alimentar.

“Alguma fruta já não vem boa para darmos aos utentes”, revela a funcionária, que acrescenta que vários utentes ficavam com “diarreia e dores de barriga“.

Quando repararam que alguns dos iogurtes já tinham expirado há mais de um mês, os funcionários do lar começaram a tirar fotografias, tendo a diretora técnica dado ordem para esses alimentos não serem dados aos idosos quando se apercebeu disso.

A trabalhadora também acusa a direção de tentar intimidar os funcionários agora que o lar está a ser investigado pelo Ministério Público após a atenção mediática dada ao caso da idosa coberta de formigas

“A colega que se sentiu mal foi coagida a falar pelos advogados e pela fisioterapeuta. Como ela não falou, disseram-lhe que ia ser suspensa”, acrescenta a funcionária. Contactada pelo CM, a provedora do lar, Sílvia Sebastião, nega todas as acusações.

Para além do caso da idosa no vídeo, já vieram a público mais imagens que mostram as condições degradantes no lar, incluindo um idoso deitado no chão em cima de terra e uma outra idosa repleta de fezes que não seriam limpas há muito tempo.

A TVI avançou que em Junho alguns trabalhadores do lar apresentaram queixa à Segurança Social e escreveram uma carta ao Ministério Público a denunciar as más condições e maus-tratos aos utentes.

  ZAP //

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