Juiz dá dez dias a antiga primeira-dama do Peru para deixar a FAO e regressar ao país

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A ex-primeira-dama do Perú, Nadine Heredia

A ex-primeira-dama do Perú, Nadine Heredia

Um juiz peruano deu, esta sexta-feira, dez dias para Nadine Heredia, mulher do antigo Presidente Ollanta Humala renunciar ao cargo na FAO e regressar ao país, sob pena de aplicar uma medida mais grave caso solicitada pelo Ministério Público.

Nadine Heredia, que foi nomeada diretora do gabinete de representação da Organização para a Agricultura e Alimentação (FAO) em Genebra, é investigada no Peru pelo suspeita de lavagem de dinheiro num caso de alegado financiamento irregular do Partido Nacionalistas Peruano (PNP), fundado e presidido por si e pelo seu marido durante as campanhas eleitorais de 2006 e 2011.

“Requer-se que regresse em dez dias, caso contrário o procurador pode pedir uma medida mais grave no caso do incumprimento do pedido que lhe impõe este despacho”, afirmou o juiz Richard Concepción Carhuancho.

O juiz sublinhou que Heredia, cuja nomeação para a FAO foi contestada formalmente pelo Peru, “não terá, em princípio, violado qualquer conduta” ao aceitar o cargo e viajar para a Europa. Contudo, ressalvou, está a sua comparência no país tem, por isso, “restrições”, pelo que “deve manter as suas raízes no Peru, residência no Peru e trabalho no Peru, não no estrangeiro”.

Nesse sentido, considerou que o prazo de dez dias para regressar se afigura “suficiente para que se desvincule” do seu trabalho na FAO em Genebra.

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O ex-presidente do Perú, Ollanta Humala, e a ex-primeira-dama Nadine Heredia

O ex-presidente do Perú, Ollanta Humala, e a ex-primeira-dama Nadine Heredia

A designação de Heredia para a FAO e, por conseguinte, a sua saída do país, foi recebida com indignação no Peru, com o governo do Presidente Pedro Pablo Kuczynski a manifestar a sua profunda oposição à decisão, tomada sem o seu consentimento, por “interferir num processo judicial”.

O ex-presidente Ollanta Humana (2011-2016) afirmou, esta sexta-feira, por seu turno, que há uma “clara interferência do poder executivo para, de alguma forma, pressionar o poder judicial” no caso da sua mulher, e considerou que o pedido do Ministério Público para que seja decretada a prisão preventiva constitui “uma medida desproporcionada” e pode sugerir uma “perseguição política“.

Heredia e Humala são alvo de um processo pela alegada lavagem de 1,5 milhões de dólares, ativos que foram transferidos a partir do Brasil e da Venezuela para as campanhas presidenciais de Humala em 2006 e 2011 e que não foram declarados.

Ambos incorrem numa pena de oito a 15 anos de prisão.

No início de março foi tornado público que a polícia brasileira estava a investigar eventuais subornos pagos a Ollanta Humala, pela empresa brasileira Odebrecht em troca de contratos no Peru, no âmbito da chamada investigação Lava Jato.

Um relatório da Polícia Federal brasileira, datado de 05 de fevereiro, mostra que os investigadores suspeitavam que Humala recebera subornos da construtora brasileira Odebrecht, em troca de contratos no Peru.

/Lusa

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