Juiz sugere que Joana Marques Vidal foi afastada da PGR por causa de Tancos

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Pedro Nunes / Lusa

A procuradora-geral da República, Joana Marques Vidal

O juiz de instrução do caso Tancos, João Bártolo, insinuou, durante o interrogatório ao ex-ministro da defesa Azeredo Lopes, que Joana Marques Vidal não foi reconduzida na Procuradoria Geral da República devido a pressões da Polícia Judiciária Militar junto do Governo e de Belém.

Esta ideia é noticiada pelo jornal i e pelo Expresso que dão conta de declarações do juiz João Bártolo quase no fim do interrogatório a Azeredo Lopes.

De acordo com estas fontes, o magistrado confrontou o antigo ministro com o facto de a saída de Joana Marques Vidal da Procuradoria Geral da República (PGR) ter coincidido com “sucessivas pressões” do coronel Luís Vieira que estava, na altura, à frente da Polícia Judiciária Militar (PJM), junto da Presidência da República e do Governo para que a investigação do processo Tancos voltasse para a chancela desta força de autoridade.

“Logo por azar dos Távoras tinha de haver nesta altura a questão da recondução do mandado da senhora Procuradora, que nunca ninguém percebeu politicamente. Porque sai ela? E logo por azar até bate certo”, referiu o juiz, segundo citação do i e do Expresso.

“Num Estado de direito, o coronel Vieira consegue ter um impacto em dois órgãos de soberania no sentido de obter uma sanção de não renovação da senhora procuradora? Isso seria inconstitucional“, respondeu Azeredo Lopes, falando de uma questão “absurda” e concluindo que “não tem a ver o alho com o bugalho”.

O antigo ministro garantiu no interrogatório que o primeiro-ministro não teve conhecimento dos documentos que o coronel Luís Vieira enviou para o seu gabinete, dando conta do desagrado da PJM por ter sido afastada da investigação.

“O Presidente da República foi informado que a PJM tinha feito chegar a sua posição jurídica, quanto à competência que queria ter, tanto ao meu gabinete como à casa militar”, vincou Azeredo Lopes.

  ZAP //

11 Comments

    • Não, não, meu caro.
      O mandato foi até ao fim, sim, e ela teria sido reconduzida no cargo porque estava a fazer um bom trabalho. Mas aconteceu o tal “azer dos Távoras” e tiveram que substituí-la por alguem da classe ‘yes-man’.

      • “Teria sido”?
        Isso é futurulogia à la bruxa Maya…
        Além da recondução do/a PGR nunca ter acontecido antes, só os “papagios” falam de uma hipotética recondução, portanto…
        Para quem gosta de “filmes”, conspirações, e de se distrair do essencial, serve…
        Por mim podia ter continuado, e também não estou a ver o que teria feito diferente relativamente à nova PGR.
        E o certo é que o totó do Azaredo é arguido!…
        .
        Já um juiz a mandar bitaites tresloucados (típicos de tasca), parece-me preocupante…

  1. Por causa de Tancos e não só. Era persona non grata – diz a verdade e basta isso, num desgoverno de mentirosos…

  2. O senhor juiz a meter a foice em seara alheia. A recondução da PGR é uma competência do poder político. Houve alguma ilegalidade?

    • Claro que não. o que não significa que tenha sido substituída por melhor alternativa e tão-pouco pelos melhores motivos.
      Por acaso, para quem tinha interesse, até correu bem: acabava o mandato. De outra forma teriam tido que armar-lhe uma arapuca para a desacreditarem e destituirem…. era muuuito mais complicado. E, sobretudo, dava nas vistas….

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