Investigadores da Gulbenkian descobrem origem da infertilidade feminina

(dr) Roberto Keller / IGC

A investigadora Mónica Bettencourt Dias, do Instituto Gulbenkian de Ciência

A investigadora Mónica Bettencourt Dias, do Instituto Gulbenkian de Ciência

Uma equipa de investigadores do Instituto Gulbenkian de Ciência, IGC, descobriu o mecanismo numa estrutura das células que está na origem da infertilidade feminina.

A estrutura chama-se centríolo e tem de ser eliminada no óvulo (célula feminina) durante a sua formação, para, quando este for fecundado, gerar um embrião.

Quando o óvulo não perde os seus próprios centríolos, ficando, no momento da fertilização, ao mesmo tempo, com os centríolos transportados pelos espermatozóides (células masculinas), a divisão celular faz-se anormalmente, eo embrião não se desenvolve, tornando a fêmea é infértil.

A perda de centríolos na formação do óvulo deve-se à perda do revestimento destas estruturas, que as protegem, porque falta uma proteína reguladora chamada pólo.

Quando é reposta essa proteína, o revestimento dos centríolos não desaparece e estas estruturas não são eliminadas.

O mecanismo foi identificado na mosca da fruta, mas é visível em todos os animais, incluindo os seres humanos.

As conclusões do estudo, liderado por Mónica Bettencourt-Dias, do IGC, foram publicadas esta quinta-feira na revista Science.

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Os cientistas sabiam, desde a década de 30, que os centríolos são estruturas fundamentais para a multiplicação das células e que, para darem origem a um embrião, só podem ser herdadas dos machos.

“A divisão celular tem de ter um número muito certinho de centríolos“, vincou Mónica Bettencourt-Dias, coordenadora do Laboratório de Regulação do Ciclo Celular, em declarações à Lusa.

“Quando tal não acontece, e existem no óvulo centríolos da fêmea e do macho, e, portanto, um número incorreto de centríolos, o embrião não se desenvolve”, acrescentou a investigadora.

Em situações normais, os centríolos desaparecem na formação do óvulo porque perdem o seu revestimento, devido à falta da proteína pólo.

O grupo de Mónica Bettencourt-Dias descobriu que este revestimento (formado por proteínas) protege os centríolos, impede o desaparecimento destas estruturas.

Ao repor o revestimento dos centríolos no óvulo, no momento errado, durante a sua formação, restituindo a proteína reguladora, os centríolos não desapareciam e as células não se multiplicavam.

Para a investigadora, o revestimento dos centríolos pode ser também importante para o estudo da regeneração celular e do cancro, uma vez que, “quando perdem os centríolos, as células estão bloqueadas, não podem proliferar”.

Um dos mistérios da ciência, finalmente desvendado pela equipa do Instituto Gulbenkian de Ciência.

ZAP / Lusa

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