Noite negra no futebol francês com invasão de adeptos e agressões no Nice-Marselha

O jogo entre o Nice e o Marselha da Liga Francesa de futebol foi interrompido aos 75 minutos depois de uma invasão de terreno por parte dos adeptos da equipa da casa. O caos instalou-se no relvado, com agressões, e o desafio terminou com a derrota do Marselha por falta de comparência.

Aos 75 minutos de jogo, o Nice estava a vencer depois de um golo de Kasper Dolberg marcado aos 48 minutos.

Mas, quando Dimitri Payet, o capitão do Marselha, se preparava para marcar um canto junto à tribuna da “Brigada Sul”, famoso grupo de adeptos do Nice, tudo descambou.

Aqueles adeptos já tinham sido repreendidos pelo árbitro, nomeadamente por terem lançado projécteis no relvado, durante a marcação de outros cantos.

No momento fatídico do jogo, alguém das bancadas atirou uma garrafa de água para o relvado, atingindo Payet nas costas. O atleta reagiu atirando a garrafa de volta para a bancada.

Foi então que a confusão se instalou, com jogadores a rodearem o árbitro e os adeptos a invadirem o relvado.

Os stewards tiveram muitas dificuldades em controlar os adeptos que procuravam chegar aos jogadores do Marselha.

Alguns atletas da equipa marselhesa acabaram por ser agredidos, como mostram imagens divulgadas nas redes sociais.

Payet também terá sido atingido com um pontapé de um dos primeiros adeptos a invadirem o relvado, como nota o Le Figaro.

O treinador do Marselha, Jorge Sampaoli, entrou em campo, no meio da confusão, para tentar defender os seus jogadores. E há imagens que mostram um alegado elemento do staff do Marselha a agredir um adepto.

Mas a tensão arrastou-se até à tribuna presidencial, onde os presidentes dos dois clubes, Pablo Longoria (Marselha) e Jean-Pierre Rivère (Nice), quase chegaram a vias de facto. “Eles agarraram-se pelo colarinho e os guarda-costas tiveram que os separar”, relata uma testemunha do incidente à AFP, conforme cita o Le Figaro.

Nos corredores do estádio, enquanto as equipas se dirigiam para os balneários, após a interrupção do jogo, dirigentes e treinadores dos dois lados continuaram a discussão.

Marselha recusou jogar e perdeu por falta de comparência

Depois, ao cabo de uns longos 90 minutos, com a polícia a garantir que havia segurança para realizar o jogo e depois de o presidente do Nice ter falado com os adeptos para os acalmar e lhes pedir contenção, o árbitro decidiu retomar o desafio.

Mas os jogadores do Marselha não apareceram para o continuar. “A segurança dos nossos jogadores não estava garantida“, explica Longoria.

Assim, o árbitro acabou por declarar a derrota do Marselha por 3-0 devido a falta de comparência.

Uma decisão que o presidente do Marselha contesta, considerando que “cria um precedente” grave para o futebol francês.

Num vídeo publicado no Twitter, Longoria refere mesmo que o árbitro era contra o retomar do jogo e que foi a Liga Francesa de Futebol a decidir que devia ser retomado “por uma questão de ordem pública”.

Do lado do Nice, o presidente Rivère acredita que havia condições para continuar e defende os seus adeptos, acusando os jogadores do Marselha de terem “atiçado o fogo”.

Entretanto, já foi aberto um inquérito aos incidentes e é certo que haverá sanções. Falta saber para quem.

  Susana Valente, ZAP //

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