Inquietação causada pela covid-19 levará a aumento de protestos a nível global, prevêem analistas

Kim Ludbrook / EPA

O impacto económico do coronavírus é um “barril de pólvora” que causará maior inquietação e instabilidade civil nos países em desenvolvimento no segundo semestre de 2020, levando a um aumento no número de protestos, revela uma pesquisa da empresa análise de riscos globais Verisk Maplecroft.

Segundo a pesquisa, divulgada na quinta-feira e citada pelo Guardian esta sexta-feira, os países em maior risco de enfrentarem esta “tempestade perfeita” – nos quais os protestos provocados pelas consequências económicas da pandemia inflamarão as queixas já existentes – incluem a Nigéria, o Irão, Bangladesh, a Argélia e a Etiópia.

Trinta e sete países, localizados maioritariamente em África e na América Latina, podem enfrentar protestos sem precedentes durante os próximos três anos, alertou a Verisk Maplecroft. Apesar de menor, o risco em países como a Índia, o Brasil, a Rússia, a África do Sul, a Indonésia e a Turquia, também constitui uma ameaça à estabilidade.

Nos Estados Unidos (EUA) – onde persistem os protestos associados ao movimento ‘Black Lives Matter’, desencadeado pelo assassinato de George Floyd -, as manifestações também aumentarão. A combinação desses protestos com a crescente frustração causada pela perda de empregos e a fraca resposta à pandemia por parte do Presidente Donald Trump, levarão a uma maior inquietação, algo que para os analistas é “inevitável”.

Dados da Organização Não Governamental (ONG) Armed Conflict Location and Event Data (ACLED) mostram que a agitação civil caiu em março deste ano, em consequência das medidas de contenção impostas pelos governos.

Para Miha Hribernik, principal analista da Verisk Maplecroft, o número total de protestos nos países em desenvolvimento já quase atingiu os níveis pré-pandémicos, à medida que ressurgem as queixas de longa data sobre desigualdades socioeconómicas, direitos civis e políticos e corrupção do governo.

“Com muitos países ainda em confinamento, e com o impacto económico resultante do vírus ainda longe de ser atingido, prevemos que o número de protestos aumente nos próximos dois a três meses”, disse Hribernik, que usou cinco fatores para determinar a capacidade de 142 países em recuperar da pandemia, bem como dados de protestos anteriores para determinar as projeções relativamente às manifestações.

Craig Lassig / EPA

Protestos em Minneapolis, no Minnesota, Estados Unidos, contra a morte de George Floyd

“Podemos ver que, quando o bloqueio começou, a grande maioria dos protestos estava relacionada à covid-19. Tivemos protestos por causa de alimentos em Manila [Filipinas] e protestos em Bangladesh por causa das indústrias de vestuário”, referiu.

Pelo menos 166 pessoas morreram durante manifestações violentas na Etiópia nas últimas semanas, após o assassinato do músico Haacaaluu Hundeessaa, membro da etnia Oromo, uma das principais vozes contra o governo.

Em 2019, a Verisk Maplecroft registou 47 países com um aumento significativo de protestos, incluindo Hong Kong, Chile, Nigéria, Sudão e Haiti. Já nessa previsão registava um aumento de manifestações em 2020.

“Foi um fenómeno global no ano passado”, afirmou Hribernik. “Cada protesto foi único, primeiramente motivado pela inquietação motivada pela desigualdade, corrupção, erosão da confiança nas elites políticas. Não são problemas que podem ser resolvidos da noite para o dia. São questões estruturais que levam anos ou décadas para serem resolvidas”.

Países de todas as regiões, exceto da Europa, enquadram-se agora na categoria de maior risco, de acordo com o índice de recuperação estabelecido pela empresa para os próximos seis meses. Para determinar os impactos na recuperação, esse índice avalia a força das instituições estatais, a conetividade física e digital, o dinamismo económico, a sensibilidade da população e fatores como desastres naturais ou terrorismo.

A “nossa análise de janeiro – que apontava um aumento de protestos em 2020 e para uma próxima década marcada por distúrbios sem precedentes – ainda permanece”, acrescentou Hribernik.

Na África subsaariana, a Verisk Maplecroft espera que os protestos se intensifiquem devido ao declínio económico, à pobreza e à incapacidade de garantir produtos alimentares. Na América Latina, a Venezuela é o país em maior risco de aumento de manifestações.

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