Indianos e paquistaneses discutem as consequências de uma pequena guerra nuclear

Uma investigação realizada por cientistas norte-americanos lançou há quase 10 anos o alerta sobre as devastadoras consequências para a humanidade no caso de uma guerra nuclear entre a Índia e o Paquistão. E os dois países parecem apostados em testar o estudo.

A semana passada, Subramanian Swamy, um destacado político indiano do partido BJP, no poder, declarou que “se 100 milhões de indianos morressem após um ataque nuclear, a retaliação indiana “limparia o Paquistão da face da Terra”.

O jornal indiano Hindustan Times recuperou o estudo de uma equipa de investigadores da Rutgers University, da Universidade de Colorado-Boulder e da Universidade da California, nos Estados Unidos, e recorda que as consequências de um conflito entre as duas pequenas potências nucleares seriam devastadoras – para todo o planeta.

De acordo com o estudo, se a Índia e o Paquistão usassem 100 ogivas nucleares, cerca de metade do seu arsenal, cada uma com o equivalente ao potencial destrutivo da bomba lançada contra Hiroshima (15 mil toneladas de TNT), 21 milhões de pessoas morreriam no espaço de apenas uma semana.

Mas o número de mortes, causadas pelos efeitos directos da explosão nuclear, por queimaduras e pela radiação aumentaria consistentemente semana após semana.

Além disso, metade da camada de ozono da Terra seria destruída, com um impacto devastador no clima de todo o planeta.

O Inverno Nuclear que se seguiria causaria danos dramáticos na agricultura mundial e traria fome a mais de 2 mil milhões de pessoas – mais de um terço da população da Terra.

Este cenário hipotético parece uma hipótese académica discutida no âmbito de um estudo científico.

Mas entretanto, em resposta ao inflamado discurso de Subramanian Swamy, o ministro da Defesa paquistanês já respondeu, ameaçando “eliminar a Índia em retaliação”.

Em 2015, o Paquistão possuía entre 110 e 130 ogivas nucleares, 66% das quais instaladas em mísseis balísticos. Já a quantidade de ogivas nucleares da Índia é estimadas em 110 a 120 unidades.

Segundo Sameer Patil, investigador do centro de estudos Gateway House citado pela Sputnik News, os mísseis balísticos de médio alcance paquistaneses, equipados com ogivas nucleares, poderão atingir as quatro maiores cidades da Índia: Nova Delhi, Mumbai, Bengalore e Chennai.

Ao mesmo tempo, diz o investigador, “considerando que o território paquistanês é menor, é possível que a Índia ataque as cidades paquistanesas de Islamabad, Rawalpindi, Lahore e Karachi”.

Os políticos e analistas indianos e paquistaneses parecem estar a levar a sério os seus jogos de guerra.

E como se sabe, ninguém ganha jogos desses – sejam eles a famigerada Guerra Termonuclear Global, ou uma escaramuça nuclear entre dois vizinhos que se odeiam.

AJB, ZAP //

PARTILHAR

2 COMENTÁRIOS

  1. A Independência da Índia foi um dos maiores erros históricos de sempre. Um país tão atrasado quanto aquele nunca deveria ter saído da tutela da Grã-Bretanha. E a divisão da mesma em dois estados, um deles islâmico, foi outro erro trágico. Com os muçulmanos, nada de liberdades: só rédea curta e pouca conversa.

RESPONDER

Balas que assassinaram John F. Kennedy preservadas em modelo 3D

A partir do próximo ano, os Arquivos Nacionais dos Estados Unidos vão disponibilizar, no seu catálogo online, imagens 3D das balas que assassinaram o antigo presidente norte-americano John F. Kennedy. Para criar os modelos das …

Pela primeira vez, neurónios artificiais foram criados para curar doenças crónicas

Uma equipa de investigadores conseguiu recriar as propriedades biológicas dos neurónios em chips, que podem ser úteis ajudar na cura de doenças neurológicas crónicas. Naquele considerado um feito única na ciência, investigadores da Universidade de Bath …

Cientistas encontram uma relação negativa "muito forte" entre inteligência e religiosidade

Uma equipa de investigadores sugere que pessoas religiosas tendem a ser menos inteligentes do que pessoas sem crenças religiosas. O estudo tem gerado uma grande controvérsia. A religião é um tema forte, capaz de juntar ou …

Descoberta nova espécie de tubarão pré-histórico que podia chegar aos sete metros

Uma nova espécie de tubarão pré-histórico foi descoberta no Kansas, nos Estados Unidos. Este predador podia crescer até quase sete metros de comprimento. De acordo com a revista Newsweek, Kenshu Shimada, da Universidade DePaul, e Michael …

Conhecido medicamento para diabetes pode conter um carcinógeno

A Food and Drug Administration, agência federal e reguladora do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos, está a testar amostras de metformina, um medicamento para diabetes que pode conter o carcinógeno N-Nitrosodimetilamina …

Nobel da Física diz que o ser humano não está concebido para viver fora da Terra

Didier Queloz disse, este sábado, estar convencido de que o ser humano não está concebido para viver fora da Terra, razão pela qual está "zangado" com alguns argumentos do cofundador da Tesla, Elon Musk. Os suíços …

Ford está a reciclar palha de café do McDonald's. Quer transformá-la em peças de carro

https://vimeo.com/377768195 A Ford está a fabricar peças de carro através de palha de café reciclada do McDonald's. A iniciativa contribui para a redução da pegada ecológica e do desperdício alimentar. O combate às alterações climáticas cabe um …

Comité da ONU preocupado com condições das prisões em Portugal

As condições de detenção, a sobrelotação das prisões, o alegado uso da força e outros abusos contra pessoas pertencentes a grupos raciais e étnicos são as principais preocupações do Comité da ONU contra a Tortura …

Cientistas identificaram organismo que prospera ao comer meteoritos

O micróbio Metallosphaera sedula tem uma propensão para comer minerais. E não estamos a falar de granito ou giz, mas de rochas muito mais especiais como meteoritos. Segundo o Science Alert, uma equipa internacional de cientistas …

Médicos estrangeiros em Portugal atingem o valor mais alto da última década

O número de médicos estrangeiros registados em Portugal atingiu, em 2019, o valor mais elevado da última década, situando-se em 4192, mais 9,1% face a 2009, revelam dados da Ordem dos Médicos (OM). A maioria dos …