Tensão na Caxemira. Índia lançou ataque aéreo no Paquistão

As autoridades indianas confirmaram ter lançado, esta segunda-feira, um ataque aéreo na Caxemira paquistanesa e abatido “um grande número” de militantes do grupo islâmico Jaish-e-Mohammed (JeM), em resposta ao atentado-suicida, na semana passada, que matou 42 pessoas na Caxemira indiana.

Na madrugada desta terça-feira, a Índia fez ataques aéreos no Paquistão. A ofensiva já foi confirmada pelo Governo indiano, apesar de no início não ter dado quaisquer detalhes sobre a operação. No entanto, horas depois, revelou que o ataque aéreo se dera numa base terrorista em Balakot, numa província do Paquistão chamada Khyber Pakhtunkhwa.

Segundo a Bloomberg, também um porta-voz do exército paquistanês se pronunciou, confirmando que foram utilizados meios aéreos indianos no ataque. No entanto, o responsável rejeitou a reivindicação da Índia de que o ataque tivesse como alvo uma base de um grupo terrorista, numa declaração enviada pelo gabinete do primeiro-ministro do País, Imran Khan.

Dirigindo-se ao exército e à população, o Governo terá dito para “estarem preparados para possíveis desenvolvimentos”. Além disso, agendou uma reunião da Autoridade Nacional de Comando do Paquistão para 27 de fevereiro – entidade responsável pelas políticas nucleares do país.

Vijay Gokhale, secretário dos Negócios Estrangeiros da Índia, mantém a sua posição e afirma que o ataque foi “uma ação preventiva não-militar que tinha como alvo específico um campo do Jaish-e-Mohammed”, um grupo jihadista que opera na região. Segundo o diplomata indiano, citado pelo Observador, a ação permitiu evitar vítimas civis.

As diferenças nas versões dos dois países é notória e não se fica pelo alvo atingido. Fonte do Governo indiano disse à Reuters que, na sequência dos ataques aéreos, terão morrido 300 presumíveis terroristas. Já fontes da agência de notícias indiana PTI apontam para um número superior: “350 [presumíveis] terroristas” mortos. O Paquistão, por sua vez, garante que não houve feridos nem mortos perto de Balakot.

A versão indiana e o campo do Jaish-e-Mohammed

De acordo com a versão indiana, o campo do Jaish-e-Mohammed (JeM), base do grupo jihadista, terá sido o principal alvo do ataque, em particular um centro de treinos para bombistas suicidas.

Segundo a agência de notícias indiana ANI, o campo estaria localizado numa zona florestal, no topo de uma colina, muito distante da povoação mais próxima.

Vijay Gokhale adiantou que a base do grupo terrorista seria dirigida por Maulana Yusuf Azhar, cunhado do fundador e líder do grupo terrorista Maulana Masood Azhar. O diplomata indiano acrescentou que havia informação “credível” de que este grupo jihadista estivesse a planear ataques semelhantes ao que aconteceu há 12 dias na povoação indiana de Pulwama, que causou a morte de 40 oficiais de segurança indianos.

A ANI avança que o ataque terá destruído “por completo” bases jihadistas em Balakot, Chakothi e Muzaffarabad. O ataque terá consistido no lançamento de bombas com 1000 quilogramas em zonas paquistanesas e na operação terão estado envolvidos 12 aviões da Força Aérea Indiana. No entanto, esta informação ainda não foi confirmada oficialmente.

A primeira vez desde 1971

Esta é a primeira vez que a Força Aérea Indiana faz uma ofensiva no espaço aéreo paquistanês desde a guerra de 13 dias que opôs os dois países em 1971.

Em declarações aos jornalistas, o Ministro dos Negócios Estrangeiros do país, Shah Mahmood Qureshi, afirmou que a Índia “cometeu uma agressão contra o Paquistão” e que violou a Linha de Controlo Militar acordada entre os dois país.

“O Paquistão tem o direito de dar uma resposta adequada em auto-defesa”, declarou.

Na semana passada, 42 pessoas morreram num atentado suicida que ocorreu na Caxemira indiana, tornando-se o mais mortífero ataque desde 2002. Reivindicado pelo grupo islâmico JeM, o atentado-suicida foi perpetrado com uma carrinha carregada de explosivos detonada perto de uma coluna de 78 veículos transportando cerca de 2.500 membros da Central Reserve Police Force (CRPF), uma força paramilitar.

A região de Caxemira é reivindicada tanto pela Índia como pelo Paquistão desde o fim da colonização britânica, em 1947. O total das forças indianas na parte controlada por Nova Deli é estimado em cerca de 500 mil efetivos.

Uma rebelião separatista mortífera destabiliza a Caxemira indiana desde 1989. A Índia acusa o Paquistão de apoiar de forma dissimulada as infiltrações na sua parte do território e a própria revolta armada, o que Islamabad sempre negou.

ZAP //

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