Greenpeace diz que Portugal devia proibir transgénicos e registar áreas cultivadas

O coordenador da área de Agricultura da Greenpeace Espanha considera que Portugal deve aprovar legislação a proibir o cultivo de transgénicos e apelou a que se faça um registo exaustivo das culturas com este tipo de sementes.

“O que pedimos é que Portugal, Espanha e os outros três países europeus que os usam [República Checa, Eslovénia e Roménia], uma minoria na UE, sigam o caminho da maioria. Já são nove os países que proibiram o cultivo de transgénicos, entre eles França, o maior produtor da Europa. O que demonstra que não são necessários”, considerou à agência Lusa Luís Ferreirim, da Greenpeace Espanha.

A associação ambientalista apresentou hoje um mapa do uso de transgénicos em Espanha, no qual identifica a região da Extremadura, que faz fronteira com Portugal, como a terceira com mais hectares deste tipo de cultivo no país vizinho.

Ferreirim, o único português com um cargo de coordenação na secção espanhola da Greenpeace, considera que os cerca de 7.167 hectares de área cultivada com transgénicos na Extremadura representam um perigo de contaminação genética para as culturas portuguesas.

“O maior perigo que existe, com a utilização deste tipo de semente, para os agricultores portugueses é precisamente para os que querem fazer uma agricultura livre de transgénicos. A contaminação genética está confirmada e é impossível controlar os transgénicos uma vez libertados para o meio ambiente“, disse Luís Ferreirim, estimando que o pólen transgénico possa viajar cerca de um quilómetro.

Atualmente na União Europeia apenas está autorizado para fins comerciais o cultivo do milho transgénico MON810 e, a seguir a Espanha, Portugal é o país que mais o planta. A Greenpeace considera que ainda não há estudos independentes sobre os possíveis efeitos destes produtos para a saúde humana.

“Um dos problemas que existe na Europa com a utilização dos transgénicos é que não se está a fazer uma avaliação dos riscos de forma adequada. Hoje em dia continuamos sem saber quais são os efeitos a longo prazo que os transgénicos podem ter para a saúde humana, uma vez que não existe qualquer tipo de estudo que vão nessa direção”, disse Luís Ferreirim.

Os estudos que existem, acrescenta, são feitos por uma parte interessada, a própria indústria dos transgénicos.

“Para efeitos de avaliação de riscos e eventual autorização de um transgénico na União Europeia, só se leva em consideração os relatórios elaborados pela própria indústria que solicita a utilização destas variedades”, salientou.

Luís Ferreirim diz que é “fundamental” que o Governo português faça um registo exaustivo e fiável de todas as áreas cultivadas com este tipo de sementes.

“Para que o resto dos agricultores saiba onde se está a cultivar transgénicos e poderem assim evitar potenciais efeitos”, realçou o responsável ambientalista.

De acordo com a Greenpeace, o milho transgénico MON810 – cuja autorização da UE caducou em 2008 e permanece em reavaliação – é modificado geneticamente para produzir, desde que germina até à colheita, um inseticida que mata a espécie Ostrinia nubilalis, uma praga dos cereais, especialmente do milho.

A associação considera que este inseticida afeta outros seres vivos, incluindo espécies benéficas que ajudam no controlo das pragas.

/Lusa

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