PS é contra “taxa Robles”

Nuno Fox / Lusa

Marisa Matias, Mariana Mortágua, Catarina Martins e Ricardo Robles

A proposta do Bloco de Esquerda para uma taxa penalizadora da especulação imobiliária pode ser viabilizada pelo Governo no próximo Orçamento do Estado, adianta o Diário de Notícias. PS é contra.

A ideia do Bloco de Esquerda, a que o CDS deu o nome de “taxa Robles” – na sequência do caso do prédio em Alfama detido pelo antigo vereador Ricardo Robles que levou à sua demissão da Câmara Municipal de Lisboa – já estará a ser negociada desde maio e tem como objetivo travar o lucro excessivo com a compra e venda de imóveis, ao mesmo tempo que aumenta a receita fiscal.

Segundo o Diário de Notícias, Catarina Martins acredita que a proposta do Bloco será aceite, apesar das críticas da oposição. Para a líder bloquista, a taxa seria a melhor solução para travar os excessos no mercado imobiliário, mesmo que isso contrarie quem trabalha no setor que, tal como a oposição, não acredita que a “taxa Robles” vá resolver os excessos.

Para a Associação Portuguesas de Empresas de Mediação Imobiliária (APEMIP), esta taxa especial “é uma medida populista, típica da aproximação de eleições, mas com consequências para a economia portuguesa que podem ser muito graves”.

Ainda não se conhecem detalhes sobre esta medida, que estará a ser conversada à mesa do Orçamento do Estado para 2019, mas é quase certo que será aplicada a contribuintes individuais e coletivos, inspirando-se na tributação já existente sobre a especulação em bolsa. Desta forma, a “taxa Robles” pode avançar mesmo que as mais valias já sejam alvo de imposto.

O Observador explica que, atualmente, o lucro resultante da venda de um imóvel já é tributado em 50%, em sede de IRS. A isto somam-se os encargos com a valorização, nos últimos 12 meses, nomeadamente com obras e outras despesas com imobiliárias ou o Imposto Municipal sobre a Transmissão Onerosa de Imóveis (IMT).

O contribuinte só fica livre deste imposto se o imóvel em causa for de habitação própria e permanente e houver intenção de reinvestir noutra casa, mas a nova casa tem de ter sido comprada entre os 24 meses anteriores e os 36 posteriores à venda do imóvel que gerou as mais valias.

O CDS afirma que esta nova taxa só irá agravar o problema. “O BE abriu a época das taxas e impostos”, considera. Já Leitão Amaro, do PSD, diz que “parece que é um imposto para esconder o embaraço com o caso Robles”.

Entretanto, esta terça-feira, Carlos César manifestou-se contra esta taxa especial, contrapondo que a “especulação” combate-se com aumento da oferta de habitação acessível. Em declarações à Lusa, o líder parlamentar do PS afirmou que “não há qualquer intenção do Grupo Parlamentar do PS aprovar a proposta do Bloco de Esquerda”.

“Pelo contrário, a especulação não se combate com uma taxa que é uma repetição do imposto de mais-valias que já existe. A especulação combate-se eficazmente com o aumento de oferta de habitação acessível, como o Governo propôs e aguarda aprovação na Assembleia da República”, acrescentou o líder da bancada socialista.

Esta posição do líder parlamentar do PS é contrária à manifestada por fontes ouvidas pelo Diário de Notícias, segundo as quais haverá disponibilidade para discutir a medida.

Minutos depois das declarações de Carlos César, Mariana Mortágua reagiu através do Twitter. Apesar da oposição do PS, o Bloco mantém proposta sobre tributação da especulação imobiliária.

Rui Rio também já se pronunciou. O presidente do PSD afirmou que não rejeita “liminarmente” a taxa especial proposta pelo BE em relação a negócios no setor do imobiliário, considerando que “não é assim uma coisa tão disparatada“.

“Com isto não estou a dizer que somos favoráveis aquilo que possa vir a ser proposto pelo Bloco de Esquerda, agora não rejeito liminarmente, não é assim uma coisa tão disparatada, porque, efetivamente, uma coisa é comprarmos e mantermos durante ‘x’ tempo e outra coisa é andarmos a comprar e a vender todos os dias só para gerar uma mais valia meramente artificial”, sublinhou.

Rui Rio, que falava aos jornalistas no final de uma reunião com o bastonário da Ordem dos Psicólogos, no Porto, considerou que “o mercado tem de fazer o seu trabalho, mas há momentos em que se pode tentar ajustar no sentido de se tentar evitar os pesadíssimos custos sociais” que a livre oferta e procura pode produzir.

“Nem eu posso dizer que a ideia é disparatada porque vem da esquerda e se viesse da direita era menos disparatada. Não é assim que oriento os meus pensamentos“, sublinhou.

Rio comparou os negócios com o imobiliário com o que se passa com as transações da bolsa de valores, onde o imposto que taxa as mais valias é diferente consoante se tenha as ações durante um ano ou durante dois dias. “Se passar a lógica da bolsa para o imobiliário é óbvio que vale a pensa pensar nisso. Ou seja, o mercado ajusta tudo, isso é verdade, mas ajusta tudo com preços sociais brutais muitas vezes”, referiu.

Por isso, acrescentou, o Estado “às vezes deve intervir para ajudar a regular o mercado”, que “segundo as teses liberais ajusta tudo, mas com custos sociais brutais”.

Catarina Martins está confiante

“Parece-nos ter todas as condições para ser aprovada no próximo Orçamento do Estado. É uma medida que o Bloco de Esquerda vem a negociar desde maio com o Governo”, disse Catarina Martins, à margem de uma reunião com moradores do Bairro de Santa Rita, junto à base das Lajes, na ilha Terceira, nos Açores.

A coordenadora do Bloco foi questionada pelos jornalistas sobre as críticas do CDS, que considerou “demagógica” a proposta de criação de uma taxa para travar a especulação imobiliária e a apelidou de “taxa Robles”.

“É muito importante saber se o Governo quer aproveitar este último orçamento da legislatura para mostrar aquilo que efetivamente o PS, que faz parte do Governo, quer para as finanças públicas do país ou se este orçamento vai, da parte do Governo, ser mais uma manta de retalhos, que acolhe impostos Mortágua, taxas Robles e tudo aquilo que faça parte do discurso demagógico dos partidos que apoiam o Governo”, disse o porta-voz do CSD, João Almeida, em declarações aos jornalistas.

Catarina Martins recusou reagir às críticas dos centristas, destacando apenas o que o BE pretende com a criação da taxa. “Posso explicar a medida. Eu não comento outros partidos, comento e explico as medidas que o Bloco de Esquerda propõe.”

Para a dirigente, a medida visa não só travar o “preço galopante das habitações” em algumas zonas do país e garantir o “direito à habitação”, mas também combater um “sistema fiscal muito injusto“, em que “é exigido muito esforço fiscal a quem vive do seu trabalho e muito pouco esforço fiscal a quem vive do património e do capital”.

“Da mesma forma como nós lutámos nos orçamentos para baixar os impostos a quem vive do seu trabalho, como baixámos, por exemplo, o IRS com novos escalões, também encontrámos medidas que compensam o Estado indo cobrar impostos a quem tem muita riqueza e proporcionalmente paga menos. Para nós isso chama-se justiça fiscal“, disse.

No domingo, quando apresentou a medida, Catarina Martins afirmou que o mecanismo seria semelhante à taxação “dos movimentos da especulação em bolsa”.

“Quando alguém compra e vende num curto período e faz muito dinheiro paga uma taxa de imposto especial. Também no imobiliário, para travar a bolha especulativa, quem compra e vende num curto período de tempo com muito lucro paga uma taxa de IRS particular, penalizadora”, explicou.

Questionada sobre as negociações do Orçamento do Estado para 2019, Catarina Martins considerou que será aprovado se todos cumprirem os compromissos assumidos.

“O que é que é preciso fazer? É criar as condições para recuperar salários e pensões, não esquecer compromissos que foram feitos com quem tem longas carreiras contributivas, não esquecer o que já foi aprovado em orçamentos passados, nomeadamente sobre salários, e dar condições aos serviços públicos para responderem pelo país”, salientou.

ZAP ZAP // Lusa

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14 COMENTÁRIOS

  1. Mas a esquerda nao era a favor do combate à desertificação do interior ou seja a favor que as pessoas nao abandonassem o interior para irem para as cidades?
    E agora a Mariana Mortágua vem-nos dizer que querem incentivar as pessoas manterem-se nas cidades? Estou confuso

    • O problema é que estas labregas não sabem bem o que querem. De resto, nunca souberam…
      Deviam era criar um imposto sobre a estupidez. Podiam chamar-lhe imposto catarina martins

      • Ai sabem! sabem!
        E estão dispostos a engolir tudo para se manterem no poder, ou para evitarem que os laranjadas e os azulados regressem de alguma forma.
        Por isso, uma centena de pessoas morreram nos fogos em 2017 e apenas uma ministra foi sacrificada.
        Claro que a habilidosa Catarina teria feito tudo para derrubar o <governo, nõ fora o Berloque um dos associados dos socialistas. E quem diz el diz o camarada cassete Jerónimo, obviamente.

    • O habilidoso Costa também é a favor da ida das pessoas para o interior desertificado. Mas isso não é para ele nem para a família dele.

  2. E quando propõe o BE a devolução dos subsídios recebidos da UE nas suas Empresas, quando os Empresários apregoam em todo o lado que são contra a Europa, mas depois aproveitam-se dos subsídios para criar empresas de alojamento local, como é o caso da líder do BE Catarina Martins , que formou a empresa com o marido com o beneficio desses mesmos subsidios.

  3. …como diz o Trump, mais uma noticia falsa !!! lol…lol… o PS está disposto a discutir a medida !!! jornalismo rasca… lol…lol…

  4. as mais valias são tributadas a metade da taxa de IRS que couber a esse contribuinte.
    Não são tributadas à taxa de 50%, como se deduz lendo a notícia.
    Se a taxa dos rendimentos em IRS for de 40%, a mais valia é tributada a 20%. convinha que as notícias fossem claras e não confundam quem não sabe.

  5. ah! ainda falta esclarecer que as despesas com a conservação do imóvel, – não os impostos – realizadas nos ultimos 5 anos também são dedutíveis, por isso não se somam, deduzem-se!

  6. já tinha enviado mas não foi publicado
    A taxa sobre as mais valias é de 50% do IRS que couber ao contribuinte . Ex: se a taxa da totalidade dos rendimentos for de 40% , as mais valias são tributadas em 20%.
    portanto não são tributadas à taxa de 50%, mas a 50% da taxa. isto é metade das mais valias não são tributadas.

  7. …tantos meninos aqui preocupados com a mama que vão ter de largar…devem pertencer aos esquemas especulativos e afins…. Força BE!!!!!

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