Governo britânico quer acabar com “intoxicações falsas” em Portugal e Espanha

A fraude das intoxicações alimentares tornou-se prática tão recorrente entre os turistas britânicos que visitam Portugal e Espanha que o Governo do Reino Unido pretende apertar as sanções para acabar com os casos de falsas intoxicações alimentares.

A tendência crescente no número de queixas por falsas intoxicações alimentares está a alarmar os operadores turísticos do Reino Unido. De tal forma, que o Governo do país prepara medidas mais duras para acabar com a prática que, em Espanha, já é conhecida como a “fraude da diarreia”, como lhe chama o jornal El Mundo.

De acordo com a Associação de Agências de Viagens Britânica (ABTA), Portugal, Espanha e Turquia são os países mais afectados pela prática que consiste em reportar uma falsa intoxicação alimentar para receber uma indemnização.

Em declarações à Lusa, elementos da ABTA já reportaram que, entre 2013 e 2016, se registou um aumento superior a 520% neste tipo de queixas. A situação levou o ministério dos Negócios Estrangeiros britânico a alertar para a existência de empresas que ensinam os turistas a apresentarem queixas falsas em Portugal.

Fraude impulsionada por redes de advogados

Há alguns anos, surgiam apenas casos isolados, mas os advogados dedicados a esta fraude aumentaram, contando muito com a publicidade gratuita das redes sociais, e montaram um esquema que leva os seus profissionais às ilhas mais procuradas por turistas, com o intuito de convencer falsas vítimas.

A fraude é promovida pelos chamados “claim farmers“, ou “fabricantes de denúncias”, escritórios de advogados que se especializaram na matéria e que também lucram com as falsas reclamações.

Nas redes sociais, já foram publicadas imagens com carrinhas destes escritórios de advocacia estacionados à frente de resorts ou hotéis frequentados por turistas em cidades como Tenerife, Espanha.

Tantas intoxicações seriam problema de saúde mundial

Em Espanha, a Confederação de Hotéis e Alojamentos Turísticos (CEHAT) estima que “mais de 90% das reclamações” por intoxicação alimentar sejam “fraudulentas”, nota a organização.

“A paciência da indústria hoteleira espanhola está a chegar ao fim”, alerta a CEHAT, sublinhando que estas fraudes são “um golpe para os estabelecimentos hoteleiros afectados”, com custos da ordem dos “60 milhões de euros“, só em Espanha.

Se tantas intoxicações fossem verídicas, “seria decretado um alerta sanitário mundial”, realça a CEHAT.

Perante este cenário preocupante, o Governo do Reino Unido está a trabalhar em sanções mais duras, apesar de a legislação já prever penas de prisão até 3 anos para os casos de reclamações fraudulentas.

A facilidade com que se apresentam estas queixas, nomeadamente sem necessidade de apresentar relatórios médicos e podendo ser feitas no país de origem e não naquele onde decorreram as alegadas intoxicações, é um ponto a rever.

Em muitos casos, os operadores turísticos optam por reembolsar os queixosos para evitarem idas a tribunal e os custos judiciais inerentes.

Por outro lado, há várias cadeias hoteleiras espanholas a ameaçar aumentar preços, o que está a preocupar o sector turístico britânico.

Família queixa-se de gastroenterite e acaba condenada

Entretanto, um tribunal de Liverpool, em Inglaterra, negou o pedido de indemnização de uma família britânica por uma suposta intoxicação alimentar em Espanha. Segundo a agência EFE, o juiz considerou que os queixosos não sofreram qualquer gastroenterite, como alegaram, durante umas férias de 15 dias nas Ilhas Canárias, em 2013.

A família pedia uma indemnização de 10 mil libras (11.300 euros) à operadora turística britânica Thomas Cook. Mas acabou condenada a pagar à agência uma multa de 3.700 libras (4.180 euros) pelos custos inerentes ao processo judicial.

“Este é o primeiro de uma série de casos que levaremos perante a Justiça quando seja necessário e constatemos que as denúncias por doença não tenham sido apresentadas no complexo turístico e que não haja provas claras a respeito delas”, referiu um porta-voz da operadora.

ZAP // EFE

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1 COMENTÁRIO

  1. E eu a pensar que isto de vigaristas era só por cá! Uma multa bem pesada para uma falsa denúncia resolverá o caso em pouco tempo!

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