FMI alinha previsões com Governo mas pede mais reformas e redução da dívida

Thomas Dooley / International Monetary Fund / Flickr

A diretora-geral do FMI, Christine Lagarde

O FMI está mais otimista e diz que as metas de crescimento e de redução do défice definidas pelo Governo para 2017 e 2018 serão alcançadas, mas defende mais ambição na redução da dívida e nas reformas estruturais.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) concluiu na quarta-feira mais uma missão de monitorização pós-programa a Lisboa, a primeira liderada por Alfredo Cuevas (o novo chefe da equipa do Fundo que acompanha Portugal) e, na declaração de conclusão divulgada hoje, mostra-se mais otimista face a visitas anteriores, melhorando as perspetivas.

Agora e face a setembro, a instituição revê em alta a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,5% para 2,6% este ano e de 2% para 2,2% no próximo e melhora a previsão para o défice orçamental de 1,5% para 1,4% em 2017 (excluindo os custos associados com a recapitalização da Caixa Geral de Depósitos, cuja classificação ainda está a ser avaliada) e de 1,4% para 1,1% em 2018.

Isto significa que o FMI apresenta estimativas para este ano e próximo iguais às inscritas pelo Governo no Orçamento do Estado para 2018 (OE2018), destacando a melhoria económica (também na União Europeia), os resultados no setor financeiro, o olhar mais amigável dos mercados perante a dívida pública portuguesa e a redução do défice.

“O forte crescimento, juntamente com os esforços continuados para conter a despesa, devem permitir que as metas do défice orçamental de 2017 e 2018 sejam alcançadas confortavelmente“, lê-se no comunicado de conclusão de missão.

O FMI destaca que a atividade económica fortaleceu-se em 2017, “impulsionada por uma recuperação significativa no investimento e um crescimento contínuo nas exportações e no consumo privado”.

No entanto, apesar do otimismo nas projeções, o Fundo deixa avisos, salientando que a recuperação económica e as baixas taxas de juro “criam uma oportunidade auspiciosa para uma redução mais rápida da dívida pública”, que estima que caia de 130,1% em 2016 para 125,8% e 2017 e para 123,7% do PIB em 2018.

Apesar da redução do rácio face ao Produto Interno Bruto (PIB), a dívida pública “continua a ser uma vulnerabilidade no médio prazo, já que restringe a habilidade do Governo para responder a choques adversos que podem surgir”, adverte o FMI.

É que, defende, “é provável” que o ritmo de crescimento se atenue até alcançar o potencial de médio prazo e que taxas de juro subam com a redução dos estímulos da política monetária.

Nesse sentido, o Fundo defende uma maior consolidação estrutural do saldo primário (ou seja, que exclua os efeitos do ciclo e os juros da dívida pública) que “ponha a dívida pública numa trajetória de redução forte no médio prazo”.

No comunicado, a equipa de missão admite que o OE2018 signifique uma redução do excedente estrutural primário – esperando que se reduza de 2,8% para 2,4% do PIB potencial.

Além disso, o FMI sugere que esse ajustamento seja feito através de “uma reforma duradoura da despesa“, considerando que “é provável que se revele mais sustentável e amiga do crescimento”.

Por isso, entende que o Ministério das Finanças deva ser mais “cauteloso sobre aumentos permanentes na despesa que possam reduzir a flexibilidade da despesa pública se as condições cíclicas mudarem” e que essa cautela é “especialmente importante” em decisões que “possam afetar a trajetória dos salários da Administração Pública nos próximos anos”.

O Fundo defende “mais reformas estruturais, mais investimento e mais produtividade”, considerando, nesse sentido, que a flexibilidade do mercado de trabalho é um “elemento-chave” para a economia portuguesa.

A equipa de acompanhamento sublinha ainda que os salários “estão bem alinhados com a produtividade” e que isso permite a entrada de novos trabalhadores altamente qualificados no mercado de trabalho “ao mesmo tempo que salvaguarda a competitividade”.

O FMI pede ainda um “aumento substancial” do investimento, o reforço da poupança nacional e “esforços continuados”, com novas medidas e um acompanhamento de perto, na resolução do problema do crédito malparado.

// Lusa

PARTILHAR

1 COMENTÁRIO

RESPONDER

No Japão, pilotar drones enquanto bêbado dá prisão

Os drones revolucionaram a fotografia, ajudaram na conservação, transportaram órgãos para transplantes e até já ajudaram em missões de busca e salvamento. Mas as máquinas voadoras controladas remotamente nem sempre são usadas para o bem. Também …

PSG na corrida por Bruno Fernandes. Atlético já terá proposta

Bruno Fernandes continua com o futuro incerto, mas o mercado continua a mexer. De acordo com a imprensa desportiva, o Paris Saint-Germain entrou na corrida pelo médio do Sporting e o Atlético de Madrid terá …

Crédito Agrícola vai cobrar MB Way e transferências online

O Crédito Agrícola, instituição bancária liderada por Licínio Pina, vai passar a cobrar não só as transferência feitas através da aplicação móvel MB Way, como também as transferências online, escreve o jornal Eco este sábado. …

Há uma "Cidade do Futuro" inacabada no deserto do Arizona

https://vimeo.com/342345734 No deserto do Arizona, nos Estados Unidos, há uma cidade experimental projetada para milhares de pessoas que agora contém apenas algumas dezenas de habitantes. Durante quase cinco décadas, um grupo chamado Fundação Cosanti tem trabalhado na …

Montenegro vai estudar liderança em França. Quer qualificar-se para o futuro

O ex-líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, vai para França estudar num programa de gestão avançada para executivos promovido pelo Instituto Europei para Administração de Empresas, escreve este sábado o Expresso. De acordo com o …

A dieta perfeita não existe

O número de dietas que existem não cabe nos dedos das nossas mãos, mas grande parte das pessoas vai dizer-lhe qual a melhor dieta a seguir. Mas não acredite, é tudo bluff. Uma equipa de cientistas …

Fenprof critica Marcelo. "Não é o Presidente de todos os portugueses”

O 13.º congresso da Fenprof terminou este sábado com a garantia de luta pela contagem integral do tempo de serviço dos professores e críticas a Marcelo Rebelo de Sousa, que “não é o Presidente de …

Consumo de álcool dos filhos associado a educação branda dos pais

Um estudo descobriu que há uma associação entre o consumo de álcool dos filhos e a educação que os pais dão em relação às bebidas alcoólicas. Quanto mais brandos os pais forem, mais probabilidade há …

Espiões podem estar a usar o LinkedIn para recrutar novos contactos

O LinkedIn é uma rede social de negócios, mas espiões podem estar a usá-la para encontrar novos contactos. Os espiões estarão a usar perfis falsos, gerados por inteligências artificial. Apesar de ser uma rede social bem …

Mercado de compras online pode não ser tão lucrativo quanto se pensa (e pode estar perto do fim)

Muitas pessoas provavelmente presumem que as lojas online estão a fazer uma fortuna, mas a realidade é bem diferente. Muitas atividades de comércio eletrónico são, na verdade, não lucrativas. Se as pessoas tivessem que pagar o …