Ficheiros Kennedy: strippers, Fidel Castro e conspirações

A agência de espionagem norte-americana CIA garantiu na quinta-feira que já foram tornados públicos, na íntegra, mais de 69 mil dos 87 mil documentos relacionados com o assassínio do presidente John F. Kennedy.

A CIA assegura que nenhum dos 18 mil registos vai ser mantido secreto na totalidade e que as partes editadas – ou escurecidas – destes documentos representam menos de 1% da informação total da CIA contida nesta documentação.

A agência justificou as edições da informação com a necessidade de proteger informação que, se fosse divulgada, prejudicaria a segurança dos EUA.

As edições, ainda segundo a agência, esconderam os nomes de ativos da CIA e de atuais e antigos agentes, bem como métodos da sua atuação e parcerias, que continuam a ser úteis para proteger a segurança dos EUA.

Pedidos para manter secretos centenas de documentos relacionados com o assassínio do presidente norte-americano John F. Kennedy, na sua maioria da CIA e do FBI, limitaram a 2.800 os que foram divulgados na quinta-feira.

A informação foi adiantada por dirigentes do governo norte-americano que mencionaram apelos de última hora da agência de espionagem e da polícia federal dos EUA atendidos pelo presidente, Donald Trump.

Esta coleção de documentos, que deveria ter sido divulgada integralmente agora, inclui mais de 3.100 documentos, que compreendem centenas de milhares de páginas, que nunca foram vistos pelo público. Os documentos que não foram revelados agora vão estar sob apreciação durante mais seis meses.

O que revelam os ficheiros

Durante a noite, o Washington Post teve uma equipa a analisar os documentos para revelar as primeiras conclusões dos ficheiros que foram mantidos secretos durante mais de 50 anos.

Segundo o jornal, os documentos registam o depoimento de Richard Helms, na altura diretor da CIA, recolhido em 1975 numa comissão de inquérito, e abordam o alegado envolvimento da CIA numa conspiração para matar o presidente americano.

A certa altura do interrogatório, e após uma breve troca de impressões sobre a guerra do Vietname, um dos procuradores nessa mesma comissão, David Belin, começa a perguntar a Helms: “Há alguma informação relacionada com o assassinato do Presidente Kennedy que, de alguma maneira, revele que Lee Harvey Oswald seria de alguma forma um agente da CIA ou um agente…“.

É precisamente neste ponto que o documento é cortado, segundo realçam os repórteres do Washington Post.

Lee Harvey Oswald terá sido o autor do assassinato de John F. Kennedy a 22 de novembro de 1963. Oswald viria a morrer dois dias depois, às mãos de Jack Ruby, gerente de casas de prostituição com ligações com a máfia, que o terá assassinado para ser visto como um herói nacional.

Num dos documentos, com data de 24 de novembro de 1963, o diretor do FBI, Edgar J. Hoover, diz, num dos documentos, existirem provas de comunicações intercetadas entre Oswald, Cuba e a União Soviética.

Os mesmos documentos sobre a morte do então presidente dos Estados Unidos falam ainda numa conspiração para assassinar Fidel Castro, à data, presidente de Cuba.

De acordo com esses ficheiros, houve reuniões com exilados cubanos que tentaram fixar um preço “pelas cabeças” de Fidel, do seu irmão Raul e ainda de Che Guevara. Os preços ficariam, depois de alguma negociação, nos 100 mil dólares pela cabeça de Fidel, 20 mil pela de Raul e outros 20 mil pela de Che.

Um outro ficheiro descreve a operação Bounty, que pretendia derrubar o governo cubano da altura e lançar um sistema de recompensas financeiras para cubanos que eliminassem ou denunciassem comunistas.

Neste esquema, os valores variavam entre 57 mil e 100 mil dólares, sendo que Castro, “talvez por razões simbólicas”, poderia ser eliminado a troco de apenas dois cêntimos.

A CNN relata também os detalhes de um documento da Comissão Rockefeller, de 1975, sobre o papel da CIA num plano para eliminar Fidel nos primeiros dias da administração Kennedy. Na altura, o seu irmão Robert Kennedy, que era Procurador-Geral, terá contado ao FBI que a CIA estava a contactar um intermediário com o propósito de contratar um atirador para matar o ditador cubano por 150 mil dólares.

Outros documentos descrevem planos para matar Fidel através de meios mais subtis, como envenenamento por comprimidos com botulismo.

Os documentos agora revelados também falam em festas de sexo e strippers, envolvendo o nome de personalidades famosas.

Um memorando do FBI revela que uma acompanhante de luxo de Hollywood terá sido abordada por um detetive privado sobre festas de sexo em que teriam participado John Kennedy, mas também o seu cunhado, Peter Lawford, e os cantores Frank Sinatra ou Sammy Davis Jr. Na altura, a mulher terá negado qualquer uma das “indiscrições” com que foi confrontada.

Os documentos falam também na suspeita, descrita num memorando do FBI de 1964, de que o presidente Lyndon B. Johnson teria sido membro do Klu Klux Klan no Texas nos primeiros anos da sua carreira política.

A “ameaça comunista” nos EUA é mais um dos temas frequentes nos ficheiros já conhecidos. Além da existência de uma “lista negra de Hollywood”, que incluía nomes de suspeitos de pertencerem clandestinamente ao Partido Comunista, há ainda registo de vários tipos de vigilância que passavam, por exemplo, pela instalação de escutas em escritórios e zonas de trabalho.

ZAP ZAP // Lusa

PARTILHAR

RESPONDER

Moçambique. Ministro da Defesa diz que ataque a Palma não coloca em causa exploração de gás

O ministro da Defesa de Moçambique, Jaime Neto, disse esta quinta-feira que o ataque à vila de Palma não coloca em causa o projeto de exploração de gás natural liderado pela petrolífera Total em Afungi, …

Nova Zelândia quer tornar a próxima geração completamente não fumadora

A Nova Zelândia anunciou um conjunto de propostas que visam banir os cigarros entre a próxima geração e aproximar o país da sua meta de ser livre de fumo até 2025. Desta forma, o Governo pretende …

Porto lança cartão da cidade para munícipes. Vantagens incluem descontos na cultura

O cartão foi lançado no dia 5 de abril e permite que os utilizadores tenham acesso a descontos em museus, teatros, piscinas e utilização gratuita do elevador dos Guindais. Destina-se aos moradores da cidade e …

Afinal, o SEF ainda não foi extinto. Governo vai publicar decreto-lei

Afinal, o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) ainda não foi extinto. Segundo o Ministério da Administração Interna, o Governo vai "aprovar por decreto-lei a orgânica do novo serviço público [SEA] e as novas competências …

Mais quatro mortes e 553 casos nas últimas 24 horas

De acordo com a Direção-Geral da Saúde, Portugal registou nas últimas 24 horas 553 novos casos de covid-19 e quatro mortes associadas à doença. Portugal regista hoje mais quatro mortes relacionadas com a covid-19, 553 novos …

Familiares das vítimas do voo MH-17 na Ucrânia vão pedir indemnizações

Uma das advogadas das vítimas do voo MH-17 da Malaysia Airlines anunciou que 290 familiares apresentaram pedido de indemnização contra os quatro suspeitos do acidente. Uma advogada das vítimas do derrube do voo da Malasya Airlines …

1.º de Maio. CGTP duplica lotação, UGT festeja online com ex-ministros socialistas

As centrais sindicais voltam a estar divididas quanto às comemorações do 1.º de Maio. A CGTP vai organizar dois desfiles e duplicar a concentração na Alameda Dom Afonso Henriques; a UGT cancelou qualquer iniciativa presencial …

"Vice" da bancada do PS contestado por pedir autocrítica do partido sobre Sócrates

Pedro Delgado Alves defendeu que o PS deveria refletir sobre a ação de José Sócrates. O deputado foi contestado por outros dirigentes do grupo parlamentar, nomeadamente Ana Catarina Mendes, que reagiu de forma dura à …

Japão responde à China e garante que derrame de Fukushima será seguro

O vice-primeiro-ministro japonês, Taro Aso, reafirmou esta sexta-feira, em resposta às críticas da China, que a descarga da central nuclear de Fukushima aprovada pelas autoridades japonesas estará dentro dos limites de segurança da água potável. "Estou …

Ninguém quer "a batata quente" do caso Sócrates. Ivo Rosa e Carlos Alexandre com nota máxima

Os juízes Ivo Rosa e Carlos Alexandre foram avaliados com a nota máxima de "Muito Bom" pelo Conselho Superior da Magistratura em inspecções realizadas entre 2013 e 2018, ou seja, abarcando o período da investigação …