Europeias: Marques a jogar pelo seguro e Rangel sozinho no Cavaquistão

PSD / Flickr

O eurodeputado social-democrata Paulo Rangel

Em mais uma jornada de acções de campanha para as eleições europeias que se avizinham, os cabeças de lista de PS e PSD optaram por jogar em casa, com Paulo Rangel a visitar Viseu, o famoso Cavaquistão, e Pedro Marques a passar pela Feira de Fafe, terra minhota dominada pelos socialistas.

Pedro Marques esteve de visita à Feira Franca de Fafe, em dia de feriado municipal no concelho do distrito de Braga, aproveitando para criticar as correntes conservadoras por “normalizarem” a extrema-direita.

“Não fazemos coligações nem acordos políticos com a extrema direita. Isso foi feito pela direita europeia mais do que uma vez”, afirmou o cabeça de lista do PS.

Numa crítica às forças do Partido Popular Europeu (PPE), família política da qual fazem parte o PSD e o CDS-PP, Marques apontou de forma crítica o que aconteceu na Andaluzia “com o Vox” – partido de extrema-direita em Espanha.

Neste contexto, Pedro Marques elogiou a prestação que o candidato socialista à presidência da Comissão Europeia, o holandês Frans Timmermans, teve num debate com o seu adversário do PPE, o germânico Manfred Weber.

Mantendo o foco nas farpas à oposição, Marques acusou PSD e CDS de não terem como prioridade a protecção social, nem o combate à pobreza. “A direita não tem uma palavra sobre os direitos sociais”, referiu durante um debate.

“Os que conhecem o nosso património sabem que é connosco que os direitos sociais mais aumentaram”, frisou também como cita o Expresso, afiançando que sempre que as desigualdades diminuíram “foi com medidas de Governos do PS”.

Rangel atira-se aos “amigos de Marques”

O cabeça de lista do PSD às europeias passeou pelas ruas de Viseu ao final da tarde de quinta-feira, com uma comitiva barulhenta formada por elementos da JSD (Juventude Social Democrata), mas com escassos contactos com a população, porque eram poucas as pessoas no centro da cidade.

“Depois de uma jornada como a que tivemos hoje em Sernancelhe, com mais de 600 pessoas, naturalmente que esta arruada sabe um bocadinho a pouco, está frio e as pessoas não saíram muito”, assumiu Paulo Rangel num distrito tradicionalmente social-democrata, conhecido como o “Cavaquistão”.

Antes da arruada, Rangel avisou que o partido não aceitará “cortes nos fundos de coesão”, garantindo que os sociais-democratas exercerão o direito de veto se for necessário, caso sejam eleitos para o Governo.

Durante a intervenção em Sernancelhe, Rangel defendeu que Pedro Marques foi “um mau ministro” e que não pode ser “um bom deputado”, acusando-o de aceitar cortes nos fundos e de ter cortado abonos de família em 2010, quando era secretário de Estado da Segurança Social de José Sócrates.

O cabeça de lista do PSD frisou que a proposta da Comissão Europeia prevê cortes de 1.600 milhões nos fundos de coesão e 1.700 milhões para a agricultura.

Já numa sala cheia da Aula Magna do Politécnico de Viseu, Rangel atirou contra os “amigos de Pedro Marques” que querem “cortar nos fundos aos portugueses” porque acham que eles “só servem para pagar copos e mulheres”, referindo que Timmermans não é um “defensor de Portugal”, mas “o companheiro de partido de Dijsselbloem”.

Marisa Matias pressiona PS na Lei de Bases da Saúde

A cabeça de lista do Bloco de Esquerda, Marisa Matias, aproveitou a visita à Unidade de Saúde Familiar de Cruz de Celas, em Coimbra, para voltar o discurso para um dos pontos de maior tensão entre socialistas e bloquistas, a Lei de Bases da Saúde, e para salientar que ainda há tempo para o PS “deixar o recuo” e “voltar-se para as reivindicações de muitos dos militantes socialistas”.

“Ainda há negociações a decorrer”, disse a eurodeputada bloquista, assumindo “alguma preocupação” uma vez que o PS já recuou em relação ao acordo que tinha feito com o BE para o fim das parcerias público-privadas na saúde.

Este “é o momento de percebermos que há muita gente que quer defender o SNS”, acrescentou Marisa Matias, realçando que “há também muita gente dentro do PS que quer fazer valer esse legado” e que ainda há “tempo de poder ter uma Lei de Bases de Saúde que faça justiça àquilo que foi a sua base original”.

André Ventura “muito contente” com apoio do Patriarcado

Durante um acção de campanha em Algés, no concelho de Oeiras, o cabeça de lista da coligação Basta, André Ventura, manifestou-se “muito contente” pelo apelo ao voto no seu partido que foi lançado pelo Patriarcado de Lisboa nas redes sociais.

“É sabido que sou uma pessoa muito religiosa, até pela minha formação. Fiquei muito contente com isso”, salientou referindo-se à mensagem colocada no perfil do Facebook do Patriarcado de Lisboa que destacava a coligação Basta, o Nós Cidadãos e o CDS-PP como os partidos que se opõem à liberalização da eutanásia, da chamada maternidade de substituição e da descriminalização do aborto.

A posterior retirada da publicação significa que “houve uma certa cedência à pressão, que é normal nestas alturas eleitorais, em que há muita pressão política“, referiu André Ventura, mantendo, contudo, que “ter o apoio dos cristãos, dos católicos, é um orgulho enorme”.

ZAP // Lusa

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3 COMENTÁRIOS

  1. “É sabido que sou uma pessoa muito religiosa”
    Eu não sabia que o palerma, perdão, o André Ventura era religioso… pelas cenas que faz, ninguém diria…
    Mas, só vem confirmar o padrão de que os que são “muito religiosos”, são sempre os piores!!
    Quando vejo alguém a dizer que é “muito religioso”, já sei que não é de fiar!..

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