“Mantiveste a Europa unida”. Macron declarou-se a Merkel (que ficou derretida)

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Philippe Desmazes; Pool / EPA

Angela Merkel e Emmanuel Macron

Emmanuel Macron , presidente de França, homenageia Angela Merkel.

Emmanuel Macron, presidente de França, fez uma última homenagem a Angela Merkel quando a ainda Chanceler da Alemanha se prepara para sair de cena. Foi sobretudo uma declaração de amor, com Macron a realçar que Merkel manteve “a Europa unida”, agradecendo-lhe a paciência que teve com ele.

“Desde que te tornaste Chanceler Federal, a França aprendeu a conhecer-te e depois a amar-te“, salientou Macron na cerimónia de entrega a Merkel da Grande-Cruz da Legião de Honra, uma das mais altas condecorações atribuídas pelo Estado francês.

A Presidência francesa já tinha anunciado que a Chanceler “encarna a solidez da amizade franco-alemã“.

“Durante todos estes anos, contribuíste para manter a Europa unida apesar de todos os choques“, salientou ainda Macron, enaltecendo o “percurso excepcional” e o “magnífico destino europeu” de Merkel.

Mas Macron fez questão de levar o seu discurso para um plano mais pessoal. “Obrigado por teres aceite este jovem presidente impetuoso que queria sacudir tudo”, notou. “Obrigada pela paciência e pela indulgência para comigo”, disse ainda.

Merkel e Macron trocaram depois um abraço sentido, com a tímida Chanceler a mostrar-se visivelmente sensibilizada.

Nas palavras de agradecimento, Merkel salientou o facto de partilhar com os quatro presidentes franceses com quem trabalhou “os mesmos valores”, apesar das “ideias diferentes”. “Muitas vezes conseguíamos reunir-nos e fazer mais do que faríamos sozinhos”, vincou.

Merkel colaborou com Jacques Chirac, Nicolas Sarkozy e François Hollande antes de Macron.

Nesta última presidência, as boas relações entre Macron e Merkel permitiram vários avanços importantes na União Europeia, nomeadamente a aprovação da chamada “bazuca” para relançar a economia no âmbito da crise pandémica.

Merkel está em vias de sair de cena após 16 anos de poder na Alemanha. O novo Governo alemão deverá tomar posse em Dezembro.

Nesta altura, decorrem negociações entre os sociais-democratas do SPD, que venceram as legislativas de 26 de Setembro passado, os ecologistas e os liberais. O social-democrata Olaf Scholz, actual ministro das Finanças, deverá suceder a Merkel como Chanceler da Alemanha.

  ZAP //

6 Comments

  1. É bem verdade. A Merkel foi o que valeu à Europa nos últimos tempos. É pena que se vá embora. A Europa vai ficar seguramente muito mais frágil. Assim houvesse políticos deste calibre em Portugal.

  2. Não diria melhor. Há *políticos* e “políticos”. Aqueles, com maior dimensão cultural e social e os ditos arrivistas. Angela Merkel assumiu-se, pela forma como usou o poder, como uma das personalidades mais marcantes no panorama internacional. Façamos votos de que o seu exemplo possa frutificar, mormente neste País tão mal servido de gente responsável.

  3. Deve ser para rir!…
    A Merkel (e companhia) por pouco não acabava com a Europa… e por pouco não acabava tudo vendido à China – como foram grandes empresas alemãs, como a KUKA, a Bosch Starters, etc, etc…
    Mas o mais vergonhoso foi, durante uma crise mundial, ver países da UE e da zona euro terem que receber ajudas financeiras externas (do FMI), quando isso seria da total responsabilidade interna (do BCE)!
    A Merkel foi o exemplo do que a UE não deve fazer – até para a Alemanha e por isso é que o seu partido acabou penalizado e perdeu as últimas eleições federais alemãs!!

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