EUA ponderam retirada militar total no Afeganistão, mas pedem “garantias“

Mutalib Sultani / EPA

Os EUA põe a hipótese de uma retirada militar no Afeganistão. Contudo, Anthony Blinken assumiu que está preocupado com a possibilidade de os taliban aproveitarem a retirada de tropas na NATO e dos Estados Unidos para lançar uma nova ofensiva militar e reconquistar território.

Logo em janeiro, aquando da tomada de posse de Joe Biden, a nova Administração norte-americana referiu que pretendia rever o acordo de princípio assinado por Trump em fevereiro de 2020.

As negociações de paz entre o Governo afegão e os taliban em Doha, capital do Qatar, têm estado a marcar passo à espera de uma decisão norte-americana. Paralelamente, os episódios de violência recrudesceram.



Numa carta enviada ao Presidente afegão, Ashraf Ghani, Anthony Blinken, secretário de Estado norte-americano, assume que a Casa Branca pretende garantias, ou seja, antes de qualquer retirada, os norte-americanos querem ter a certeza que os taliban “vão cumprir os seus compromissos”.

No acordo conseguido pela anterior Administração, a NATO iria retirar militarmente do Afeganistão até 1 de maio e os taliban comprometiam-se a diminuir os seus ataques e a cortar laços com o terrorismo.

Ainda assim, embora os taliban tenham deixado de atacar as forças internacionais, a violência contra as tropas e o Governo afegão continua. Jornalistas, ativistas, políticos, mulheres e juízes têm sido regularmente alvo de forte violência e muitos acabam mortos.

O secretário de Estado norte-americano assumiu preocupação com “o agravamento da situação securitária” em caso de retirada militar ocidental e “que os taliban possam ganhar terreno rapidamente” numa “ofensiva da primavera”.

Neste sentido, a Casa Branca apelou a um período de 90 dias de redução da violência no país e a um novo esforço de paz internacional supervisionado pelas Nações Unidas, para alcançar “um cessar-fogo permanente e abrangente”.

A carta afirma que, para a Casa Branca, “todas as opções permanecem em cima da mesa”, incluindo tanto a retirada no prazo previsto como a permanência dos cerca de 2500 soldados que ainda mantém no Afeganistão.

“Estamos a estudar a retirada total das nossas forças até 1 de maio, como consideramos outras opções”, referiu Blinken.

Segundo a RTP, a carta de Anthony Blinken a Ghani refere que os EUA irão pedir à ONU uma reunião entre os ministros dos Negócios Estrangeiros e enviados da Rússia, da China, do Paquistão, do Irão, da Índia e dos Estados Unidos, “para debater uma abordagem unida para apoiar a paz no Afeganistão”.

Washington irá também pedir ao Governo turco para receber um encontro de altos responsáveis “de ambas as partes nas próximas semanas, para finalizar um acordo de paz”.

A carta foi enviada também a Abdullah Abdullah, o presidente do Conselho de Paz, e foi apresentada aos lideres afegãos pelo enviado de paz dos EUA, Zalmay Khalilzad, durante a sua visita a Cabul na semana passada.

Abdullah terá proposto a formação de um Governo interino, depois de uma reunião de todos os líderes afegãos numa conferência externa. O Presidente afegão tem-se oposto veemente a esta ideia e afirmado que um novo Executivo deveria formar-se através de eleições.

No passado sábado, Ashraf Ghani propôs aos taliban a renúncia à violência e o regresso às negociações, incluindo a possibilidade de eleições, num esforço para relançar o diálogo de paz.

Ana Isabel Moura, ZAP //

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