EUA querem levar astronautas norte-americanos de volta à Lua em cinco anos

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Mike Pence, vice-presidente dos EUA

O vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, afirmou na terça-feira, durante uma reunião do Conselho Nacional do Espaço, no Alabama, que a administração Trump está comprometida em enviar astronautas norte-americanos de volta à Lua até 2024, quatro anos antes do objetivo da NASA.

Mike Pence, que falava no Marshall Space Flight Center da Administração Nacional da Aeronáutica e do Espaço (NASA), em Huntsville (Alabama), indicou que a administração atingirá este objetivo “por qualquer meio necessário”, acrescentando que a primeira mulher a pisar a Lua será americana.

“Eu peço à NASA para adotar novas políticas e abraçar uma nova mentalidade. Se os nossos contratados atuais não puderem alcançar este objetivo, então nós encontraremos aqueles que o farão”. Esta foi provavelmente uma referência, pelo menos em parte, aos foguetões de baixo custo construídos pela SpaceX e pela Blue Origin, refere a Ars Technica.

O vice-presidente indicou igualmente que a NASA precisa estabelecer “metas ousadas e a manutenção do cronograma” e, caso seja necessário, a administração Trump pode considerar abandonar algumas das atuais parcerias da agência espacial – que estão a desenvolver novos veículos para levar humanos ao espaço profundo – e usar foguetões desenvolvidos comercialmente.

“Se as naves privadas são a única forma de levar os astronautas americanos de volta à Lua, então serão lançados foguetões privados”, disse, acrescentando que “a urgência deve ser a nossa palavra-relógio”, segundo avançou a Verge, na terça-feira.

Num discurso de 30 minutos, Mike Pence afirmou que a NASA se tem movido “muito devagar, por muito tempo”. Há meio século, referiu o vice-presidente, a agência demorou apenas oito anos para ir à Lua, quando “não sabia como fazer o trabalho”.

Apesar destas declarações, ofereceu poucas recomendações e mudanças claras que poderiam ajudar a acelerar o retorno da NASA.

“Foi uma retórica sobre ‘por todos os meios possíveis’ e ‘nós forneceremos os recursos necessários’ e ‘a liderança é essencial'”, disse à Verge o especialista em política espacial da Universidade George Washington, John Logsdon. “São todas boas palavras. Mas o diabo está nos detalhes”, afirmou.

A atual administração norte-americana tem sido muito clara sobre o seu desejo de levar novamente norte-americanos à Lua desde o início da presidência. Em dezembro de 2017, o presidente Donald Trump assinou a sua primeira diretiva de política espacial, instruindo a NASA a enviar humanos de volta à Lua.

A agência espacial, contudo, tem sido vaga quanto ao cronograma para seguir adiante essa diretiva. Recentemente, apontou 2028 como uma data reservada para os humanos pousarem novamente na Lua, mas o Governo já mostrou o seu descontentamento. “Isso não é bom o suficiente”, disse Mike Pence no seu discurso.

Neste momento, a estratégia da NASA para voltar à superfície lunar depende da construção de uma estação espacial em órbita ao redor da Lua, denominada Gateway. Essa plataforma (um pequeno posto avançado perto da Lua) servirá como um ponto de partida em órbita para missões na superfície.

Além disso, a agência espacial tem desenvolvido um novo foguetão – Space Launch System (SLS) -, que será usado para lançar uma cápsula de tripulação designada Orion no espaço profundo. Além de enviar pessoas para o Gateway, o SLS poderá ser utilizado para entregar cargas e ajudar a levar novos módulos para a estação espacial lunar.

Embora tenha convocado recentemente empresas comerciais a criar projetos que pudessem transportar humanos do Gateway para a Lua, a NASA não planeia começar a construir a plataforma antes de 2022.

Também o SLS sofreu uma série de atrasos e aumentos de custos, que ameaçam a atual previsão de lançamento. Inicialmente, deveria ser lançado em 2017, enviando a cápsula Orion numa viagem de três semanas ao redor da Lua. Mas o voo de estreia foi adiado para junho de 2020.

Mais recentemente, a NASA admitiu que a data provavelmente seria transferida para 2021 – uma decisão que aparentemente desagradou ao Governo norte-americano.

Este atraso levou a agência espacial a considerar alternativas para o lançamento da Orion em 2020, incluindo o uso de foguetões comercialmente disponíveis, como o Falcon Heavy da SpaceX ou o Delta IV Heavy do ULA, em vez do SLS.

Após o discurso de Mike Pence, o administrador da NASA, Jim Bridenstine, foi convidado a falar sobre como a agência espacial poderia alcançar o objetivo do Governo, tendo o mesmo afirmado que a NASA “fará tudo o que estiver ao seu alcance para cumprir esse prazo”. Contudo, afiançou, é necessário ter o SLS pronto para “acelerar a agenda”.

“Se queremos alcançar 2024, temos que ter o SLS”, apontou, indicando que o Exploration Mission-1 – que envolve uma versão sem tripulação da Orion ao redor da Lua – prosseguirá no foguete SLS em 2020. Este anúncio ocorreu menos de duas semanas após o lançamento do primeiro voo lunar da Orion com foguetes comerciais devido a atrasos contínuos do SLS.

De acordo com a Verge, se o SLS continuar como uma parte essencial dos planos de exploração do espaço profundo, isso significa que algo mais sobre a estratégia atual da agência precisa mudar, embora não tenham sido ainda avançadas ideias concretas.

Embora tenha deixado claro que a NASA precisa de um maior senso de urgência e de uma mudança na cultura, Mike Pence não ofereceu garantias de mais financiamento por parte da Governo.

“Para mim, foi um grande discurso sem dentes”, disse Laura Forczyk, consultora espacial e proprietária da Astralytical, empresa de pesquisa espacial e de consultoria. “Foi outro grande conjunto de promessas”.

Na verdade, o discurso de Mike Pence surge num momento embaraçoso, já que o presidente Donald Trump propôs cortar significativamente o financiamento para a NASA, incluindo os orçamentos para SLS e para a Orion.

Alguns funcionários da NASA já admitiram que mesmo um aumento no orçamento pode não ser suficiente para acelerar o desenvolvimento. “Conseguir lançar o mais rápido possível é um objetivo primordial, algo que mais dinheiro não vai acelerar”, disse Jeff DeWit, diretor financeiro da NASA, durante uma conferência de imprensa, em março.

“Não estamos a pedir mais dinheiro para que fazer o trabalho. Só precisamos de um pouco mais de tempo”, frisou.

Mesmo que o Governo decida dar mais dinheiro à NASA ou alterar significativamente os planos da agência, o poder executivo não pode tomar essas decisões sozinho. Como é o caso de todas as agências governamentais, qualquer grande decisão de financiamento deve ser aprovada pelo Congresso.

E, ao definir o orçamento anual, os legisladores também podem definir a agenda da NASA. É uma das razões pelas quais o SLS continua a ser uma parte significativa dos planos da agência espacial. O foguetão está a ser construído principalmente no Alabama, onde tem atraído financiamento por parte dos representantes do estado no Congresso.

Portanto, se a NASA quiser acelerar o seu cronograma para o Gateway ou seus prazos para a conclusão das aterragens na Lua, o Congresso deve aprová-lo. Nos últimos anos, o Congresso tem dado à NASA mais recursos do que os pedidos no orçamento do presidente, então é possível que os legisladores forneçam o fluxo de caixa necessário.

Mas, até que isso aconteça, as palavras de Mike Pence são apenas isso: palavras.

Taísa Pagno TP, ZAP //

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