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Várias escolas de Tóquio pedem “certificados de cabelo real” aos alunos

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As escolas japonesas são conhecidas pela sua rigidez relativamente à aparência dos seus alunos, tanto que os estudantes que não seguem o padrão de “cabelo liso e preto” têm de apresentar provas.

Dados divulgados, esta semana, pelo Conselho Metropolitano de Educação de Tóquio mostram que 44,6% das 177 escolas secundárias da cidade solicitam este tipo de “certificados de cabelo real”.

De acordo com a empresa de media Vice, os alunos que não seguem o padrão de “cabelo liso e preto” têm de apresentar provas de que os seus cabelos são mesmo naturais, sendo que o certificado tem de ser assinado por um encarregado de educação. Algumas escolas pedem até fotografias de infância para terem a certeza.

Há muito que as regras escolares do país são criticadas pela sua rigidez, sendo consideradas violadoras da liberdade de expressão dos jovens. A cor da roupa interior e das meias, o formato das sobrancelhas e o comprimento das saias estão entre algumas dessas restrições.

“Dizer a um estudante que o seu cabelo natural está errado, é como dizer que a sua identidade está errada. E é também claramente racista“, afirmou ao mesmo site Hiromi Kuroi, porta voz de uma organização não governamental que recolhe informações sobre esta regulamentação escolar.

“Alguns destes alunos não têm escolha a não ser aceitar esta discriminação. Estou preocupada com os efeitos negativos na sua saúde mental”, lamentou.

Em 2017, uma estudante de Osaka decidiu processar a sua escola por danos emocionais, depois de os professores lhe terem exigido repetidamente que pintasse o cabelo, originalmente castanho, de preto.

Inicialmente, a aluna acedeu ao pedido, mas depois parou de o fazer. Foi então que começou a ser discriminada pelo estabelecimento escolar, tendo sido impedida de frequentar algumas aulas e barrada das visitas de estudo.

No passado dia 16 de fevereiro, o Tribunal Distrital desta cidade japonesa obrigou o Governo local a pagar-lhe 330 mil ienes japoneses, cerca de 2500 euros, menos de 15% da indemnização solicitada pela jovem, agora com 21 anos. Apesar desta compensação, o juiz determinou que a aplicação destes regulamentos não violava a lei.

  ZAP //

 

 

 

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