Venezuela. Serviços secretos cercam Assembleia Nacional e invadem gabinete de Juan Guaidó

Juan Guaidó / Twitter

As autoridades entraram no gabinete de Guaidó durante a manhã desta terça-feira

Forças de segurança dos serviços secretos venezuelanos iniciaram na manhã de terça-feira um cerco à Assembleia Nacional, alegando a presença de uma bomba no local, relataram os deputados do organismo opositor do regime.

Segundo avançou o Observador, quinze agentes entraram no edifício e estavam a bloquear a entrada. Juan Guaidó chamou “cobarde” a Nicolás Maduro e, em comunicado oficial, voltou a reforçar a necessidade de eleições livres. O presidente venezuelano ainda não fez qualquer comentário ao cerco, enquanto as autoridades permaneciam no local e deputados denunciam o ato.

Num discurso de cerca de 20 minutos que foi transmitido em direto no Twitter, Juan Guaidó disse que “ninguém reconhece legitimamente” às forças que cercaram a Assembleia. “O regime pensava que nos ia parar ao perseguir o presidente e os vice-presidentes do parlamento”, indicou o venezuelano.

“Sequestram os deputados, cercam o parlamento mas nós continuamos a resistir. O que vai conseguir o regime com isto? Não vai conseguir nada. A única solução é o fim da usurpação, a formação de um governo de transição e a realização de eleições livres”, declarou Juan Guaidó.

O auto-proclamado Presidente anunciou ainda que a sessão parlamentar, que estava prevista para a terça-feira, foi adiada para as 10:00 desta quarta-feira, no Palácio. O anúncio é uma clara demonstração de que Juan Guaidó e os deputados não temem as forças de segurança de Nicolás Maduro.

Na manhã de terça-feira, mais de uma centena de elementos da Guarda Nacional Bolivariana, da polícia local e do Sebin – Serviço Bolivariano de Informação Nacional – impediram a entrada de deputados no parlamento.

Os serviços secretos entraram também no gabinete de Juan Guaidó, opositor de Nicolás Maduro. Não ofereceram qualquer explicação para o cerco, que ainda continua, e todo o edifício está ocupado. Para o auto-proclamado presidente interino, o cerco representou o “medo da legitimidade da Assembleia”.

“Acham que o poder está nos edifício, nas gavetas, num par de chaves. O poder que um dia tiveram, perderam-no quando perderam o povo”, afirmou.

Para os opositores do regime de Nicolás Maduro, o cerco ao edifício representa uma tentativa de encerrar o parlamento. Ao mesmo tempo, afirmaram que não vão entregar o edifício, que é atualmente o único órgão legítimo no país. “Não vamos renunciar ao palácio que nos reconhece constitucionalmente o poder”, escreveram os deputados.

“Os deputados da Assembleia Nacional são legítimos. Foram eleitos pelo povo da Venezuela e cada atropelo, cada ameaça apenas mostra que o usurpador [Nicolás Maduro] está cada vez mais sozinho e isolado”, afirmaram ainda os membros do parlamento.

Num vídeo publicado pela Assembleia no Twitter, é possível ver os militares no local. “O que teme o regime?”, escreveu a Assembleia na descrição do vídeo.

Nicolás Maduro ainda não reagiu ao caso. Enquanto surgiam dezenas de reações de deputados nas redes sociais e à mesma hora em que Juan Guaidó lhe chamou “cobarde”, o Presidente publicou no Twitter um vídeo onde referiu o reforço da relação e solidariedade da Venezuela com organismos internacionais.

Deputados denunciam ato ditatorial do regime

“Ninguém se rende, todos firmes”, declararam os deputados que permaneceram frente ao parlamento. Membros da oposição da Assembleia Nacional falavam em direto a partir do local, em vídeos publicados no Twitter. “Queremos dizer-lhes que isto para nós é, desde logo, um ato intimidatório do regime para impedir que a Assembleia Nacional continue a desempenhar as suas funções”, denunciou no local o deputado Luis Stefanelli.

Também outros membros e funcionários da Assembleia Nacional pronunciaram-se no local. “Este é mais um exemplo da força com que o regime opressor de Maduro trata a Assembleia Nacional”, referiu a deputada Elimar Diaz.

Na manhã de terça-feira, um dos deputados da Assembleia confirmou no Twitter que 15 funcionários do Sebin entraram no Palácio Federal Legislativo (Assembleia) por “suspeita de bomba dentro das instalações”.

Quem faz parte da Assembleia Nacional?

O cerco surgiu numa altura em que deputados da Assembleia Nacional estão a ser perseguidos e detidos pelas autoridades da Venezuela. Este organismo é liderado por Juan Guaidó e composto por membros da oposição a Nicolás Maduro, que, para contrariar este movimento, criou a Assembleia Constituinte.

Por representarem uma afronta a Nicolás Maduro, os serviços secretos têm perseguido os deputados. No início do mês, o Supremo Tribunal da Venezuela, a mando do Presidente, emitiu mandados de detenção contra sete deputados.

Dois deles refugiaram-se em embaixadas internacionais, na cidade de Caracas. No dia seguinte, o Sebin deteve o vide-presidente do parlamento venezuelano, Edgar Zambrano, cujo paradeiro é desconhecido. Na altura, o próprio anunciou a sua detenção no Twitter.

A 02 de maio, Nicolás Maduro já tinha mandado prender Leopoldo López, apoiante de Juan Guaidó e opositor do regime. O mesmo estava refugiado na embaixada espanhola em Caracas e o executivo de Espanha afirmou na altura que não entregava o opositor.

No mesmo dia, Nicolás Maduro desfilou pelas ruas ao lado das forças militares numa demonstração de poder e clara afronta ao seu opositor.

O que é Sebin?

O Sebin foi criado em 2010 pelo antigo presidente venezuelano Hugo Chávez. É composto por dois mil agentes e a sua função é “fornecer informações com vista a neutralizar as ameaças reais ou potenciais contra o Estado”.

Atualmente, é comandado pelo o general Gustavo González López. Organizações para os direitos humanos descrevem o Sebin como um “instrumento de perseguição política”. Inicialmente destino ao combate do tráfico de droga, Nicolás Maduro tem recorrido ao serviço para perseguições políticas.

TP, ZAP //

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