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A bicicleta já não é associada à prostituição. A era das duas rodas voltou

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A revolução circula em duas rodas e as cidades não serão as mesmas, avisa o especialista Jody Rosen. Fica um pouco de História sobre bicicletas.

Os leitores deste artigo, sobretudo se vivem em grandes cidades, já se podem ter apercebido de que nos últimos meses (ou anos) há mais bicicletas a circular nas ruas da zona da sua casa ou do seu emprego. Ou de ambos.

A pandemia alterou hábitos e, já em 2022, a guerra na Ucrânia alterou hábitos. E alterou despesas.

Os preços dos combustíveis subiram como nunca e muitas pessoas em Portugal (e não só) passaram a deixar o carro parado para andar mais vezes de bicicleta.

Em Março deste ano, ou seja, o primeiro mês completo com guerra, a procura por bicicletas e trotinetes subiu 150% em Portugal.

A “mania das bicicletas” começou há mais de 100 anos. “De repente (a bicicleta foi inventada no século XIX) surgiu um meio de transporte eficiente, seguro e que estava disponível para milhões de pessoas, não apenas para ricos”, lembra Jody Rosen, jornalista no New York Times Magazine.

O autor do livro Two Wheels Good: The History and Mystery of the Bicycle falou num programa do portal Next Big Idea e lembrou, ainda sobre a História, que nesse século, ou se andava a (era o que a maioria das pessoas fazia), ou se tinha dinheiro para ter um cavalo ou alugar um táxi.

Assim, também as mulheres de classe média – que raramente saíam da zona de sua casa – passaram a ter uma forma de sair. Sozinhas. Um escândalo: “Pensava-se que o passo seguinte ao andar de bicicleta era a prostituição. Literalmente”.

“A bicicleta era vista como uma grande ameaça à ordem social, à família nuclear. Havia pessoas a condenar a utilização da bicicleta, diziam que iria causar divórcios”, continua Jody.

Até os negócios, no geral, estariam ameaçados. Porque, se as pessoas estavam tão ocupadas em andar de bicicleta, deixariam de ir ao café ou fumar. E deixariam de ir à missa!

Do passado para o presente

Muita gente pode não ter noção mas a bicicleta é sinónimo de emprego para milhões de pessoas. Não só de meio de transporte para o emprego, mas também do próprio emprego (distribuição, entregas) – sobretudo em zonas de Ásia, África e América Latina.

Nova Iorque, uma das cidades centrais do planeta, passou a ser palco de mais de 500 mil viagens de bicicleta por dia.

E pode ser uma cidade “amiga” das bicicletas, desde que haja “vontade política” – mas retirar muitos lugares de estacionamento (e retirar os próprios carros da cidade) é um entrave para muitos responsáveis políticos.

Jody Rosen reforça a ideia generalizada: houve um grande crescimento no número de bicicletas nas ruas por causa da pandemia. As pessoas queriam circular de forma segura – e longe umas das outras – e rapidamente foram criadas estruturas em diversas cidades.

Pegando no caso de Paris, o escritor avisa: as pessoas estão a aperceber-se de que uma cidade com mais bicicletas e menos carros é mais agradável, é mais limpa.

Por isso, e tal como indica o próprio título da entrevista, as cidades não serão as mesmas porque a era das bicicletas está a chegar (ou a regressar). Com mudanças graduais, aos poucos; mas algo está a mudar.

  ZAP //

5 Comments

  1. A bicicleta era associada à prostituição ??????????????????!!!!!!!!!!!! Desde quando??????????????????!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
    Lê-se aqui cada anedota que só visto!!!!!!!!!!!!!!!

    • Mesmo no séc.20 e 11, ainda há países onde a bicicleta é proibido para meninas. Sugiro ver o filme “O sonho de Wadjda” (Arábia Saudita/Alemanha, 2013)
      Wadjda tem 10 anos de idade e mora na capital da Arábia Saudita. Seu sonho é compra uma bicicleta, mas na sociedade conservadora, garotas não podem dirigir carros ou bicicletas, também meninas não podem brincar com meninos. O senso comum associa bicicleta à mestruação precoce, erotismo, instiga a prostituição, etc. Mas Wadjda não desiste e passa o filme batalhando para realizar seu sonho. Também culturas fundamentadas no cristianismo boicotam meninas usarem bicicleta para brincar, ir à escola, ou trabalhar. Portanto, a matéria jornalista faz sentido, sim.

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