Efeito Greta Thunberg. Pessoas familiarizadas com a ativista podem estar mais propensas a agir

Justin Lane / EPA

Greta Thunberg

Uma sondagem nos Estados Unidos revelou que as pessoas familiarizadas com a jovem ativista climática Greta Thunberg podem estar mais propensas a agir em prol do ambiente.

Ela foi declarada a “Personalidade do Ano” pela revista Time no mesmo mês em que Donald Trump disse-lhe para “trabalhar nos seus problemas de controlo de raiva”. Greta Thunberg atraiu a atenção internacional desde a sua solitária manifestação fora do Parlamento sueco em agosto de 2018.

A sua “greve escolar pelo clima” tornou-se agora um movimento global que trouxe mais de 10 milhões de pessoas às ruas em todo o mundo para exigir ações sobre as alterações climáticas.

Ao mesmo tempo em que Greta Thunberg se tornou um nome familiar, a preocupação pública com as alterações climáticas atingiu níveis recorde nos Estados Unidos. Mas que papel a influência pessoal de Thunberg desempenhou nisso? Os seus discursos atraem públicos diversos ou ela está simplesmente a pregar aos peixes?

Com base numa sondagem nacionalmente representativa com mais de 1.300 adultos norte-americanos, um novo estudo descobriu que os americanos que relatam estar mais familiarizados com Greta Thunberg também se sentem mais confiantes de que podem ajudar a mitigar as alterações climáticas como parte de um esforço coletivo.

Eles também estão mais dispostos a agir por conta própria, entrando em contacto com autoridades eleitas ou doando tempo e dinheiro para campanhas. Os investigadores chama a isto de efeito Greta Thunberg.

Ver ou ouvir Greta Thunberg uma vez não transforma ninguém instantaneamente num ativista climático. No entanto, os investigadores descobriram um padrão de associações potencialmente importante.

Aqueles mais familiarizados com Thunberg eram mais propensos a pensar que as suas ações eram eficazes e significativas e estavam mais empenhados em fazer algo sobre as alterações climáticas. O modelo dos cientistas parecia mostrar que esse pode ser o caso porque as pessoas que conheciam a história de Thunberg eram mais propensas a reconhecer o potencial de pessoas comuns fazerem a diferença.

Os investigadores queriam saber o quão difundido este efeito pode ser, por isso tentaram descobrir quais os públicos que Thunberg atraiu mais. Nas suas aparições públicas, ela costuma estar cercada por jovens e as suas exigências por ações climáticas alinham-se mais fortemente com as preferências políticas liberais. Visto que as pessoas tendem a ouvir mais aqueles com quem se identificam, os autores pensaram que os jovens e os de esquerda seriam mais fortemente influenciados por ela.

Surpreendentemente, o efeito Greta Thunberg parece ser semelhante entre as faixas etárias e o espectro político para os adultos dos EUA, embora tenha sido mais forte entre os liberais do que os conservadores. Os investigadores não sondaram crianças e adolescentes, mas esperam que eles sejam mais fortemente influenciados pelas greves escolares de Thunberg.

“Ninguém é pequeno demais para fazer a diferença”

O Papa Francisco, James Hansen e Jeff Bezos tentaram impulsionar a ação climática usando a sua autoridade religiosa, académica e financeira. Greta Thunberg não tem esse estatuto de elite, então como é que ela conseguiu ter sucesso?

Dado o sentimento prevalecente de desgraça sobre as alterações climáticas, capacitar as pessoas para agirem requer a habilidade de transmitir que a mudança é possível. Nos seus discursos, Thunberg proclama que “ainda há tempo para mudar tudo”. A sua campanha “Sextas para o Futuro” também se baseia na mensagem de que qualquer pessoa – até mesmo os alunos – pode fazer a diferença.

Mais importante ainda, as ações de Thunberg são consistentes com as suas palavras. As suas ardentes exigências aos líderes mundiais, seja nas Nações Unidas ou no Congresso dos Estados Unidos, demonstram que qualquer um pode – e deve – desafiar pessoas e instituições poderosas.

O que é isto significa para a ação climática?

Como podemos ter a certeza de que as descobertas refletem o próprio efeito de Greta Thunberg e não a influência do ativismo climático em geral? A resposta curta é que não podemos. Mas para ajudar a isolar a influência de Thunberg, os investigadores pediram aos participantes do estudo que avaliassem o seu apoio ao ativismo climático e descobriram que a familiaridade com Thunberg permaneceu relevante.

Obviamente, há outras coisas que podem explicar por que as pessoas podem querer tomar medidas contra as alterações climáticas, como o seu apoio anterior à reforma ambiental ou o facto de terem ouvido falar sobre alterações climáticas nas notícias.

Mas muito disso já é capturado indiretamente pela ideologia política no modelo dos cientistas, que é um dos mais importantes preditores do que uma pessoa lê e do quanto ela apoia a ação climática.

Portanto, embora haja muitos motivos pelos quais as pessoas podem querer enfrentar as alterações climáticas, estar familiarizado com Greta Thunberg parece ter uma influência única na medida em que elas se sentem confiantes de que podem fazer a diferença.

Mas e se os investigadores tiverem descoberto que as pessoas que já estão mais propensas a agir sobre as alterações climáticas estão mais familiarizadas com Greta Thunberg? Não podemos ter a certeza porque este tipo de estudo não pode provar causa e efeito, ele só pode mostrar associações. Mas os testes estatísticos mostraram que esta explicação reversa não explicava os dados tão bem quanto a original.

Claro, a realidade pode ser mais complexa do que os modelos podem captar. Um ciclo de feedback positivo – onde ambas as explicações operam em conjunto para inspirar a ação climática – também é possível.

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1 COMENTÁRIO

  1. Tenho muito respeito por aqueles que lutam sem medo e, sobretudo, quando a sua luta respeita ao planeta inteiro. Mas Greta Thunberg quer os que a ajudam a preparar-se para os grandes fóruns onde tem participado. Em 1970, há 51 anos, era publicado um livro de autores americanos chamado “Os Limites do Crescimento”, que já punha o dedo na ferida e chamava a atenção para os efeitos nefastos dos combustíveis fósseis,, para a escassez de alimentos e para as alterações climáticas, numa altura em que Portugal, se não estou em erro, tinha 9,7Km de autoestrada e menos de um milhão de automóveis privados, além de muitos analfabetos (aproximadamente 60% da população), que correspondem mais ou menos ao de hoje, com uma única diferença – os de hoje são diplomados, muitos deles superiormente…
    Tudo isto para dizer que a Greta apenas se distingue pelo seu proselitismo precoce na chamada de atenção para a morte do planeta, tida como inevitável há já muitos anos, morte no sentido de um mínimum de vida, impossível de alimentar uma só espécie, que é a raça humana, que reclama foros de superioridade ontológica, isto é, que entende que é mais ser do que qualquer outro ser.
    Nada é novo e entre 400 e 150 mil anos atrás o planeta conheceu um período de aquecimento global, de tal modo que os oceanos subiram em média 13 metros (no Norte, em Tibães, perto de Braga é possível ainda encontrar, a 2 ou 3 metros de profundidade, pequenas conchas e outros espécimes marinhos, provando que o oceano já chegou à porta do que é hoje conhecida como a cidade dos arcebispos); só que, naquela altura, não havia 10 mil milhões, ou pouco menos, de bocas par alimentar e 2 mil milhões a quererem fazer uma coisa suicida chamada turismo, que de tudo dá cabo e tudo arruína do pouco que já existe dos luxuriantes ecossistemas de apenas há mil anos atrás, tudo a par de um consumismo insustentável, e dos resíduos de toda a espécie que deixa atrás de si. O hedonismo nunca teve nem terá espaço e viabilidade duradoura em planetas como o nosso Muito mais poderia e deveria ser dito, mas é uma questão de lerem e de estudarem. A Greta Thunberg quer um milagre e acredita nele, mas a farinha e o fermento já há muito que acabaram. Contudo siga-se o seu exemplo, porque sempre se pode adiar o inevitável por alguns anos mais.

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