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É provável que os seus pais estejam a mentir quando dizem que não têm um filho favorito

Apesar de o inquérito tenha concluído que os pais não pareciam escolher a sua criança favorita com base no género, havia diferenças na forma como os géneros percebiam as preferências dos seus próprios pais.

Pode ser uma verdade difícil de digerir, mas parecem haver cada vez mais investigações a apontar no mesmo sentido. Os pais podem estar mesmo a mentir quando dizem que não têm um filho favorito.

Uma pesquisa do Mumsnet concluiu que mais de metade dos inquiridos descreveu o facto de ter um filho favorito como algo absolutamente “horrível”. No entanto, esse mesmo inquérito também descobriu que quase um quarto dos pais tinha, de facto, um filho favorito.

De acordo com a mesma pesquisa, com uma forte ressalva de que os resultados diziam respeito aos utilizadores do site Mumsnet e não da população em geral, mais de metade dos pais com um filho favorito disseram que preferiam o mais novo, enquanto apenas 26% disseram que preferiam o mais velho. Cerca de 61% dos que favoreceram o mais novo disseram que achavam o(s) outro(s) irmão(s) mais “complicado(s) e exigente(s)“.

Embora o número de pessoas dispostas a dizer que têm um filho favorito possa parecer elevado, tal pode estar enviesado pelo facto de se tratarem de utilizadores da Mumsnet — e , por isso, mais disponíveis a este tipo de questões. Simultaneamente, é de notar que pode haver uma série de problemas na forma como o inquérito foi concebido.

Os pais poderiam recorrer ao Mumsnet, por exemplo, porque têm uma criança particularmente “complicada ou exigente” precisamente, distorcendo um pouco os resultados. Também pode ser que os utilizadores do Mumsnet recorram ao site quando uma criança (a mais velha) chega a uma fase particularmente complicada, fazendo-os favorecer a mais nova, que ainda não atingiu tal fase.

Ainda assim, os resultados do inquérito Mumsnet parecem estar em linha com os dados recolhidos pelo YouGov em 2020. A sondagem do YouGov encontrou uma percentagem menor de pessoas (10%) dispostas a admitir que têm um favorito num inquérito.

“Embora 10% dos pais admitam, o número real poderia ser mais elevado“, disse o organismo num comunicado de imprensa.

Contudo, o inquérito utilizou uma amostra maior do que Mumsnet. Com mais de 6.200 inquiridos, conseguiram decompor os dados sobre esses 10% que admitiram ter um favorito. Más notícias novamente, irmãos mais velhos, porque este inquérito descobriu que os pais ainda preferem os mais novos.

Os pais com dois filhos favoreceram os mais novos 62% a 30% (os restantes são pessoas que preferem não dizer). Os pais com três ou mais filhos favoreciam os mais novos (43%), com “um dos filhos do meio” com 34%, e os mais velhos com 19%.

O inquérito também analisou se as pessoas acreditavam ser a criança favorita dos respetivos pais. Apesar de o inquérito tenha concluído que os pais não pareciam escolher a sua criança favorita com base no género, havia diferenças na forma como os géneros percebiam as preferências dos seus próprios pais.

“Enquanto apenas 36% dos homens que acreditam que os seus pais tinham um favorito dizem que era uma irmã, 46% das mulheres pensam que era um irmão“, escreveu o YouGov. “Os homens são também mais propensos a pensar que eram os favoritos aos 23%, em comparação com os 17% das mulheres”.

  ZAP //

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