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“É de mau gosto e desnecessário”. Escultura gigante de vulva humana causa controvérsia no Brasil

Uma enorme escultura de betão de uma vulva humana causa polémica no Brasil. A obra de 33 metros de comprimento é obra da artista plástica Juliana Notari, que a instalou numa encosta da Central de Arte, parque de arte rural de Pernambuco.

De acordo com a CNN, a artista plástica Juliana Notari fez uma publicação sobre a obra, intitulada “Diva”, no Facebook no dia 30 de dezembro, detalhando a forma como mais de 20 homens trabalharam na escultura feita à mão, que mede 16 metros de largura e seis metros de profundidade.

Segundo a artista, a obra pretende “questionar a relação entre natureza e cultura na nossa sociedade ocidental falocêntrica e antropocêntrica” e fazer as pessoas questionarem a “problematização do género”.

No entanto, as críticas à escultura não demoraram a chegar. “O órgão sexual não foi criado para ser admirado, muito menos chamado de arte”, escreveu um utilizador do Facebook. “É de mau gosto e desnecessário e não tem sentido. Fez isto porque sabia que haveria crítica e é isso que queria, publicidade.”

“Não basta ver tantas mulheres a exibir as nádegas, a usar calções curtos ou minissaias, agora há uma vagina em campo aberto”, escreveu uma outra utilizadora. “Isto, para mim, nunca pode ser chamado de arte.”

Por outro lado, houve quem elogiasse o trabalho, incluindo Kleber Mendonça Filho, diretor de cinema. “Parabéns Juliana Notari, conseguiu que os homens criassem uma vagina de 30 metros em Pernambuco, durante a presidência do Bolsonaro.A reação à obra de arte reflete o seu sucesso”, escreveu.

Um dos cartoonistas mais conhecidos do Brasil, Laerte Coutinho, uma mulher transexual, também esqueveu que “há muito o que pensar neste trabalho”.

“Diva” é o último de uma série de trabalhos em que Notari aborda a ideia de feridas. “É uma das maiores feridas que criei”, disse a artista, em declarações à CNN. “Essa ferida é, no entanto, infinitamente mais pequena se comparada aos traumas da escravidão, do emprego desprotegido, do ecocídio e dos traumas violentos que aconteceram nesta central, como noutras propriedades coloniais privadas.”

Notari disse ainda ter ficado surpreendida com a resposta. “Mesmo sabendo que é uma obra de arte impactante, nunca pensei que as pessoas sentiriam ódio por ela ou que a resposta tomaria proporções enormes nas redes sociais”, disse.

“‘Diva’ é uma ‘possibilidade’ porque corta o patriarcado estrutural do Brasil, que é continuamente reforçado pelo discurso odioso e de extrema direita de Jair Bolsonaro”, rematou.

  Maria Campos, ZAP //

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