Quatro defensores dos direitos humanos, indígenas e ambientais recebem “Nobel Alternativo”

Holger Motzkau / Wikimedia

Diretor-executivo da Fundação Right Livelihood, Ole von Uxekull

Duas advogadas, do Irão e da Nicarágua, um advogado dos Estados Unidos (EUA) e um ativista da Bielorrússia foram esta quinta-feira distinguidos, em Estocolmo, com o “prémio Nobel Alternativo” que pretende “impulsionar mudanças sociais urgentes e duradouras”.

A advogada iraniana Nastin Sotoudeh, a ativista das causas indígenas e ambientais nicaraguense Lottie Cunningham Wren, o advogado norte-americano dos direitos cívicos Bryan Stevenson e, por último, o ativista político bielorrusso Ales Bialiatski e o seu Centro dos Direitos Humanos Viasna foram os vencedores dos prémios 2020.

Esta é a primeira vez, em 41 edições, que o “Nobel Alternativo” escolheu ativistas do Irão e da Bielorrússia, noticiou a agência Lusa.

“As pessoas galardoadas com o Prémio Right Livelihood [modo de vida correto] 2020 estão unidas na luta pela igualdade, pela democracia, pela justiça e pela liberdade. Com os seus esforços para desafiar sistemas jurídicos injustos e regimes políticos ditatoriais estão a fortalecer os direitos humanos, a reforçar as sociedades civis e a denunciar os abusos institucionais”, afirmou o diretor-executivo da Fundação Right Livelihood, Ole von Uxekull, em conferência de imprensa na Casa da Cultura de Estocolmo.

“As e os laureados deste ano sublinham as crescentes ameaças que sofre a democracia a nível mundial. Para quem apoia a democracia, este é o momento de nos levantarmos e de nos apoiarmos mutuamente”, sublinhou.

Sotoudeh, de 57 anos, vai receber o prémio pelo “destemido ativismo ao assumir com enorme risco pessoal a promoção das liberdades políticas e dos direitos humanos no Irão”, de acordo com um júri internacional.

A advogada do estado de direito e dos direitos de presos políticos, ativistas da oposição, mulheres e menores de idade frente ao regime do Irão, foi condenada, por “incitação à corrupção e à prostituição”, em março de 2019, a 38 anos de prisão e 148 chicotadas.

Pelo “encorajador empenho na reforma do sistema judicial penal dos Estados Unidos” e por “promover a reconciliação racial à luz do trauma histórico”, o júri premiou igualmente Bryan Stevenson.

Stevenson, de 60 anos, e a organização que fundou em 1989 “Equal Justice Initiative” (EJI, Iniciativa por uma justiça igualitária) defendem, há décadas, condenados à morte, lutam contra a aplicação de penas excessivas no sistema penal norte-americano, que afetam de forma desproporcionada pessoas de cor e pobres.

Marcello Casal Jr / ABr

Para o júri internacional, Lottie Cunningham Wren recebe o prémio “pela incansável dedicação à proteção dos territórios e das comunidades indígenas perante a exploração e as pilhagens”.

Advogada do grupo indígena Miskito, Wren, de 61 anos, tem ajudado na defesa dos direitos das mulheres indígenas, ao estabelecer programas para diminuir a violência de género e ao ajudar a criar espaços para mulheres nos organismos decisores.

A atribuição do prémio a Ales Bialiatski e ao centro Viasna deveu-se à “determinação na luta pela consecução da democracia e dos direitos humanos na Bielorrússia”, indicou o júri.

Ativista dos direitos humanos há quase 30 anos, Bialiatski, de 58 anos, fundou em 1996 o centro Viasna, em Minsk, na Bielorrússia, para apoiar presos políticos na que é frequentemente considerada, sob o regime do Presidente Alexander Lukashenko, “a última ditadura na Europa”.

Na sequência das manifestações maciças, reprimidas pelas autoridades, contras as eleições presidenciais de agosto, em que Lukashenko conquistou um sexto mandato consecutivo, o centro Viasna desempenhou um papel fundamental na defesa da liberdade de reunião e dos direitos dos detidos por protestarem, indicou a fundação.

Além do prémio monetário, a Fundação oferece aos distinguidos apoio a longo prazo e ajuda a proteger aqueles cujas vidas e liberdade estejam em perigo. Cada um dos premiados vai receber um milhão de coroas suecas (94 mil euros), destinadas a apoiar o trabalho nas respetivas áreas e não para uso pessoal.

Num processo de nomeação aberto a qualquer pessoa, o júri recebeu 182 nomeações provenientes de 71 países.

Criados em 1980, os “Nobel Alternativo”, que “honram e apoiam homens e mulheres que oferecem respostas práticas e exemplares aos desafios mais urgentes e atuais”, vão ser entregues virtualmente em 03 de dezembro.

Lusa //

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