Direção do CDS desautoriza Telmo Correia e defende eleições “o mais brevemente possível”

António Cotrim / Lusa

O líder parlamentar do CDS-PP, Telmo Correia

A direção do CDS-PP não gostou de ouvir o líder parlamentar dizer que a melhor altura para realizar eleições legislativas seria no final de janeiro ou fevereiro.

Depois de uma reunião com o presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, o líder parlamentar do CDS, Telmo Correia, defendeu que “a partir do final de janeiro, a partir do final de fevereiro, em normalidade poder-se-iam realizar as eleições”.

Considerando que “é preciso que haja uma alternativa política de centro-direita e de direita para ser apresentada ao país” e que “os dois partidos que são os partidos de governação nessa área política” vão ter eleições internas em breve, o centrista salientou que “é importante que essas escolhas sejam feitas e que a seguir se realizem as eleições“.

“Tendo nós um congresso eletivo com processo a decorrer, com eleição de delegados já este fim de semana e escolhendo o CDS uma direção e também uma linha política, um programa de candidatura no dia 28 de novembro, é útil que esse programa tenha um espaço para a sua afirmação e a sua apresentação ao país”, acrescentou o apoiante de Nuno Melo.

Ora, segundo o jornal online Observador, o líder do CDS, Francisco Rodrigues dos Santos, não gostou das declarações do líder parlamentar e fez saber que não só não concorda com a sua posição, como fez questão de destacar que não cabe a Telmo Correia pronunciar-se sobre essa questão.

Fonte da direção centrista afirmou ao jornal digital que as “declarações de Telmo Correia só o vinculam a ele” e que é o líder do partido e os restantes dirigentes que “definem a estratégia política do partido”.

“Em caso de dissolução da Assembleia da República, as eleições legislativas devem realizar-se o mais brevemente possível”, sublinhou a mesma fonte.

“O país está em primeiro lugar e não pode prolongar uma crise política que só prejudicaria a recuperação social e económica dos portugueses”, concluiu.

Segundo o semanário Expresso, confirmando-se o chumbo do Orçamento esta tarde, a direção centrista quer precisamente ir a Belém dizer isso a Marcelo Rebelo de Sousa.

A direção do CDS “informará o Senhor Presidente da República acerca da sua preferência quanto à data do próximo ato eleitoral”, afirmou fonte da equipa dirigente do partido ao jornal.

O mesmo semanário apurou ainda que, caso se confirme a crise política, continua em cima da mesa a hipótese de o congresso do CDS ser adiado.

Regras da eleição de delegados “não estão a ser cumpridas”

“Mais uma vez estamos a encontrar algumas entropias, algumas dificuldades”, disse o ex-líder parlamentar do CDS-PP, Nuno Magalhães, apontando que “mais uma vez as regras relativas ao processo eleitoral para o congresso não estão a ser cumpridas”.

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Em declarações à agência Lusa, o antigo deputado indicou que está a decorrer “o processo eleitoral para o congresso, as convocatórias para o ato eleitoral do próximo domingo, dia 31, já foram enviadas, mas até ao momento, e ao contrário do que está previsto nos estatutos, as listas de candidatos e delegados ao congresso ainda não foram publicadas”.

Apontando que “os estatutos preveem” que isso possa acontecer “oito dias antes do ato eleitoral”, o centrista afirmou que, “sendo o ato eleitoral no próximo dia 31, domingo”, e sendo terça-feira, “esse prazo já está manifestamente em incumprimento”.

Nuno Magalhães afirmou que esta situação impossibilita que as candidaturas, nomeadamente a de Nuno Melo, possam “ter conhecimento desses mesmos delegados”.

“Seguramente poderá haver uma justificação, uma explicação, mas então que se saiba, então que se diga” de forma “transparente, pública, clara”, para que “não haja dúvidas” nem “permita especulações”, apelou, defendendo que “isto não é bom para o congresso, não é bom para o CDS, não é bom para o presidente, seja ele qual for”.

Na ótica do antigo líder parlamentar, “não é bom para o CDS, um partido fundador da democracia, que princípios democráticos como, por exemplo, a igualdade de oportunidades, a transparência na relação com os seus militantes, não sejam cumpridos”.

Considerando ser “essencial garantir” que o próximo congresso do partido seja “absolutamente irrepreensível do ponto de vista formal e cristalino do ponto de vista dos resultados e da legitimidade”, Nuno Magalhães salientou que as “convicções não podem variar nem com factos nem com perceções”.

“Eu não quero crer que seja por qualquer tipo de menor apreço por as listas que já foram entregues, menor confiança da parte da direção em relação às listas que já foram entregues, e muito menos que o presidente, Francisco Rodrigues dos Santos, esteja com algum receio de ouvir a voz dos militantes”, disse também.

Nuno Magalhães apontou que a candidatura de Nuno Melo não recebeu “nenhuma informação” por parte da Comissão Organizadora do Congresso ou do representante da candidatura, nem da secretaria-geral do partido.

  ZAP // Lusa

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