Diários de viagem revelam o lado racista de Einstein

(dr) Arthur Sasse / Nate D Sanders Auctions

Albert Einstein defendia que o racismo era “uma doença de pessoas brancas”, mas escreveu um diário no qual descreveu os chineses como um povo “imundo”.

Além dos contributos científicos, Albert Einstein é também lembrado por defender os direitos humanos, posicionando-se contra a discriminação. No entanto, certas passagens dos seus diários de viagens contradizem esta imagem de homem tolerante.

Os textos que escreveu durante visitas ao Japão, à China e ao Sri Lanka, contêm comentários xenófobos que só agora se tornaram conhecidos.

Num discurso proferido na Universidade Lincoln, nos Estados Unidos, em 1946, Einstein disse que o racismo era “uma doença de pessoas brancas”. Contudo, duas décadas antes, o prémio Nobel terá escrito num dos seus diários de viagens que os chineses eram “povo diligente, imundo, e obtuso”.

Estes textos não se destinavam a ser publicados. Mas, 90 anos depois, os cadernos foram traduzidos do alemão e publicados pela primeira vez em inglês pela Princeton University Press. Estes diários já tinham sido publicados em alemão, enquanto parte de uma coletânea de ensaios e trabalhos académicos de Albert Einstein, adianta o Público.

Seria “uma pena se os chineses suplantassem as outras raças”. Esta frase escrita por Einstein pode chocar muitos de nós, devido ao contraste “com a imagem pública do grande ícone humanitário”, explica Ze’ec Rosenkranz, responsável pela tradução do texto e diretor assistente do Projecto Einstein Papers, do Instituto de Tecnologia da Califórnia.

“É um pouco chocante lê-los e contrastá-los com as afirmações públicas. Estão mais desprotegidos, ele não os escreveu para serem publicados”, continua.

Além destes comentários xenófobos, o Nobel tece ainda comentários de “extrema misoginia” contra as mulheres chinesas: “pouca diferença entre homens e mulheres“.

“Notei a pouca diferença que há entre homens e mulheres e não percebo que tipo de atração fatal têm as mulheres chinesas que enfeitiçam os homens a tal ponto que são incapazes de se defenderem contra a bênção extraordinária da descendência”, escreveu.

Já em relação ao Sri Lanka, Einstein escreveu que os autóctones vivem “em grande imundice e grande fedor“, acrescentando que “fazem pouco e precisam de pouco”.

Os japoneses, porém, destacam-se ao receberem comentários mais positivos. “Os japoneses são modestos, decentes e muito atraentes. Almas puras, como ninguém. Uma pessoa ama e admira este país.”

Apesar do clima de intensa paixão pelo povo japonês, Einstein termina com um comentário depreciativo: “As necessidades intelectuais desta nação parecem ser mais fracas do que as necessidades artísticas – disposição natural?”, questiona.

Rosenkranz refere que os comentários de Albert Einstein em relação á alegada inferioridade dos japoneses, chineses e indianos podem ser vistos como racistas.

Ainda assim, embora as visões de Einstein fossem prevalentes à época, não eram universais, sublinha o editor. “Havia mais pontos de vista, e pontos de vista mais tolerantes. Parece que Einstein teve algumas dificuldades em reconhecer-se na face do outro”, conclui Rosenkranz.

ZAP // BBC

PARTILHAR

10 COMENTÁRIOS

  1. Einstein pode ter cometido o pecado da generalização. Mas os seus comentários reflectem observações que fez. É muito provável que o Sri Lanka fosse uma imundice porque ainda o é nos dias de hoje.

  2. Rosenkranz refere que os comentários de Albert Einstein podem ser vistos como racistas e não que são racistas. Também podem ser não apreciações qualitativas sobre os povos asiáticos, mas meros apontamentos sobre condições e modos de vida sofríveis. São também, de acordo com a notícia, 20 anos anteriores às posições públicas de Einstein contra o racismo. Podemos conjeturar que Einstein nalgum momento da sua vida tenha tido alguma inclinação xenófoba ou racista, que terá corrigido entretanto.

  3. Simplesmente descreveu o que – com o seu espírito cientista – observou.
    E interrogou-se ao mesmo tempo.

    Meter tudo no mesmo saco do racismo, parece tendencioso e gratuito.

  4. É abismal o oportunismo redativo deste jornalista.
    Aqui quem cheira mal é quem escreveu tamanha enormidade, descontextualizada, abusiva e particularmente estupida.

  5. estao a esquecer que einstein provavelmente escreveu esse tipo de coisas quando se encontrava em territorio nazi ! provavelmente para ser bem visto pelos seus superiores nazis e ter mais chance de fuga para os eua

  6. Acusar de racismo algém que diz com muita precisão o que observa ou o que aparenta ser o comportamento dos outros é não só uma hipocrisia violenta, uma falsidade e
    muitíssimo pior que ser racista num tempo onde se sabe que isso pode prejudicar gravemente a imagem publica de alguém e em particular de um cientista que demonstrou ter preocupações ckm a humanidade acima da média.
    Fazer pseudo jornalismo negativo com erros de apreciações tão grosseiras sobre factos triviais e irrelevantes para se poder chegar a tão graves conclusões é mais do que ser grosseiro é já do foro criminal!

  7. Dizer que alguém é racista e xenófobo apenas por limitar a comentar observações evidentes é muito redutor e faccioso, então vejamos: ainda hoje se perguntarem a cidadãos europeus de origem asiática aquando das suas visitas às suas raízes ancestrais, uma das primeiras críticas que sai-lhes e espontaneamente e sem contornos, são exatamente as mesmas observadas por Einstein, e/ou ainda mais acentuadas na crítica á imundice. Lembro-me de um diálogo com um primo meu que conhece a Índia, após vermos o filme Goodbye Bombay, disse-me o seguinte: tu que ainda não visitaste a Índia, então ficas a saber – “isto é a Índia, só falta aquele cheiro nauseabundo”.

    PS – quem o diz é um descendente de pais asiáticos e Muçulmano, e não tenho qualquer preconceito anti Einstein, enquanto judeu, se bem que, como o Espinosa acreditava numa espécie de deus panteísta, que é a força matriz da origem do universo, mas não que Deus se preocupe com o destino dos judeus ou de quem quer que seja. Embora exista a tendência em se querer rejudaizar Espinosa, ao se pretenderem recuperá-lo, dizendo que se pode ter um certo grau de racionalismo e ceticismo, que até se pode ser afastado da comunidade como um herético, excomungado, e ainda assim fazer parte da tradição judaica. Esse dilema reflete-se nos debates
    sobre o judaísmo reformado, no século XIX e agora, e na identidade de Einstein (que dizia que era espinosista).

RESPONDER

Descoberta a primeira vespa polinizadora da época dos dinossauros

Uma equipa de cientistas encontrou a primeira vespa polinizadora (prosphex anthophilos), que conviveu com dinossauros há cerca de 100 milhões de anos. O animal foi encontrado num fragmento de resina fossilizada em Mianmar, na Birmânia, segundo …

China está a vender drones assassinos ao Médio Oriente

A China está a vender drones capazes de matar automaticamente, sem necessidade de controlo humano. Os seus principais clientes serão a Arábia Saudita e o Paquistão. Segundo o site Defense One, uma empresa chamada Ziyan está …

Aumento da temperatura pode vir a matar 1,5 milhões de indianos por ano

Se as emissões globais de gases de efeito de estufa não forem interrompidas, cerca de 1,5 milhões de indianos podem vir a morrer anualmente até 2100 devido ao aumento das temperaturas. Os números contam de …

O vencedor do Tour de France, Egan Bernal, pode ter beneficiado de uma vantagem genética

O ponto de viragem da Tour de France deste verão ocorreu no alto de uma montanha nos Alpes franceses. Foi o resultado de anos de treinamento e, de acordo com um estudo divulgado na segunda-feira, …

Mina Chang utilizou uma capa falsa da Time no CV e conseguiu chegar ao Governo de Trump

Mina Chang, vice-secretária adjunta do Gabinete de Operações de Conflitos e Estabilização do Departamento de Estado dos Estados Unidos, mentiu no seu currículo para conseguir alcançar um lugar no Governo de Donald Trump. De acordo com …

Jovem norueguesa controla 450 perfis no Instagram para tentar evitar suicídios

Uma norueguesa de 22 controla 450 perfis privados no Instagram para tentar evitar suicídios, conta a emissora britânica BBC, revelando ainda que a jovem recebeu já o apelido de "salva-vidas" devido ao trabalho que leva …

Espanha vai tentar exumar 31 corpos que se encontram no Vale dos Caídos

As autoridades espanholas vão tentar exumar 31 dos milhares de corpos de pessoas enterradas no Vale dos Caídos, um grande mausoléu onde esteve enterrado o ditador Francisco Franco até ao mês passado. Segundo a agência Associated …

Holanda reduz velocidade máxima nas autoestradas em prol da qualidade do ar (e deixa o primeiro-ministro "muito infeliz")

O Governo holandês vai baixar os limites de velocidade nas autoestradas do país para travar as emissões de monóxido de nitrogénio, que contribui para a degradação da camada de ozono. O primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, anunciou …

Facebook para iOS utiliza câmara do iPhone sem que o utilizador note

Há um erro na aplicação do Facebook para iOS - sistema operativo do iPhone - que liga a câmara do telemóvel sem que o utilizador se aperceba quando este faz scrool no feed de …

Tesla vai abrir a sua primeira fábrica na Europa

O construtor de carros elétricos Tesla vai abrir uma fábrica nos arredores de Berlim, anunciou o presidente executivo da empresa, Elon Musk, na terça-feira à noite ao receber um prémio na capital alemã. “Tenho uma informação …