Diabos da Tasmânia podem estar a evoluir para viver com o cancro que os mata

Dois diferentes tipos de cancro estavam a ameaçar a população de diabos da Tasmânia. Para sua possível salvação, a espécie pode estar a evoluir de forma a que consiga viver com a doença, que anteriormente os matava.

A população de diabos da Tasmânia tem sido afetada em grande escala, nos últimos 20 anos, por dois tipos de cancro: o Devil Facial Tumor Disease (DFTD) e o Devil Facial Tumor 2 (DFT2). A sustentabilidade da espécie que habita no sul da Tasmânia chegou mesmo a estar em questão.

No entanto, estes animais conhecidos pela sua brutalidade poderão estar agora a salvo. Graças a um processo de adaptação e seleção natural, tudo indica que os animais estão a mudar geneticamente ao ponto de conseguirem viver com a sua condição.

O estudo, publicado pela Sociedade Ecológica da América (ESA) e realizado por cientistas da Universidade da Tasmânia mostra que o sistema imunológico de alguns diabos mudou para combater o DFTD.

“No passado, estávamos a gerir a população de diabos da Tasmânia para evitar a extinção”, disse Rodrigo Hamede, professor na Universidade da Tasmânia. Para o estudo, Hamede e a sua equipa fizeram uma previsão do impacto a longo prazo do DFTD, recorrendo a dados epidemiológicos de dez anos, relativos a toda a ilha.

Os modelos permitiram calcular a probabilidade de três cenários possíveis que se podem verificar nos próximos 100 anos. No primeiro, o DFTD leva os demónios à extinção; no segundo, o DFTD desaparece e a espécie sobrevive; por fim, no terceiro, o DFTD e os diabos da Tasmânia evoluem ao ponto de poderem sobreviver com a doença.

Nos 122 cenários simulados por um modelo computacional, o mais provável de acontecer, segundo o IFL Science, é o desaparecimento do DFTD. Esse foi o cenário que se verificou em 57% dos casos. A extinção dos diabos da Tasmânia está prevista com uma probabilidade de 21% e a coexistência com a doença em 22%.

“Agora, estamos progressivamente a avançar para uma estratégia de gestão adaptativa, aprimorando as adaptações seletivas para a evolução da coexistência entre a espécie e o DFTD”, disse Rodrigo Hamede.

Os investigadores realçam o facto de em alguns casos, os diabos infetados viverem até aos dois anos com a doença, permitindo que eles se reproduzam mais duas vezes e transmitam os genes tolerantes à doença. Em 23 casos, os animais recuperaram completamente.

O que é impressionante é a velocidade a que a adaptação está a acontecer. Apenas 16 anos depois do primeiro relato de DFTD, os diabos da Tasmânia já estão a criar uma capacidade de tolerar e resistir à doença.

  ZAP //

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2 COMENTÁRIOS

  1. Os humanos que ponham aqui os olhos. Em vez de se entregarem a tratamentos medievais e catastróficos, deixem o cancro em paz, e deixem funcionar a sabedoria do corpo, que ele acaba por desaparecer.

  2. Antes havia muito mais seleção natural do que agora, pois a mortalidade infantil era elevadíssima. Quer voltar a esse tempo? Provavelmente muitos de nós já não estaríamos cá…

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