Desflorestação e plantações de óleo de palma podem originar próxima pandemia

Aulia Erlangga / Center for International Forestry Research

Um novo estudo oferece um novo olhar sobre a forma como se podem desencadear pandemias. A desflorestação é umas das causas que revelou estar associada a surtos de doenças altamente contagiosas.

A desflorestação, a produção de plantações de óleo de palma e a conversão em novas florestas são atividades que estão associadas a surtos de doenças, devido ao facto de facilitarem a passagem de mosquitos e outros animais vetores.

De acordo com o estudo publicado na Frontiers in Veterinary Science a 24 de março, a expansão das plantações de óleo de palma correspondeu, particularmente, a aumentos significativos nas infeções transmitidas por vetores.

Durante a pesquisa, os investigadores analisaram diferentes fontes de dados, incluindo informações sobre o desenvolvimento de plantações e aumentos e diminuições de áreas florestais, sendo que encontraram relatos de surtos de doenças em todo o mundo entre 1990 e 2016.

Posteriormente, na mesma pesquisa, foi criado um modelo para determinar se esses eventos tiveram alguma influência uns aos outros, refere o Eurekalert.

Verificou-se que tanto a desflorestação, como a prática de conversão de terras em florestas, se correlacionaram fortemente com surtos de doenças, reafirmando o que já havia sido revelado em pesquisas anteriores.

Segundo o estudo, epidemias como a malária e a ébola em países tropicais como o Brasil, Peru, Mianmar, Indonésia e Malásia têm fortes associações à desflorestação. Esta atividade e as doenças transmitidas por vetores, como a doença de Lyme e o tifo do matagal, estão correlacionadas em países como os EUA, China e Europa.

A equipa encontrou ainda um aumento significativo nos surtos de doenças em países com plantações de óleo de palma em expansão. Esta situação foi especialmente notável nas regiões da China e da Tailândia.

“Ainda não sabemos os mecanismos ecológicos que estão em causa, mas colocamos a hipótese de que as plantações desenvolvem mudanças no uso da terra que são caracterizadas pela perda de biodiversidade e esses habitats favorecem reservatórios de animais e vetores de doenças”, explicou Serge Morandin, autor do estudo.

Os cientistas frisam que as descobertas sugerem que a manutenção florestal cuidadosa é especialmente crucial para prevenir futuras epidemias.

“Esperamos que os resultados ajudem os responsáveis por formular políticas a reconhecer que as florestas contribuem para um planeta e pessoas saudáveis ​​e que os órgãos governamentais precisam de evitar a desflorestação e a conversão agrícola das pastagens”, sublinha Morandin.

Por outro lado, o especialista refere que é importante “incentivar a pesquisa sobre como as florestas saudáveis ​​regulam as doenças”.

Ana Isabel Moura, ZAP //

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