“Desespero e desesperança”. População de Gaza vive pobreza extrema e procura comida no lixo

A crise da pandemia já chegou a Gaza. De acordo com o diretor da ONU para refugiados palestinos (UNRWA), a população local procura comida no lixo, enquanto os palestinos lutam contra níveis de pobreza extremos e a organização que os pode apoiar está no meio de uma grave crise financeira.

No Líbano, Síria, Jordânia, Gaza e em outros países, os refugiados palestinos estão a passar por níveis de pobreza extremos que se agravaram depois da eclosão da pandemia do novo coronavírus. Segundo Philippe Lazzarini, assiste-se a momentos de “desespero e desesperança”.

O diretor da UNRWA explica que “em Gaza, as pessoas estão a remexer lixo numa tentativa de encontrar comida”, depois de analisar os relatórios elaborados pela organização. Lazzarini refere que são muitas as famílias que todos os dias lutam “para ter uma ou duas refeições por dia”.

Philippe Lazzarini foi nomeado diretor da UNRWA em abril, e neste momento está a liderar a instituição num momento de grande crise financeira interna.

Depois do colapso no relacionamento com o seu maior doador de fundos – os EUA – a organização tem passado grandes dificuldades, o que faz com que seja menos rápida e eficaz na prestação de apoios aos palestinos. A ameaça do coronavírus veio agravar a situação.

São muitos os campos de refugiados em todo o Oriente Médio que precisam cada vez mais de ajuda, e a UNRWA já tem atualmente em mãos cerca de 5,6 milhões de palestinos que estão a viver em condições de pobreza. Ao mesmo tempo, Israel prepara-se para anunciar anexação de parte da Cisjordânia, o que já começa a dar sinais de “sufoco” ao trabalho da UNRWA na região.

Um outro acontecimento que deixou a instituição desamparada foi o facto de o ex-líder ter renunciado ao cargo no ano passado, após uma investigação que envolvia acusações de nepotismo dentro da organização. O suíço Lazzarini foi uma “lufada de ar fresco” trazido para estabilizar um navio há muito balançando, diz o The Guardian.

Com um défice orçamentário anual de mais de 110 milhões de euros, a organização está receosa com o futuro. Lazzarini considera “preocupante” que o apoio a escolas e a serviços de saúde por parte da UNRWA esteja a diminuir, mas neste momento é difícil recorrer todas as frentes.

A crise financeira na instituição explodiu em 2018 quando Donald Trump cortou cerca de 250 milhões de euros em doações anuais – o que aconteceu meses depois de dizer que os EUA não recebiam  “nenhuma apreciação ou respeito” por parte dos palestinos pela ajuda que o país lhes dava.

De acordo com o diretor da instituição, o corte americano levou a uma onda de “solidariedade excecional em torno da UNRWA”. Este movimento fez com que 2018 fosse um bom ano para os cofres da organização. Contudo, depois do antecessor de Lazzarini, Pierre Krähenbühl, renunciar após uma investigação oficial ter encontrado “problemas de gestão”, a situação voltou a agravar-se.

No entanto, e numa altura em que o escândalo do antigo diretor já estava esquecido, a UNRWA está novamente com problemas financeiros, mas desta vez por causa da pandemia originada pelo novo coronavírus.

“Há mais pressão sobre a organização para entregar mais, mas, ao mesmo tempo, a situação económica dos nossos doadores também é mais complicada porque todos foram afetados pela covid-19″, assume Lazzarini que espera ter meios para conseguir continuar a ajudar os palestinos.

ZAP //

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