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Desconfinar creches e 1.º ciclo em março é possível, mas com “botão de pânico”

O epidemiologista Manuel Carmo Gomes considera que é possível a partir de meados deste mês abrir creches e primeiro ciclo. Contudo, tem de se estar “sempre pronto para parar”.

O plano de descofinamento será anunciado pelo Governo esta quinta-feira. Na reunião do Infarmed desta segunda-feira, uma especialista defendeu que a reabertura deveria começar pelas creches e pelo pré-escolar. No entanto, os diretores das escolas públicas argumentam que os alunos mais impactados pelo ensino à distância são os do 1.º e 2.º anos, pelo que o desconfinamento escolar deveria iniciar-se por eles.

Ouvida no Infarmed, Raquel Duarte, da Administração Regional de Saúde do Norte e do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, defende que o plano de desconfinamento comece pelas creches.

O presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE), Manuel Pereira, reconhece que o confinamento “está a ter impacto em todas as crianças” e que, por isso, seria importante “que regressassem o quanto antes às escolas”. Todavia, entende que “a prioridade deve ser dada ao 1.º ciclo”.

“Começa a ser urgente”, defende também Filinto Lima, da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (Andaep), citado pelo jornal Público.

Por sua vez, o Ministério da Educação não avança qualquer pormenor sobre o regresso ao ensino presencial. A derradeira decisão será do Governo, na quinta-feira, após o Conselho de Ministros.

Filinto Lima explica que a principal dúvida é se a retoma do ensino presencial se inicia já na próxima segunda-feira, 15 de março, ou apenas depois da Páscoa, a 5 de abril. As escolas “estão em condições de abrir, assim que o Governo disser que o devemos fazer”, assegura.

O epidemiologista Manuel Carmo Gomes considera que é possível a partir de meados deste mês abrir creches e primeiro ciclo do ensino básico. No entanto, o especialista alerta que os seus efeitos na subida de casos e nos internamentos “têm de ser muito bem avaliados”.

“Não é prometer um calendário e cumprir aconteça o que acontecer. É abrir e ver o que se decide em função do que se medir ao fim de 15 dias”, salienta.

“O Rt já está subir, e há um atraso de sete dias na medição do Rt, e o impacto da variante do Reino Unido – que representa cerca de 65% dos novos casos em Portugal – pode fazer o Rt subir mais depressa do que estamos habituados”, acrescenta o epidemiologista. “Temos de começar por algum lado, mas sempre pronto para parar“.

  Daniel Costa, ZAP //

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