Deputados alemães ameaçados de morte por reconhecerem genocídio arménio

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Recep Erdogan, Presidente da Turquia

Recep Erdogan, Presidente da Turquia

O Parlamento alemão votou esta quinta-feira uma resolução de reconhecimento do genocídio dos arménios, que a Turquia nega categoricamente. No entanto, nos últimos dias, milhares de e-mails chegam às mãos dos deputados, com protestos e mesmo ameaças.

O projeto de lei, objecto de acordo entre democratas-cristãos, social-democratas e verdes, foi aprovado quase com unanimidade, mas poderá levar a fricções diplomáticas com a Turquia. O texto aplica por várias vezes a expressão “genocídio” ao extermínio de cerca de 1,5 milhões de arménios em 1915 e 1916.

A RTP cita que milhares de e-mails de protesto têm sido enviados aos deputados por cerca de cinco centenas de associações turcas sediadas na Alemanha.

Der Spiegel cita uma mensagem de apelo ao protesto onde se considera a resolução como um “veneno para a coexistência pacífica entre alemães e turcos neste país, mas também na Turquia”. “Mais de 90% do povo turco rejeita acertadamente a acusação de genocídio e considera-a uma calúnia”, lê-se no texto.

A mensagem está assinada por grupos ligados a partidos como os Democratas Euro-Turcos (UETD, uma cisão do partido governamental AKP); a União Islamo-Turca para a Religião (Ditib); o partido de oposição CHP; e o partido de extrema-direita Lobos Cinzentos.

Em especial os deputados de origem turca no Bundestag têm sido tratados por e-mail, twitter ou facebook, com expressões como “traidor”, “porco arménio”, filho da p…”, “terrorista arménio” ou “nazi”, denunciou o líder parlamentar dos Verdes, Cem Özdemir, à cadeia de televisão ARD.

Algumas dessas mensagens, enviadas a políticos e jornalistas, vão mais longe: “Tu tens de ser eliminado”.

“O teu fim vai ser como o de Hrant Dink”, lê-se em outra mensagem, referindo-se ao jornalista turco de origem arménia assassinado em Istambul, em 2007, por um jovem de extrema-direita.

Votação sobre genocídio é “teste de amizade entre Ancara e Berlim”

A votação no parlamento alemão sobre a resolução de reconhecimento do genocídio dos arménios, que a Turquia nega categoricamente, vai ser “um verdadeiro teste à amizade” entre Ancara e Berlim, declarou hoje o primeiro-ministro turco.

“Este texto não significa nada para nós (…) e vai ser um verdadeiro teste à amizade” entre os dois países, indicou Binali Yildirim, num discurso proferido em Ancara, algumas horas antes da votação em Berlim.

“Alguns países, que consideramos amigos, quando atravessam momentos difíceis internamente, tentam desviar a atenção e este texto é um exemplo disso”, considerou Yildirim, durante uma reunião do Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP, islamita-conservador), no poder.

Sem qualquer ameaça de represálias políticas ou económicas contra Berlim, o chefe do governo turco lembrou que “3,5 milhões de turcos vivem na Alemanha e contribuem ativamente para a economia” do país.

“Os nossos amigos alemães não tem o direito de dececionar esta comunidade”, advertiu.

O presidente turco, Recep Erdogan, não publicou nenhuma declaração formal, mas fez um telefonema à chanceler alemã a protestar contra a resolução para reconhecer o genocídio do povo arménio pelo Império Otomano.

O projeto de resolução alemão foi apresentado pelos grupos parlamentares da maioria – os conservadores da CDU/CSU e o SPD – e pelos Verdes (oposição).

No passado, perante a adoção deste tipo de textos por países europeus, a Turquia chamou temporariamente os embaixadores em funções nas diferentes capitais. Em outubro de 2015, 29 países em todo o mundo, incluindo a França, Itália e Rússia, tinham reconhecido oficialmente o genocídio arménio

Para a Arménia, 1,5 milhões de arménios foram massacrados sistemática e premeditamente pelas forças do Império Otomano, durante a Primeira Guerra Mundial.

A Turquia afirma que as mortes ocorreram num cenário de uma guerra civil, agravada por um período de fome, no qual morreram entre 300 e 500 mil arménios e um número idêntico de turcos.

ZAP

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1 COMENTÁRIO

  1. Os alemães (e outros cobardes europeus) que continuem a dar palha aos turcos (principalmente a este regime ditatorial turco) e depois queixem-se!…

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