Dar à luz era mais fácil há 2 milhões de anos

Como humanos modernos, desenvolvemos a habilidade de caminhar em duas pernas e temos cérebros grandes. Estas características ajudam-nos a chegar à prateleira de cima e a resolver quebra-cabeças – mas vêm com um preço.

As nossas ancas estreitas e cabeças largas fazem com que dar à luz um bebé seja mais demorado e extremamente doloroso, o que, geralmente, requer assistência médica.

Investigadores liderados pela Universidade de Boston recentemente analisaram como poderia ter sido o nascimento do Australopithacus sediba, um hominídeo antigo pertencente ao mesmo género da famosa Lucy. Com base em evidências fósseis dessa espécie, sabemos que viveu há cerca de dois milhões de anos, na mesma época de dois humanos antigos, Homo rudolfensis e Homo habilis.

Usando ossos fósseis, os investigadores reconstruiram digitalmente como seria a pélvis de uma fêmea A. sediba, permitindo-lhes descobrir como teria dado à luz. Os cientistas descobriram que o processo teria sido um pouco mais fácil para as espécies antigas do que para as mulheres da atualidade.

Quando bebes humanos nascem, precisam girar várias vezes para se encaixar no canal de nascimento, mas para A. sediba, esse não terá sido o caso, embora as espécies partilhem algumas características pélvicas, como a forma do canal de nascimento.

Os investigadores estimam que, para que a rotação seja necessária, a cabeça de um bebé de A. sediba teria que aumentar de 28 a 42%. No entanto, os cientistas observam que ainda pode ter ocorrido algum nível de rotação nas espécies.

“A largura fetal da cabeça e dos ombros tem amplo espaço para atravessar até as dimensões mais estreitas do canal de parto materno”, disse à BBC a investigadora principal Natalie Laudicina, da Universidade de Boston. Ainda não é claro exatamente quando é que a necessidade de girar para sair do canal de nascimento evoluiu pela primeira vez em humanos.

A conclusão óbvia pode ser que, à medida que os hominídeos antigos se adaptavam à caminhada em duas pernas e a cérebros maiores, o parto tornava-se cada vez mais difícil. No entanto, a nova investigação complica à história. Por exemplo, Lucy, que pertencia à espécie Australopithecus afarensis, teria tido um processo de parto mais difícil do que A. sediba, pois teria sido mais apertado para a criança a mover-se através do canal de parto.

Apesar desse grande desafio ao dar à luz, Lucy e os seus parentes viveram cerca de um milhão de anos antes de A. sediba, sugerindo que a evolução do parto é complicada e complexa.

“As diferenças interespecíficas na morfologia pélvica da hominídea fóssil e nas dimensões fetais mostram que não há uma mudança linear e gradual de um nascimento fácil para um nascimento difícil”, escreveram os cientistas este mês na revista especializada PLOS ONE. “Em vez disso, a morfologia de cada espécime exibe o seu próprio conjunto de desafios obstétricos.”

Os cientistas observam que o formato da pélvis de A. sediba terá sido, provavelmente parcialmente, o resultado da forma como o hominídeo se movia, em vez de se adaptar apenas ao parto.

ZAP //

 

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  1. Australopithecus sediba ancestral do gênero homo tinha um canal de parto para dar a luz fora os erros de gramática ótima matéria

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