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Cubanos recorrem a ervas medicinais e tratamentos veterinários para colmatar falta de medicamentos

Numa altura em que Cuba lidera a corrida para se tornar o primeiro país da América Latina a desenvolver a sua própria vacina contra a covid-19, está também a sofrer com uma grave crise de escassez de medicamentos básicos.

À Reuters, Dayana Rodriguez conta que o seu filho está com sarna, mas mesmo depois de ter medicamentos prescritos pelo seu médico, não os conseguiu encontrar nas farmácias de Havana.

Assim, a cubana começou a recorrer a remédios à base de ervas que tem vindo a comprar numa loja de Havana.

Em declarações anónimas, três médicos admitiram ter aconselhado os seus pacientes a recorrer a outros tratamentos, sendo que um dos mais recomendados passa por ferver uma mistura de ervas para aplicar na pele e assim fornecer alívio temporário para a sarna.

Os especialistas consideram que é inútil continuar a prescrever medicamentos que não estão disponíveis nas farmácias, sendo que um deles acabou mesmo por recomendar tratamento veterinários.

O sistema de saúde de Cuba, construído pelo falecido líder Fidel Castro, é uma das conquistas mais preciosas da revolução, tendo produzido resultados as mesmo nível que as nações mais ricas, recorda a NBC News.

No entanto, os problemas financeiros que a economia atravessa desde a queda dos apoios da União Soviética, afetaram tanto as instalações de saúde como a disponibilidade de medicamentos básicos.

Nos últimos anos, também o declínio da ajuda da Venezuela, as novas sanções dos EUA e a pandemia mergulharam o país na sua pior crise económica desde os anos 1990.

Com a situação a piorar, as autoridades cubanas começaram a falar em escassez crónica de medicamentos, incluindo os básicos, como os que tratam da hipertensão e dos anticoncecionais.

O ministro da Saúde, José Portal, informou que, em junho, cerca de 116 medicamentos básicos eram escassos, sendo que destes, 87 foram produzidos localmente e 29 importados.

Para tentar dar resposta às necessidades, os cubanos criaram grupos nas redes sociais para trocar medicamentos ou outros produtos que precisam, enquanto, paralelamente, o mercado negro prospera nas ruas e online.

As autoridades da província de Holguin, no leste do país, alertaram em janeiro os cubanos para não recorrerem a este tipo de mercado, uma vez que alguns dos medicamentos vendidos não são o que anunciam e podem até ser prejudiciais à saúde.

Contudo, “as pessoas estão desesperadas com a falta de remédios”, escreveu um leitor identificado como Arcela, num artigo sobre o assunto, no jornal estadual Juventud Rebelde.

  Ana Isabel Moura, ZAP //

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