Crianças imunes à malária ajudam na busca de uma vacina

terbeck / Flickr

6% das crianças na Tanzânia apresentou uma imunidade natural à malária.

6% das crianças na Tanzânia apresentou uma imunidade natural à malária.

Um grupo de crianças da Tanzânia que são naturalmente imunes à malária está a ajudar cientistas a desenvolver uma nova vacina.

Investigadores americanos descobriram que estas crianças produzem um anticorpo que ataca o parasita causador da malária.

Os cientistas injectaram o anticorpo em ratos e ele protegeu os roedores contra a doença.

A equipa de especialistas publicou os resultados na revista científica Science, mas afirmam que ainda é preciso testar o processo em primatas e humanos antes de ter certeza do potencial da vacina.

O investigador Jake Kurtis, director do Centro para Pesquisa Internacional de Saúde do hospital de Rhode Island (EUA), diz que há indícios promissores dos efeitos da vacina.

“Mas este é um parasita incrivelmente difícil de se atacar. Teve milhares de anos de evolução para se adaptar às nossas respostas imunológicas – é realmente um inimigo formidável.”

O estudo começou com um grupo de mil crianças na Tanzânia, cujas amostras de sangue foram analisadas durante os seus primeiros anos de vida.

Um pequeno número dessas crianças, 6%, apresentou uma imunidade natural à malária, vivendo numa área onde a doença é frequente.

“Alguns indivíduos tornaram-se resistentes e outros não”, disse Kurtis.

Os cientistas investigaram então que anticorpos estas crianças imunes à malária possuíam e que não estavam presentes nos organismos das outros.

O anticorpo descoberto foi analisado e os especialistas constataram que ele ataca o parasita num estágio crucial do seu ciclo de vida: Ele prende o organismo e impede que este se espalhe pelo corpo da pessoa.

“A taxa de sobrevivência foi duas vezes maior nos ratos vacinados em comparação com os não vacinados – e o número de parasitas no corpo foi até quatro vezes menor nos ratos vacinados”, conta Kurtis.

Cautela

O grupo de especialistas mostrou-se animado com os resultados, mas afirmou que ainda é preciso fazer mais pesquisas.

“Estou cauteloso. Mas não vi nada até agora nos nossos dados que nos fizesse perder o entusiasmo. Mas ainda precisamos de estudos em macacos e testes em humanos numa próxima fase.”

Este estudo é um dos muitos passos no longo caminho da procura de uma vacina para a malária.

O mais avançado é a vacina RTSS, desenvolvida pela GlaxoSmithKline, que aguarda aprovação das agências regulatórias depois de na terceira fase de testes clínicos ter reduzido a metade o número de casos de malária em crianças pequenas.

“A identificação de novos alvos em parasitas da malária para apoiar o desenvolvimento da vacina é um esforço importante”, afirmou Ashley Birkett, director da organização PATH Iniciativa da Vacina da Malária.

“Os resultados iniciais desta investigação americana são promissores em relação à prevenção da malária mais severa, mas mais dados são necessários antes de considerarmos essa a principal aposta de vacina – seja ela empregada separadamente ou combinada com outros antigénios”.

Os dados mais recentes da Organização Mundial da Saúde sugerem que a doença matou mais de 600 mil pessoas em 2012, sendo que 90% dessas mortes ocorreram na África Subsaariana.

ZAP / BBC

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