“Nazizinho”? Costa demarca-se, mas diz que Rio foge “como o diabo da cruz” de dizer o seu programa

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Miguel A. Lopes / Lusa

O secretário-geral do Partido Socialista (PS), António Costa, em Castelo Branco.

O secretário-geral do Partido Socialista (PS), António Costa, em Castelo Branco.

António Costa demarcou-se da acusação de Rosa Mota, que chamou “nazizinho” a Rui Rio, mas disse que o líder do PSD foge “como o diabo da cruz” de dizer qual é o programa do partido.

Num encontro em Monsanto, esta sexta-feira, António Costa discutiu com 15 personalidades independentes temas como a cultura, o desporto, a investigação ou o ensino superior.

A ex-atleta olímpica Rosa Mota esteve presente e protagonizou uma das maiores polémicas do dia. Antes de falar, a portuense avisou que ia usar uma palavra “feia”.

“Aquela parte, ele é que manda, que é o ‘nazizinho’, e o resto põe de lado. Todas as pessoas que fossem figuras públicas da cidade – somos pessoas queridas, modéstia à parte – para ele, era um terror”, disse Rosa Mota.

Rio não tardou em reagir, dizendo que o PS procura elevar o tom e deturpar mais as propostas do PSD.

“Chegou ao máximo: chegou a uma sala, meteu lá uns, penso eu, uns intelectuais, e dali saiu logo uma mensagem é que eu sou um pequeno nazi. Pronto, é assim que provavelmente querem ganhar as eleições, é colocar essa pseudo intelectualidade a dizer que o adversário é um pequeno nazi, um nazizito, ou assim uma coisa”, disse o social-democrata.

Por sua vez, António Costa demarcou-se da expressão e disse que cada um fala por si.

“Eu estou muito grato pelo apoio que ela me deu, estou muito grato pelos apoios de todos os cidadãos e cidadãs independentes, que quiseram expressar o seu apoio. Naturalmente cada um fala por si, eu falo por mim e nunca utilizei essa expressão”, afirmou António Costa.

Rio foge “como o diabo da cruz”

Ainda assim, o secretário-geral do PS acusou Rio de “fugir como o diabo da cruz” de revelar o seu programa, considerando que, em campanha eleitoral, os responsáveis políticos devem dizer “o que é que se propõem” a fazer.

“O nosso adversário foge como o diabo da cruz de dizer verdadeiramente qual é o seu programa e o que é que efetivamente se propõe fazer, e acha que a campanha eleitoral é simplesmente um conjunto de arruadas, onde num sítio se toca bombo, noutro dia se joga à raspadinha e, pelo caminho, se dá duas graçolas”, afirmou António Costa.

O líder socialista falava num comício em Castelo Branco, após a intervenção da cabeça de lista do PS por este círculo local e ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, que lhe entregou um manifesto intitulado “A força do interior”, resultante de uma cimeira que juntou os cabeças de lista socialistas pelos círculos da Guarda, Viseu, Castelo Branco e Portalegre.

Sem nunca o nomear diretamente, o secretário-geral continuou com as críticas a Rui Rio, sublinhando que, apesar de a campanha eleitoral ser “obviamente um momento de grande mobilização, de grande alegria”, é, “acima de tudo, um momento em que os responsáveis políticos têm o dever de falar cara a cara, olhos nos olhos, com cada uma e com cada um dos cidadãos, e dizer-lhes o que é que se propõem efetivamente a fazer”.

“[É o momento] de assumirem os compromissos concretos que têm a assumir, porque é a única forma de depois os cidadãos os poderem julgar e dizerem se cumpriram ou não cumpriram aquilo que prometeram”, frisou.

Nesse sentido, o também primeiro-ministro referiu que o PS “se apresenta a estas eleições com um programa eleitoral que todos conhecem, que assume em cada região um compromisso concreto, escrito”.

Além disso, Costa referiu também que, além do programa eleitoral, o PS tem também um “Orçamento do Estado pronto para ser aprovado e que só não está em vigor porque todos os outros partidos se conseguiram unir, não para fazer um orçamento melhor, mas para impedir o PS de pôr em vigor um bom Orçamento do Estado”.

O líder do PS afirmou assim que, caso a proposta orçamental tivesse sido aprovada na Assembleia da República, já estariam em vigor medidas como o aumento extraordinário das pensões, o desdobramento dos escalões do IRS, o aumento em 200 euros do mínimo de existência ou o fim do pagamento especial por conta para as micro, pequenas e médias empresas.

Em contraponto, António Costa retomou as críticas à direita projetando o que disse que aconteceria “se o próximo Governo não fosse do PS e fosse do PSD”, salientando que, apesar de os sociais-democratas procurarem “não dizer ao que vêm”, vão-se “descaindo” e “mostrando ao que vêm”.

O secretário-geral socialista acusou assim o PSD de ser “contra a subida do salário mínimo nacional”, tirando como ilação que, “quem é contra o aumento do salário mínimo nacional, não é seguramente quem vai aumentar o salário médio e fazer um aumento geral de salários para todos os trabalhadores”.

Além disso, Costa alegou também que o IRS “não é a prioridade deles”, acusando o PSD de só equacionar a redução do imposto a partir de 2025.

“A diferença entre o PS e o PSD é mesmo esta: é que, connosco, o IRS começa a baixar já em 2022. Connosco, o salário mínimo sobe já em 2022 e vai continuar a subir. Connosco, o salário médio vai começar a subir já e continuará a subir. Connosco, os aumentos extraordinários começam já e vão continuar. E connosco todas as pensões, vão continuar a subir daqui e para o futuro. É esta a diferença entre votar no PS e votar no PSD”, vincou.

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Ninguém se deixe iludir por sondagens

Costa pediu aos eleitores da área socialista para que não se deixem iludir pelas sondagens referentes às legislativas e invocou a “experiência dolorosa” do seu partido nas anteriores eleições autárquicas.

“Já tivemos uma experiência muito dolorosa ainda há pouco tempo nas eleições autárquicas, quando muita gente, fiando-se nas sondagens, teve medo ou achou que não era necessário votar no PS”, declarou António Costa na parte final do longo discurso que proferiu no comício da Guarda.

O líder socialista apontou depois que, em consequência desse excesso de confiança, no dia seguinte as eleições autárquicas, muitos eleitores socialistas “acordaram surpreendidos porque, afinal, o PS tinha perdido aquela câmara, ou não tinha ganho aquela outra câmara”.

“Por isso, que ninguém se deixe iludir por sondagens, porque não se ganham as eleições nas sondagens. As eleições ganham-se nas urnas, ganham-se com votos, com o voto de cada. É assim que vamos ganhar no próximo dia 30”, reforçou.

Neste contexto, o secretário-geral do PS fez novo apelo à mobilização dos socialistas.

“Muitos seguramente irão votar já no próximo dia 23, outros irão votar no próximo dia 30, mas o que é fundamental, o que é indispensável é que todos nos mobilizemos para votar”, frisou.

Antes, Ana Mendes Godinho, cabeça de lista socialista pela Guarda, fez um discurso com várias críticas ao PSD, dizendo que o PS provou que “receitas diferentes da austeridade funcionam”. “Afinal, não é preciso convidar os outros a emigrar”, completou.

Numa alusão aos quase dois anos de combate à pandemia da covid-19, Ana Mendes Godinho considerou que “têm sido tempos muito exigentes, mesmo tempos de guerra”.

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“Tempos que mostram que o tempo corre contra nós e, por isso, temos de dar saltos muito grandes para não perder o futuro”, assinalou, numa mensagem destinada a defender a estabilidade política em Portugal.

Depois, procurou colocar em contraponto o programa do PS para as regiões do interior e a ação de governos do PSD para estas regiões do país.

“A centralidade ibérica é aqui na Guarda. Nós, do, PS, não somos passivos, somos atores, estamos para agir e lutar. O PSD suspendeu, congelou, encerrou, desistiu do interior e desistiu do interior. Este é o tempo de desconstruir fatalidades”, declarou.

Na parte final do seu discurso, Ana Mendes Godinho acusou os sociais-democratas de terem uma atuação política dúplice.

“O PSD, na oposição, tudo quer, mas quando está no Governo em tudo desiste”, disse.

  ZAP // Lusa

2 Comments

  1. Só gostava de perceber o que andam há tantos anos no poder a fazer? No meu caso, tipica classe média não vejo um aumento de ordenado há dois anos – e foi de 0,7 durante dois anos no total de 1,4%, após ter esperado 12 anos pelo dito -, aumentos, vejo todos os dias, no custo de vida e na divida pública – e sei, já se reza peka “bazuca” europeia -, enquanto que, o país, o verdadeiro país no seu todo fora as grandes cidades, vai envelhecendo e empobrecendo. A propósito de Rui Rio, só sei que visito algumas vezes o Porto, minha terra natal e onde moram muitos familiares, e, quando o visitava quando Rui Rio era o Presidente da Câmara, a cidade estava muito mais limpa e a ficar bastante mais organizada, muito agradável de se visitar. Estive lá há uns meses e quase que não acreditava na transformação, a cidade estava suja, com muito vandalismo e desorganizada. Ainda a Rosa Mota, que muito respeito pelo que fez no dedporto nacional, se atreveu a dizer um disparate destes. Queria o quê? Que andassem com ela e outros “notáveis” num andor? Parece-me que sim.

  2. Já agora, o Costa, nunca é responsável nem interfere com nada, coida que “dura” desde o tempo em que era número dois do Sócrates, o tal que nos ofereceu uma quase bancarrota e a humilhação internacional.

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