Corais nos recifes profundos da Grande Barreira também estão a morrer

Keith Ellenbogen

Um estudo recente mostra que 40% dos corais de recifes a 40 metros de profundidade da Grande Barreira de Coral branquearam em 2016.

Na costa Leste da Austrália, há um ecossistema com cerca de 3000 recifes e 900 ilhas, que se estende por mais de dois mil quilómetros: a Grande Barreira de Coral. Esta é a casa de corais, animais coloniais que surgiram há cerca de 400 milhões de anos e que são formados por pólipos, unidades que segregam o esqueleto de carbonato de cálcio e, ao longo de milhares de anos, formam um recife.

Já se sabia que um terço dos corais rasos da Grande Barreira morreu em 2016. Agora, um estudo recente, liderado pelo português Pedro Frade, do Centro de Ciências do Mar da Universidade do Algarve, revela que 40% dos corais a 40 metros de profundidade (nos locais visitados pela equipa) branquearam.



Aliás, o estudo refere ainda que 6% deles morreram devido ao branqueamento de 2016. O artigo científico foi publicado na última edição da Nature Communications.

O branqueamento acontece quando a água aquece mais do que o suposto, explica o jornal Público. Esse aquecimento faz com que as algas, que vivem em simbiose com os corais, comecem a produzir substâncias tóxicas e deixem de fazer fotossíntese. Os corais acabam por expulsar as algas e a cor esbranquiçada do seu esqueleto fica visível.

Mas a ausência de cor não é o mais preocupante: isso deixa-os desnutridos e pode mesmo levá-los à morte, porque ficam sem acesso aos nutrientes fornecidos pelas algas através da fotossíntese. Este fenómeno foi observado pela primeira vez nos anos 80 e ocorreu em massa a nível global em 1998, em 2010, em 2016 e 2017.

Pedro Frade estava na Austrália quando aconteceu um dos branqueamentos mais devastadores, que vitimou cerca de 30% dos corais rasos, mas queria também perceber o que acontecia aos recifes mesofóticos (ou profundos) que se situam entre os 30 e os 100 metros.

“A diferença mais óbvia entre os recifes rasos e profundos é a quantidade de luz que penetra até aos profundos”, explica. Regra geral, os recifes mesofóticos crescem mais lentamente, acumulam menos energia e são mais escuros.

Estas características fizeram os cientistas questionar se o branqueamento dos corais afetava estes recifes profundos. Para responder a esta pergunta, a equipa estudou vários locais da parte Norte da Grande Barreira, monitorizando a temperatura e fazendo o levantamento da saúde das comunidades de corais entre os cinco e os 40 metros de profundidade, em maio de 2016.

Apesar de haver algum alívio de temperaturas elevadas, os corais nos recifes profundos são também afetados pelo branqueamento: nos recifes mesofóticos, contabilizou-se que 40% dos corais branquearam e 6% morreram.

“Podemos descartar a hipótese de que poderemos dormir descansados porque o recife profundo vai salvar o recife raso”, comenta o cientista. “O branqueamento de 2016 deixou uma cicatriz que não irá desaparecer tão rapidamente e vão ser precisos muitos anos até os recifes voltem a ter a aparência e funcionalidade que tinham.”

ZAP //

PARTILHAR

RESPONDER

"Estamos muito longe dos números" do tempo do estado de emergência

Marcelo Rebelo de Sousa disse, esta segunda-feira, que a sua posição, contrária a um regresso ao estado de emergência, “não se altera”. O Presidente da República considerou, esta segunda-feira, que a situação da covid-19 em Portugal …

Há duas estirpes de gripe desaparecidas. Foram vítimas da pandemia

Os virologistas acreditam que a crise pandémica causada pela covid-19 ajudou a erradicar duas estirpes de gripe. As medidas de segurança adotadas, como usar  máscara e manter distância social, foram as principais culpadas. De acordo com …

Cristiano Ronaldo no... Barcelona?

Será uma "utopia" do presidente do Barcelona colocar o português na equipa de Lionel Messi. Mas Laporta já começou a agir. Ainda não se sabe se Lionel Messi vai continuar no Barcelona. A renovação parece estar …

Afinal, a atividade geológica não é aleatória. É impulsionada por ciclos

Ao longos dos tempos, os especialistas têm proposto a existência de ciclos de grandes acontecimentos, tendo em conta a atividade vulcânica e extinções em massa na terra e no mar. Agora, uma análise de grandes …

Confronto de Titãs. Hubble identifica colisão cósmica cataclísmica

Com a ajuda do Telescópio Espacial Hubble, uma equipa de astrónomos capturou uma nova fotografia do sistema de galáxias em interação IC 1623. Também conhecido como Arp 236, ESO 541-23 e IRAS 01053-1746, o par de …

"Dois ingleses de fora? Então a seleção escocesa não vai ter jogadores"

O escocês Billy Gilmour testou positivo à COVID-19 e, por precaução, dois jogadores da seleção inglesa não vão defrontar a República Checa. Lineker não entende esta decisão. Billy Gilmour vai falhar o último jogo da Escócia …

Tribunais franceses "contratam" cães para ajudar a aliviar stress das vítimas

Há dois anos, Lol tornou-se no primeiro cão da Europa a dar apoio a vítimas de crimes quando estas são sujeitas à pressão dos tribunais, e muitas das vezes, têm de enfrentar os seus agressores. …

Finlândia 0-2 Bélgica | Diabos vermelhos picam o ponto

A Bélgica, que já estava apurada, completou o pleno de triunfos no seu grupo, com uma vitória por 2-0 frente à Finlândia, relegando os nórdicos para o terceiro lugar A Bélgica venceu hoje a Finlândia, por …

Rússia 1-4 Dinamarca | Muito coração, por Eriksen

A Dinamarca conquistou hoje um lugar nos oitavos de final do Euro2020 de futebol, ao bater por 4-1 a Rússia, que eliminou, numa terceira jornada do Grupo B que originou a qualificação de mais cinco …

Netflix consegue acordo importante com produtora de filmes de Steven Spielberg

A Netflix anunciou, esta segunda-feira, que assinou um acordo para a realização de vários filmes com a produtora Amblin Partners, de Steven Spielberg. A plataforma streaming de filmes e séries Netflix conseguiu um acordo com a …