Consumo diário de cafeína pode alterar a estrutura do cérebro

Um estudo sugere que o consumo diário de cafeína pode reduzir o volume de massa cinzenta no cérebro humano. Os cientistas sublinham que as descobertas não significam que a cafeína tenha um impacto negativo sobre o cérebro, mas alertam que pode induzir um tipo de plasticidade neural temporária.

De acordo com o New Atlas, o foco do novo estudo foi descobrir os efeitos da cafeína no volume de massa cinzenta em indivíduos jovens e saudáveis.

Uma pergunta em particular que os investigadores queriam responder era se a influência da cafeína na massa cinzenta era resultado do efeito desta no sono, já que foi demonstrado que a privação ou interrupção deste pode levar a reduções agudas no cérebro.

Durante a pesquisa, e numa primeira fase, 20 indivíduos tomaram três comprimidos de cafeína por dia, sendo que durante o segundo período tomaram comprimidos de placebo. No final de cada etapa o volume de substância cinzenta dos participantes foi medido através do fMRI, e a atividade de ondas lentas do sono foi medida por EEG.

Os resultados revelaram reduções significativas na massa cinzenta após 10 dias a consumir cafeína, o que não aconteceu após 10 dias a tomar o placebo.

Por outro lado, o estudo não encontrou nenhuma diferença na atividade do sono de ondas lentas entre os períodos de toma de cafeína ou de placebo. Isso sugere que as reduções de massa cinzenta detetadas não estão relacionadas com interrupções do sono, mas talvez com uma característica única da cafeína.

O efeito da cafeína no cérebro foi considerado particularmente relevante no lobo temporal medial direito, onde se situa o hipocampo, que é responsável por processos como a formação da memória e a cognição espacial.

Carolin Reichert, autora do estudo, realça que as mudanças na massa cinzenta induzidas pela cafeína acabam por se recuperar muito rapidamente depois do consumo de cafeína ser interrompido.

“As mudanças na morfologia do cérebro parecem ser temporárias, mas ainda faltam comparações sistemáticas entre os consumidores de café e aqueles que geralmente consomem pouca ou nenhuma cafeína”, explica Reichert.

A especialista refere ainda que o estudo não indica que o consumo de cafeína prejudique o funcionamento cognitivo, uma vez que existem evidências que apontam o contrário e mostram que a cafeína é neuro-protetora, retardando o declínio cognitivo em indivíduos mais velhos com alto risco de doenças como Alzheimer e Parkinson.

“Os nossos resultados não significam necessariamente que o consumo de cafeína tenha um impacto negativo no cérebro”, enfatiza Reichert, acrescentando que, apesar disso, “o consumo diário de cafeína afeta o nosso hardware cognitivo, o que por si só deverá dar origem a mais estudos”.

O estudo foi publicado no jornal Cerebral Cortex a 15 de fevereiro.

Ana Isabel Moura, ZAP //

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