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Um em cada 10 condutores está arrependido de ter comprado um elétrico. 3 marcas destacam-se

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BMW

Cerca de 10% dos proprietários de veículos elétricos arrependem-se das suas compras, mas estes números variam significativamente consoante o fabricante. A BMW lidera a lista das marcas de elétricos que os proprietários mais se arrependem de ter comprado.

De acordo com um inquérito recentemente conduzido pela American Trucks, cerca de 10% dos proprietários de veículos elétricos lamentam a sua opção, mas esse número varia significativamente em função do fabricante.

A pesquisa, que inquiriu 501 proprietários norte-americanos de veículos elétricos a quem foi perguntado como se sentiam após a sua compra, permitiu também concluir que cerca de  8% dos proprietários gostariam de voltar a ter um veículo a combustão.

As principais razões apontadas pelos inquiridos para se arrependerem da compra de um veículo elétrico foram a falta de infraestruturas de carregamento (56%), a degradação da bateria (50%), os longos períodos de carregamento (46%), a autonomia limitada (42%) e o valor de revenda do veículo (35%).

A sexta razão apontada pelos proprietários de elétrico para se terem arrependido é o preço inicial do veículo (33%) — questão que teriam, curiosamente, tido condições de avaliar antes de o terem comprado.

De acordo com a pesquisa, os proprietários da Geração Z — os nascidos  entre meados da década de 1990 e o início dos anos 2010 — são os que mais se arrependem de ter comprado um elétrico: 15% dizem mal da sua vida.

Em relação ao período da aquisição, são os que compraram o seu primeiro elétrico há menos de um ano que mais se arrependem de o ter feito (12%).

Em média, os proprietários que mais lamentam a sua compra carregam o veículo em postos públicos 10 vezes por mês — o dobro do que acontece com os que estão satisfeitos com a sua decisão.

Mas o aspeto mais interessante a extrair dos resultados do inquérito é a dispersão do grau de arrependimento do comprador com base no fabricante do veículo.

A lista é liderada pela BMW: 20% dos proprietários de um elétrico da marca bávara, ou seja, um em cada cinco, arrependem-se de o ter adquirido. O podium é completado com os proprietários de veículos Kia (15%) e Tesla (10%).

“Embora os VE sejam comercializados como convenientes e sustentáveis, os desafios específicos de cada marca podem estar a afetar a satisfação dos seus proprietários”, explica Paul Knoll, diretor de marketing da American Trucks.

“Os proprietários de BMW passam, em média, mais de 11 horas por mês a carregar fora de casa, o que pode ser um fator que contribui para os seus níveis de arrependimento mais elevados”, detalha Knoll.

A fechar a lista estão a Nissan (8%), Ford (7%), Chevrolet (5%), Toyota (4%) e Hyundai (3%). Segundo o ranking da American Trucks, há 13% de arrependidos que são proprietários de outras marcas — o que deixa misteriosamente de fora 15% dos inquiridos, cujas preferências não são especificadas.

Armando Batista, ZAP //

19 Comments

  1. Portanto, mesmo nos EUA, onde as distâncias percorridas são muito maiores do que na Europa e a infraestrutura de carregamento é ridícula quando comparada com a nossa, 90% dos donos de VEs estão satisfeitos. Mas o título da notícia pela negativa chama mais à atenção.

    Obviamente que a amostra é muito pequena para tirar conclusões reais. Ora vejamos: dizem que 20% dos que compraram BMW estão insatisfeitos. Se dos 501 inquiridos apenas 5 tiverem comprado BMW, basta um insatisfeito para dar este resultado. Ao todo serão apenas 5 insatisfeitos em 501.

    Pessoalmente comprei o primeiro VE em 2015 e, desde então, nunca mais coloquei a possibilidade de voltar aos carros a combustão. Quem experimenta já dificilmente volta atrás. Mas um dos motivos pelo qual estou totalmente satisfeito é porque tenho garagem onde carregar. Conheço quem gostasse de comprar um VE mas não o faça por não ter como carregar em casa e ainda não se sinta à vontade para depender da rede pública.
    No dia em que seja possível carregar facilmente, por exemplo nos postes de iluminação frente a casa, e a preços decentes (as taxas e taxinhas da Mobie.e, CEME, OPC e afins deixam muitas vezes a electricidade ao preço do gasóleo), a mobilidade eléctrica terá uma taxa de satisfação ainda superior.

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    • Concordo plenamente. Eu carrego o meu por 15€ e dá para 450km, longe do custo dos veículos a combustão, para a mesma kilometragem. Acho que o problema também foi não pensarem nesta selva de betão fazerem instalação trifásica de raíz pois assim ter-se-ia mais facilidade em ter esta opção em casa ou numa garagem pois os projetos para estender dos ramais são caríssimos. Bom texto o seu, abaixo as taxas e taxinhas e vamos todos reduzir a pegada

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    • Concordo.

      De salientar que a infraestrutura de carregamento tem menos importância nos EUA porque a maioria da população vive em moradias, pode carregar em casa, e consegue instalar carregadores de 48A a preço 0 (com rebates).. E para viagens longas há sempre um SuperCharger por perto.

  2. A mobilidade eléctrica é tão boa que as empresas que os fabricam estão a desistir LOL
    E em Africa, Ásia e América do Sul, ai é que eles funcionam bem. LOL
    E sabemos sempre que estamos a melhorar a vida de todos porque se os carros não carbonizarem, os navios podem carbonizar mais um bocado. LOL

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  3. Carrego o meu carro em casa a 12 A durante 4 horas e apoiado em paineis fotovoltaicos (à borla portanto), mas nos postos públicos em 1 hora (48 A). A desvantagem, no meu caso, é a autonomia de apenas 200 Km.

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  4. De acordo com a pesquisa 90% estão satisfeitos é a maim streaming já morreu faz tempo é um absurdo a maneira que divulgam as pesquisas é muito difícil acreditar na maim streaming.

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  5. Lamentável a forma como a notícia é dada. É dada de forma a fazer pensar que os carros eléctricos não prestam. O jornalismo é que não presta, ou presta se a figuras tristes. Eu faço parte dos outros 90% e não estou nada arrependido.

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    • Caro leitor,
      É lamentável que haja atualmente tantos temas diferentes em que tantos são tão contra o que quer que seja que se noticia, e outros tantos sejam tão contra o seu contrário na notícia do dia seguinte — e que sintam necessidade de expressar essa sua opinião com violência verbal, exasperação e insultos. O que não presta é essa linguagem.
      O autor da notícia também faz parte dos 90% e não está nada arrependido. A notícia reporta, de forma clara, objetiva e irrepreensível, os dados de um inquérito, nas suas variadas vertentes. Tem o cuidado de apontar detalhes como a inconsistência da soma das percentagens dos inquiridos, o facto bizarro de 33% deles se arrependerem devido ao preço do veículo — que tinham que ter ponderado antes da compra — e uma justificação para o provável motivo para a maior insatisfação dos proprietários da BMW.
      Pode detalhar em que aspeto é que a notícia é dada “de forma a fazer pensar que os carros eléctricos não prestam”?

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      • Estaria talvez mais adequado em termos comunicacionais para os dias de hoje (embora em rigor da língua em si, o que escreveu, em nada alteraria a semântica do conteúdo), face às proporções do resultado do inquérito, se tivesse escrito um título: “Apenas 1 em cada 10 condutores está arrependido de ter comprado um elétrico.”

        • Caro leitor,
          Obrigado pelo seu comentário.
          Efetivamente, a título pessoal, ao construir o título e a notícia a minha reação foi “afinal, só 10%?”.
          E o título da notícia poderia de facto ser “Só um em cada dez…”.
          Essa formulação é no entanto mais subjetiva, reflete uma opinião ou reflexão do autor do texto em relação ao tema.
          Os jornalistas não estão reduzidos a transmitir factos; conforme consta no nosso Estatuto Editorial, compete-nos também, quando apropriado, “interpretar, ordenar ou relacionar factos e acontecimentos”.
          Neste caso, tendo uma opinião enviesada em relação a veículos elétricos, optei por manter o título e o conteúdo da notícia o mais objetivo possível — objetividade que foi tomada por alguns leitores como “crítica aos elétricos”.
          O ZAP escreve frequentemente sobre veículos elétricos, e baterias, e assuntos relacionados. Se a notícia aponta um defeito aos elétricos, somos “anti-elétricos”. Se a notícia relata mais uma inovação ou melhoria nos elétricos ou nas baterias, somos uns ignorantes que não sabemos que o que é bom são os veículos a combustão — ou, não esquecer, a hidrogénio, porque esse é que é o futuro e é mais sustentável. E quando falamos de veículos a hidrogénio, lá estamos nós a falar de uma coisa “não vai acontecer”.
          É o mundo em que vivemos, e não deixaremos de dar as notícias que temos que dar, sabendo que se falarmos do amarelo receberemos comentários de quem odeia essa cor e portanto não devia ser assunto de notícia.
          E aceitaremos sempre de bom grado esses comentários, sempre que feitos de forma civilizada e construtiva — como é o caso do seu.

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  6. Bom dia
    Eu também estou do lado dos 90% e com grande satisfação de pelo menos eu contribuir para a redução da pegada de carbono e maior sustentabilidade das gerações futuras mas de facto há quem nada se preocupe e ainda critica. O problema mais grave e que muitas vezes falamos do desconhecido e achamos que sabemos muito o que faz com que certas pessoas demonstrem o seu nível de ignorância relativamente ao tema. Veículos elétricos chegaram e são para ficar quer queiram quer não mas cada um e livre de fazer as suas escolhas e ninguém obriga a comprar um. Portanto, façam favor de absterem-se de comentários que nada acrescentam e que de certa forma entristece o vosso ser. Os dias contados temos todos nos, depende da longevidade de cada um, mas carros elétricos ou a movidos a qualquer outro combustível vão continuar além da nossa existência. Não e por nada que já existem, salvo erro, desde década de 1888. Bem haja!

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  7. Uma notícia sobre EV’s onde o país é dos menos desenvolvidos em termos de infraestrutura de carregamento fora de casa têm valor 0 diria eu… Tenho um BMW, carrego em casa e não voltaria a um veículo a combustão, em autoestrada não faço mais de duas horas e meio sem fazer uma pausa, onde em 20 minutos carrego o carro até no mínimo de 80%, o que é mais que suficiente para conduzir no mínimo mais 2h30…. 80% das minhas necessidades são carregadas em casa o que me faz uma economia financeira substancial, segundo os meus cálculos, em 8 anos 15/20 mil euros em combustível, impostos e manutenção a menos que um carro a combustão.

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