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Análise revela composição secreta debaixo de retrato de Lavoisier

The Rockefeller University

Retrato de Monsieur Lavoisier e a sua esposa Marie-Anne-Pierrette Paulze.

Retrato de Monsieur Lavoisier e a sua esposa Marie-Anne-Pierrette Paulze.

Um icónico retrato do químico francês Antoine-Laurent de Lavoisier e da sua esposa, Marie-Anne, mostrou ter uma composição escondida debaixo dele.

Antoine-Laurent de Lavoisier foi um químico francês fundamental para a revolução deste campo científico no século XVIII, além de ter tido uma grande influência na história da biologia. Ele é considerado o “pai da química moderna”.

A vida de Lavoisier viria a ter um fim trágico. Depois de entrar em conflito com os revolucionários no poder durante o infame Reinado do Terror, Lavoisier foi decapitado em 1794, sendo considerado um “inimigo do povo”.

Um quadro pintado por Jaques-Louis David, em 1788, retratando Lavoisier e a sua esposa, Marie-Anne, está agora no centro de uma descoberta científica. A pintura mostra o casal a posar com uma coleção de pequenos instrumentos científicos.

Uma análise de raio-X ao quadro revela que originalmente David pintou uma versão diferente, sem os instrumentos científicos.

Inteligentemente, o artista neoclássico obscureceu a pintura de base no retrato final, provavelmente em resposta à crescente reação contra a aristocracia em França.

“O desenvolvimento geral do retrato dos Lavoisiers deixou de colocar em primeiro plano a sua identidade como coletores de impostos (a fonte da sua fortuna que permitiu uma comissão tão luxuosa) e passou a enfatizar o seu trabalho científico”, lê-se no artigo publicado na revista Heritage Science.

Marie-Anne foi assistente de laboratório do seu marido, fazendo esboços das suas experiências, traduzindo textos científicos e ajudando a manter registos dos procedimentos usados, escreve o Ars Technica.

O retrato de David está notavelmente bem preservado, razão pela qual talvez ninguém tenha suspeitado de havia um esboço por baixo até 2019.

A curadora Dorothy Mahon notou que havia bocados de tinta vermelha na área acima da cabeça de Marie-Anne e noutras zonas.

Primeiro, os investigadores usaram uma tecnologia de infravermelhos para visualizar as camadas superiores de tinta. A análise revelou evidências de uma pintura a preto e formas escuras e pouco nítidas por baixo, sugerindo possíveis mudanças composicionais significativas.

Num processo que demorou 270 horas e recorreu a tecnologia raio-X, os investigadores criaram mapas detalhados para um estudo mais aprofundado.

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Os especialistas descobriram que, na obra original de Jaques-Louis David, Marie-Anne tinha um enorme chapéu florido adornado com fitas. Por sua vez, os instrumentos científicos também só foram adicionados à obra posteriormente.

Os autores acreditam que essas alterações na composição refletem a mudança dos ventos políticos, ou seja, o início iminente da Revolução Francesa.

  Daniel Costa, ZAP //

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