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Como é que algumas cobras veem tão bem no escuro? Cientistas têm uma resposta

Um novo estudo descobriu como é que algumas cobras conseguem ver tão bem no escuro. Estes animais convertem a diferença entre a temperatura ambiente e os corpos quentes das suas presas em sinais elétricos.

Víboras, jiboias e pitões são três destas cobras capazes de capturar as suas presas na escuridão total. Há muito que se suspeita que esta habilidade esteja de alguma forma ligada à atividade elétrica, embora não se soubesse exatamente como.

Segundo o site IFLScience, os investigadores por detrás deste novo estudo tinham investigado anteriormente materiais piroelétricos, que são capazes de gerar uma voltagem temporária quando são aquecidos ou arrefecidos.

Os materiais piroelétricos, que são bastante raros na natureza, são geralmente rígidos e quebradiços. Mas quando a equipa produziu com sucesso efeitos piroelétricos num material macio e elástico teve uma ideia.

“Algumas cobras podem ver na completa escuridão. Isto seria facilmente explicado se as cobras tivessem um material piroelétrico, mas não têm. Logo, percebemos que o princípio por detrás do material macio que modelámos provavelmente explica essa característica”, afirma, em comunicado, Pradeep Sharma, da Universidade de Houston, nos Estados Unidos.

Algumas cobras têm um órgão pequeno e oco, chamado fosseta loreal, que consegue detetar a radiação infravermelha proveniente de materiais ou animais mais quentes do que o ambiente que os rodeia.

A equipa percebeu que dentro deste órgão há células que funcionam como materiais piroelétricos, gerando pequenas voltagens em resposta às mudanças de temperatura. Estas voltagens são, assim, capazes de informar a cobra sobre o meio à sua volta, ajudando-a a caçar as suas presas.

Segundo o mesmo site, embora esta explicação seja válida, existem ainda algumas perguntas por responder. Por exemplo, há uma abundância de canais iónicos encontrados na proteína celular TRPA1, que é vista em maiores quantidades em cobras que possuem a fosseta loreal.

É possível que estes também possam desempenhar um papel significativo nas capacidades de visão noturna destes animais, mas, para isso, serão necessárias mais pesquisas para clarificar o potencial mecanismo através do qual isso é possível.

O estudo foi publicado, a 21 de outubro, na revista científica Matter.

  ZAP //

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