Afinal, os misteriosos “círculos de fada” da Namíbia podem não ter sido criados por térmitas

Visto de cima, o deserto da Namíbia parece estar “doente”, repleto de padrões circulares cuja origem tem sido debatida por vários investigadores. 

A ciência praticamente encerrou o livro sobre estes misteriosos “círculos de fadas”, colocando a culpa diretamente no solo. Para remover todas as dúvidas, os investigadores voltaram-se para os céus em busca de mais evidências, mas descobriram que a história, afinal, pode não ser tão clara.

Stephan Getzin, ecologista da Universidade de Göttingen, na Alemanha, no centro do debate sobre o círculo de fadas por anos, depois de tê-los encontrado pela primeira vez na Namíbia como universitário.

O seu estudo mais recente pode ser o último prego no caixão das sugestões de que as térmitas são as culpadas pelos estranhos anéis. Mas também está a adicionar novos detalhes a teorias que descrevem como estes estranhos espaços na vegetação realmente se formam.

O vasto leque de “círculos de fadas” da Namíbia já era um fenómeno perplexo para os ecologistas há décadas. Getzin foi alertado para a existência de uma extensão semelhante de vegetação na região árida de Pilbara, na Austrália Ocidental, em 2014, fornecendo-lhe as evidências de que precisava para a sua própria hipótese.

Em 2017, recebemos uma resposta: os “círculos de fada” na Namíbia e em Pilbara são causados por plantas que competem por água em redor de pedaços de solo que canalizam a água num ritmo mais rápido.

A ciência raramente é assim tão simples, recorda o Science Alert. Ainda restam dúvidas sobre as térmitas encontradas nas proximidades destas manchas vazias são apenas turistas ou minúsculos lenhadores.

Getzin e os colegas de Israel e da Austrália investigaram sistematicamente dezenas de “círculos de fadas” perto da cidade de Newman, na Austrália Ocidental, escavando 154 buracos em 12 quilómetros de extensão. Os resultados foram publicados na revista científica Ecosphere.

Não só descobriram que o solo estava empacotado com os mesmos níveis de argila dentro dos círculos, como também não conseguiram encontrar térmitas que sugerissem que a sua atividade tinha um papel muito importante no desenvolvimento dos círculos.

Para ter certeza absoluta, mapearam grandes pedaços de paisagem recorrendo a drones, marcando as zonas onde a vegetação era claramente derrubada por térmitas. “As lacunas de vegetação causadas por térmitas são apenas cerca de metade do tamanho dos “círculos de fada” e muito menos ordenada”, referiu Getzin.

“No geral, o estudo mostra que as construções de térmitas podem ocorrer na área dos círculos de fada, mas a correlação local parcial entre térmitas e círculos de fada não tem relação causal”, explicou o ecologista.

Até recentemente, a maioria dos estudos concentrava-se em círculos de fadas de tamanho e distribuição relativamente consistentes. Getzin estava curioso para saber que condições ambientais descreviam o limiar da sua formação. Usando imagens do Google Earth, Getzin identificou uma variedade de estruturas que não eram do tamanho e da forma do círculo de fadas, mas que indicavam uma formação semelhante.

Alguns tinham mais de 20 metros de diâmetro, superando o diâmetro máximo de aproximadamente 12 metros. Outros eram esticados em linhas de drenagem ou formados em áreas incomuns, como pistas de carros.

“Aqui os nossos estudos de humidade do solo mostraram que sob condições tão variadas os círculos de fada funcionam menos como reservatórios de água do que sob condições homogéneas típicas, onde são extremamente bem ordenados”, refere Getzin.

Ainda há muito para estudar sobre estes círculos, mas, para já, pode dizer-se que são muito menos misteriosos.

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