Cientistas discutem imortalidade a partir dos 105 anos

Indícios recentemente descobertos de que a probabilidade da morte de uma pessoa deixa de aumentar no 105º ano de vida, afinal, eram um erro estatístico.

“As certidões de nascimento destes macróbios foram registadas por pessoas semianalfabetas. Apenas uma terça parte deles sabia ler e escrever, e em média tinham apenas um ano de escolaridade. Além disso, deviam errar com mil vezes menos frequência que os médicos durante os testes clínicos, o que é pouco provável”, declarou Saul Newman da Universidade Nacional de Austrália em Camberra, a 20 de dezembro na revista Plos.

Para muitos seres vivos existe uma idade máxima, determinada pela assim chamada lei de Gompertz-Makeham, segundo a qual a maior parte dos animais morre de velhice, atingindo uma certa idade, e os restantes têm probabilidade de morrer no ano seguinte começando a aumentar de modo exponencial.

Nos últimos tempos, os cientistas têm discutido ativamente se isto é aplicável nos seres humanos. Em 2016, investigadores norte-americanos descobriram que tal idade máxima é possivelmente de 100-115 anos, o que é modesto, segundo os padrões de alguns personagens bíblicos.

Posteriormente, os cientistas da Califórnia analisaram a frequência da mortalidade das pessoas mais idosas do mundo, que vivem na Itália, e descobriram que a probabilidade de morrerem deixa de aumentar depois do 105º ano de vida. Este facto levou à ideia de ausência de limites da vida.

Saul Newman pôs em dúvida tais conclusões, levando em consideração que a maior parte dos macróbios atuais nasceram nos tempos em que maior parte das pessoas não sabia ler e escrever. O cientista verificou como vários erros e lapsos na escrita poderiam influir nas conclusões cientificas.

O investigador simulou erros diferentes, mudando datas de nascimento, aumentando a idade em 5 ou 10 anos, e verificou a sua influência sobre a estatística. Os cálculos de Newman mostraram que a probabilidade de morte das pessoas idosas, não apenas se manteve no mesmo nível, mas até caiu às vezes. O cientista opina que algo parecido teria acontecido durante a análise dos dados demográficos da Itália.

Kenneth Wachter, da Universidade de Califórnia, um dos autores do estudo publicado na mesma data na revista Plos, não está de acordo com as conclusões do cientista australiano. Wachter sublinhou que “Newman nem tentou analisar os dados obtidos, mas apenas criou um cenário hipotético que todos já conhecem durante mais de mil anos e que foi descrito no nosso estudo”.

Segundo Wachter, a quantidade de erros estatísticos, sobre os quais escreve o matemático australiano, não é pequeno, mas enorme, e não leva em conta que já em 1860 em Itália existia um sistema de controlo rigoroso dos dados demográficos. Por esta razão, a equipa não tem a intenção de rejeitar os resultados.

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