Cientistas descobrem a melhor maneira de ensinar uma nova língua a crianças

As pessoas muitas vezes assumem que as crianças aprendem novas línguas facilmente e sem esforço, independentemente da situação em que se encontram. Mas será verdade que as crianças absorvem linguagem como esponjas?

Estudos mostraram que as crianças são aprendizes altamente bem-sucedidas se tiverem muita exposição a um novo idioma por um longo período de tempo, como no caso de imigrantes que estão cercados pela nova língua todos os dias. Nesse cenário, as crianças tornam-se muito mais proficientes no novo idioma a longo prazo do que os adultos.

No entanto, se a quantidade de linguagem a que as crianças são expostas é limitada, por exemplo, à sala de aula, as crianças geralmente aprendem mais devagar e são menos bem sucedidas do que adolescentes ou adultos.

Investigadores argumentam que isto acontece porque as crianças aprendem implicitamente, ou seja, inconscientemente. E para aprender uma nova língua é necessário uma maior convivência com a linguagem durante um longo período de tempo.

À medida que envelhecemos, desenvolvemos a capacidade de aprender explicitamente — isto é, analiticamente e com esforço deliberado. Isto explica por que alunos de sala de aula mais velhos têm maior sucesso: eles podem recorrer a processos de aprendizagem mais desenvolvidos, eficientes e explícitos, que também exigem mais esforço.

Qual é a melhor maneira?

Quando se trata de aprender uma língua não é uma questão de aprendizagem implícita ou explícita. Elas podem coexistir, portanto, é mais comum a questão de quanto de cada abordagem é usada.

Num estudo publicado há um par de meses na revista Studies in Second Language Acquisition, os cientistas questionaram-se se as crianças mais novas que geralmente aprendem implicitamente já desenvolveram alguma capacidade de aprender explicitamente também. Além disso, observaram se a capacidade de analisar a linguagem pode prever o sucesso da aprendizagem de línguas estrangeiras na sala de aula.

Os investigadores trabalharam mais de 100 crianças do 4º ano, com idades entre oito e nove anos, em cinco escolas primárias em Inglaterra. As crianças realizaram uma série de testes, incluindo uma medição da sua capacidade de aprendizagem de línguas.

Durante a primeira metade do ano letivo, as crianças participaram em aulas de um novo idioma 75 minutos por semana e foram divididas em quatro grupos. A cada grupo foi ensinado, respetivamente, alemão, italiano, esperanto e esperanto com um método específico.

Nesta forma de aprendizagem específica, era-lhes pedido para pensarem sobre o que partes específicas das palavras podem significar ou como frases são construídas nessa língua. Por outras palavras, foram encorajadas a usar a sua capacidade analítico-linguística, adotando uma abordagem explícita.

Nos outros grupos, a língua era ensinada de uma forma que é tipicamente usada na escola primária, isto é, inteiramente divertida com jogos e músicas. É mais provável que este método resulte em aprendizagem implícita.

Na segunda metade do ano letivo, todos os grupos participaram no mesmo tipo de aula da nova língua: todos aprenderam francês, ensinados com o método específico usado anteriormente para o esperanto.

Os resultados

Ao contrário do que as pessoas poderiam esperar, os investigadores descobriram que a capacidade analítico-linguística das crianças era mais importante, seguida pela consciência fonológica. Estas duas habilidades contribuíram para prever o desempenho das crianças em francês, enquanto a capacidade de memória foi apenas marginalmente relevante.

Isto sugere que crianças de oito ou nove anos de idade podem de facto aprender explicitamente até certo ponto, se o método de ensino que experimentam os encoraja a analisar a linguagem que está a ser aprendida.

É importante notar que as crianças em idade escolar primária ainda estão a desenvolver a sua capacidade de aprender explicitamente. Portanto, não podemos esperar ensiná-los línguas exatamente da mesma maneira como ensinamos adolescentes ou adultos.

Mas algumas atividades que incentivam as crianças a refletir conscientemente e a analisar a linguagem a ser aprendida podem ser introduzidas para fazer melhor uso do tempo de aula limitado que está disponível para o ensino de línguas estrangeiras.

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