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Chuva excessiva provocou a erupção do vulcão Kilauea em 2018

Bruce Omori / EPA

Vulcão Kilauea, no Havai

A erupção do vulcão Kilauea, no Havai, em 2018, terá sido causada pelas chuvas excessivas que antecederam o evento. Na altura, o vulcão destruiu milhares de residências.

Um estudo realizado por uma equipa de investigadores da Universidade de Miami sugere que as chuvas excessivas desencadearam a erupção do vulcão Kilauea, no Havai, em 2018. Os padrões da chuva podem contribuir significativamente para o momento e frequência da erupção do Kilauea e talvez noutros vulcões.

A chuva prolongada e por vezes até mesmo extrema nos meses que antecederam a erupção pode ser a explicação para o acontecimento, denotam os cientistas. Esta é a primeira vez que este mecanismo é usado para explicar processos magmáticos mais profundos. O estudo foi publicado esta quarta-feira na revista científica Nature.

“Sabíamos que as mudanças de água na subsuperfície da Terra podem provocar terramotos e deslizamentos de terra. Agora sabemos que também pode causar erupções vulcânicas”, disse Falk Amelung, coautor do estudo. “Sob pressão do magma, as rochas molhadas quebram mais facilmente do que as rochas secas. É tão simples quanto isso”.

Em 2018, o vulcão Kilauea, no Havai, entrou em erupção e obrigou mais de dez mil pessoas a sair das suas residências. Naquela que foi uma das suas fases mais ativas, o vulcão atirou lava incandescente a quase 60 metros de altura, que se espalhou por mais de 21 quilómetros quadrados de área da ilha.

Os resultados do estudo mostram que a pressão de fluídos estava no seu ponto mais alto em quase meio século nos momentos antes da erupção.

“Uma erupção acontece quando a pressão na câmara de magma é alta o suficiente para quebrar a rocha circundante e o magma viaja para a superfície”, disse Amelung, citado pelo Phys. “Essa pressão causa uma inflação de dezenas de centímetros no solo. Como não vimos nenhuma inflação significativa no ano anterior à erupção, começamos a pensar em explicações alternativas“.

Os autores destacam que, se esse processo puder ser detetado em Kilauea, é provável que ocorra noutros lugares também.

“Foi demonstrado que o derretimento das calotas polares na Islândia levou a mudanças na produtividade vulcânica”, exemplificou o autor do estudo Jamie Farquharson. “Como as alterações climáticas em andamento devem trazer mudanças nos padrões de precipitação, esperamos que isto possa influenciar de maneira semelhante os padrões de atividade vulcânica”.

  ZAP //

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