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China admite que a Revolução Cultural foi “um erro”

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yeowatzup / Flickr

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O caos da Revolução Cultural “nunca se repetirá”, escreve esta terça-feira um jornal oficial chinês, numa rara referência aos 50 anos desde o início de uma década vista atualmente como “o maior erro da história do socialismo na China”.

Foi exatamente há meio século que o histórico líder chinês Mao Tsé-Tung lançou oficialmente uma radical campanha política e social de massas, destinada a consolidar o seu poder absoluto.

O Partido Comunista Chinês (PCC) continua, no entanto, a limitar o debate, com os comentários nas redes sociais chinesas sobre a Revolução Cultural a serem censurados, enquanto a imprensa local ignorou a efeméride.

Críticos do regime consideram que as restrições potenciam uma repetição da catástrofe.

“Nós despedimo-nos da Revolução Cultural”, afirmou, em editorial, o jornal oficial Global Times, proclamando que “hoje podemos dizer mais uma vez que a Revolução Cultural não pode e não voltará a acontecer. Não existe lugar para isso na China atual”.

O Diário do Povo, o jornal oficial do PCC, que não fez qualquer referência ao aniversário, disse apenas que o país aprendeu uma lição e continuou em frente.

A China “não vai e nunca mais deve permitir que um erro como a Revolução Cultural se repita”, afirmou, classificando aquela campanha como totalmente errada “em ambas teoria e prática”.

A “História sempre se desenvolve numa direção progressiva”, sublinhou.

Em 1981, a Revolução Cultural foi oficialmente considerada pelo PCC como um erro grave e “catastrófico para o Partido, o Estado e toda a população”, uma decisão que o Diário do Povo classifica de “científica e correta”.

A resolução atribuiu as culpas a Mao Tsé-Tung, evitando uma responsabilização direta do partido.

Reminiscências do maoismo continuam, no entanto, patentes na segunda maior economia do mundo.

No início do mês, um concerto que marcou o 50º aniversário da Revolução Cultural, no Grande Palácio do Povo, em Pequim, reanimou o debate sobre o período, ao entoar música e exibir imagens da propaganda ideológica de então.

Numa reação, o Global Times procurou afastar os receios de um ressurgimento neo-maoista, apontando que a China aprendeu uma lição com a “dor permanente”, causada por aquela década caótica.

A Revolução Cultural ensinou a sociedade chinesa a “manter-se vigilante contra os perigos acarretados por qualquer tipo de desordem. Ninguém teme tumultos e deseja mais a estabilidade do que nós”, realçou.

ZAP / Lusa

5 Comments

  1. Curioso é saber que há pessoas que têm tendência para errar persistentemente. O Durão Barroso errou quando foi maoista e tornou a errar quando participou na Cimeira dos Açores de má memória. A propósito: tratando-se de algo que poderá configurar crime público, o Ministério Público não deveria agir?

  2. E assim se enganam todos os otários que preenchem a maioria da população mundial. Se Mao Zedong tivesse tanto poder como o governo Chinês tem hoje, jamais teria existido uma revolução dessas, tão-simplesmente porque não seria necessária.

  3. Até os chineses já começam a ver a diferença entre a China da fome, das fardas iguais para todos e das bicicletas e a China actual, talvez um bom artigo de reflexão para a nossa esquerdalha retrógrada.

    • Pois, antes era a China da fome, agora é China da fome, da poluição, das doenças, dos enormes problemas sociais, da corrupção desenfreada, da contrafacção, etc, etc…
      Muito melhor, sem duvida…

  4. atão a china capitalista toda pinoca q’ria lá agora voltar a pegar na enxada dos ‘trabalhadores’ (essa mania persistente e estúpida dos comunas coleccionadores de cromos de que ‘trabalhar’ é pegar em chaves de fendas ou em pás). Agora, ricaça, desdenha dos hábitos lavados e honestos do avô. Atira-te a wall street, atira-te, ó china ‘progressiva’ (o que já é um progresso sobre o cansativo mantra do ‘progressista’), atira-te ao capital puro e duro, e deixa lá ‘o trabalho’. Cretinos.

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