Os chimpanzés têm a sua própria língua (e já foram descobertas 390 “frases” diferentes)

Tobias Deschner / Ozouga Chimpanzee Project

Os grunhidos e gritos emitidos pelos chimpanzés não são aleatórios, de acordo com um novo estudo, que descobriu 12 tipos diferentes de chamamentos e 390 sequências vocais únicas usadas pelos animais.

A linguagem não é algo exclusivo dos humanos. Já sabemos da importância dos sons para alguns animais, como as baleias, mas um novo estudo encontrou sequências vocais específicas entre chimpanzés

A pesquisa foi publicada na Communications Biology e analisou quase 5000 gravações com uma duração total de 900 horas de 46 chimpanzés selvagens adultos na Costa do Marfim. A equipa descobriu 390 sequências vocais únicas que funcionam quase como frases.

Em comparação com os inúmeros significados da comunicação verbal humana, 390 frases distintas parece pouco. No entanto, esta é a primeira vez que uma pesquisa descobre estes padrões entre os primatas, pelo que podem ainda haver muitas outras outras combinações que a ciência desconhece.

Na análise às vocalizações, os autores identificaram como os sons podiam ser emitidos singularmente ou combinados em sequências de duas ou três unidades. A equipa criou um mapa das redes em que os sons eram combinados e qual a ordem em que estas combinações eram feitas.

No total, foram descobertos 12 tipos diferentes de chamamentos (incluindo grunhidos, arquejos, latidos, gritos ou gemidos) que pareciam ter significados diferentes dependendo do contexto em que eram usados, revela o Science Alert.

“Os grunhidos singulares, por exemplo, foram predominantemente emitidos à comida, enquanto que os grunhidos ofegantes são maioritariamente emitidos como uma vocalização submissa de saudação”, escrevem os autores.

Os dados mostram que a comunicação dos nossos “primos” chimpanzés é muito mais complexa do que imaginávamos, o que também nos pode dar dicas sobre as origens das línguas faladas pelos humanos.

O próximo passo é criar bases de dados ainda maiores compostas pelas gravações dos chimpanzés para se tentar perceber como é que a diversidade na ordenação dos sonos se pode traduzir em significados diferentes.

  Adriana Peixoto, ZAP //

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