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Chegou a hora: Trump anuncia “tarifas recíprocas” imediatas sobre importações

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Will Oliver / EPA

Donald Trump, presidente dos EUA

O prometido é devido: o presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou na noite desta quarta-feira a imposição de “tarifas recíprocas” sobre importações, incluindo de 25% sobre todos os automóveis estrangeiros.

Donald Trump anunciou uma nova política comercial que impõe tarifas sobre as importações de mais de 180 países e territórios, que podem chegar aos 50%.

Entre os afetados estão a China com uma tarifa de 34%; a UE com 20%; o Japão com 24%; Vietname com 46%; e Taiwan com 32% – e nem ilhas desabitadas escaparam.

Lesoto (50%), Camboja (49%) e Laos (48%) são os países onde as taxas são mais elevadas.

A Rússia ficou de fora, porque os EUA não fazem trocas comerciais com o país de leste, uma vez que estão sancionados, justificou o Secretário do Tesouro, Scott Bessent, à Fox News.

 

Donald Trump anunciou que as tarifas de 25% sobre os automóveis estrangeiros, que afetam em grande medida os países da União Europeia, entrarão em vigor a partir da meia noite de sábado.

O anúncio foi feito no jardim da Casa Branca, com diversas bandeiras dos Estados Unidos em pano de fundo e na presença do vice-Presidente e dos principais membros do governo, incluindo os secretários de Estado e da Defesa.

Antes de assinar a ordem executiva instituindo as reciprocidade de tarifas, Trump apresentou a medida como uma defesa da produção industrial norte-americana.

Após múltiplos alertas de especialistas económicos e financeiros sobre os impactos do aumento de tarifas na inflação nos EUA e no comércio económico global, o anúncio de Trump foi feito depois do fecho dos mercados bolsistas norte-americanos terem encerrado em alta ligeira.

A imposição de tarifas foi apelidada pelo Presidente de “Dia da Libertação”, após Donald Trump ter anunciado nos últimos meses aumentos de 25% dos direitos aduaneiros sobre as importações de aço, alumínio, automóveis e peças de automóveis.

“Tarifas vão desestabilizar o mundo”

A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, afirmou que as tarifas anunciadas Donald Trump vão “desestabilizar o mundo do comércio, tal como o conhecemos”.

Lagarde disse, numa entrevista ao programa de rádio irlandês “The Pat Kenny Show”, que o impacto do anúncio das tarifas “não será bom para aqueles que impõem as tarifas nem para aqueles que retaliam”.

Lagarde evitou, no entanto, dar a sua opinião sobre a forma como a UE deve responder às taxas, uma vez que se trata de algo que “deve ser decidido pelos líderes políticos”.

“O nosso trabalho no BCE é antecipar, explicar-lhes [aos líderes políticos] quais serão as consequências em termos de impacto económico, porque, de qualquer forma, será negativo em todo o mundo”, insistiu.

A presidente considera que as tarifas representam também uma “oportunidade” para a Europa ser mais autossuficiente, naquilo a que chamou “o início de uma marcha para a independência”.

“Não devemos concentrar-nos exclusivamente no que está a acontecer do outro lado do oceano, devemos concentrar-nos na força que temos em casa [Europa] e na forma como podemos recuperar a independência que não temos, isto aplica-se à defesa, ao comércio, às finanças e à forma como o dinheiro circula na Europa”, afirmou.

A Comissão Europeia garantiu que irá responder no “momento oportuno” ao anúncio do Presidente norte-americano-

Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, prometeu que vai abordar estas negociações “numa posição de força”.

“A Europa tem muitas cartas na manga”, disse ainda. “Desde o comércio à tecnologia, passando pela dimensão do nosso mercado. Mas esta força assenta também na nossa disponibilidade para tomar medidas firmes. Todos os instrumentos estão em cima da mesa”.

Duas estratégias possíveis

De acordo com o Politico, há duas abordagens principais por onde a UE pode enveredar. A primeira é atacar as finanças americanas, tributando os principais bancos norte-americanos ou até abrandar licenças para negócios na UE.

Outra estratégia, esta mais de último recurso, é ativar a “bazuca” – o Instrumento Anti-Coerção. Este mecanismo foi criado em 2023 com o objetivo de “combater as ameaças económicas e as restrições comerciais desleais de países terceiros”, explica a própria página da UE.

Serve para aplicar “restrições relacionadas com o comércio, investimento e financiamento”, e funciona como um “dissuasor” para economias externas. É, portanto, ativado em casos extremos de fortes ameaças económicas ao espaço europeu.

“O problema com todas estas ideias de influência é que não são realmente uma influência”, comenta Luísa Santos, diretora-geral adjunta da BusinessEurope.

“As nossas economias estão tão interligadas que mesmo que imponha tarifas ou qualquer outra medida, estará a prejudicar os próprios interesses“, aponta.

ZAP // Lusa

4 Comments

  1. Procurem o quadro que ele apresentou e vejam bem a diferença entre as taxas que os outros países lhes impõem (por exemplo do Cambodja – 97%) sobre os produtos dos EUA e as que ele apresentou!

    • Os numeros que ele apresenta nao se refere as taxas que os outros cobram, é calculado com base numa formula inventada por esses anormais relacionada com valores de importações / exportações.
      Estranho ou talvez não, é o facto de a Russia estar isenta, e não venham com tretas que fazem poucos negocios com esse país, fazem bem mais do que com a ilha que só tem pinguins e que tambem foi sancionada.

  2. Estou vendo o futuro deste gajo num filme western, no rol de um cowboy bêbado, que entra no saloon disparando sem motivo para todo o lado, até tropeçar, cair, e puxando o gatilho de novo por acidente, atravessa a própria moleirinha com um tiro. O cangalheiro aparece com um corvo pousado no ombro, arrastando um caixote de sabão, porque mesmo os caixões mais baratos made in Bangladesh tinham deixado de ser vendidos devido ás tarifas exorbitantes. O cangalheiro mete o bêbado lá dentro com o ajudante sentado no meio, para lhe poder calcar a bucho de proporção indecente. Depois da última tábua pregada, vão em procissão para um buraco cavado havia já algum tempo, por alguém que tinha acabado por jogar fora uma chapa com as letras MAGA (Make America Great Again) e pintado á mão uma nova tanuleta, espetada num pau, dizendo MERDA (Made an Exceptional Reared Disaster in America). O sol vai desaparecendo no horizonte, enquanto soa uma fanfarra tocando a música Mexican Border Crossing.

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