CGD esteve à beira da resolução. Centeno assume “má gestão” e promete apurar culpados

Miguel A. Lopes / Lusa

O ministro das Finanças, Mário Centeno

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) esteve perto da resolução em 2016, se não fosse feita a recapitalização de 5.000 milhões de euros, revelou o ministro das Finanças, Mário Centeno, no Parlamento, onde assumiu que “houve má gestão” no banco público, prometendo ir “até às últimas consequências” para responsabilizar ex-gestores.

Na audição perante os deputados da Comissão de Orçamento e Finanças, Mário Centeno referiu que em 2016, a CGD estava sem capital e um banco sem capital não existe, pelo que sem a recapitalização acordada entre o Governo português e a Comissão Europeia, o banco público “estaria à beira de um processo de resolução bancária, com as consequências que teria com a nova directiva da resolução bancária”.

A 24 de Agosto de 2016 foi acordada entre Bruxelas e Lisboa uma recapitalização da CGD de quase 5.000 milhões de euros.

O ministro das Finanças assumiu no Parlamento que acredita que “houve má gestão na CGD” e prometeu ir “até às últimas consequências” para responsabilizar eventuais culpados, notando que “ninguém neste Governo tem qualquer problema com a questão da auditoria e as consequências que possa ter”.

Centeno vincou perante os deputados que esta auditoria foi solicitada já com o actual Executivo, pela primeira vez em 20 anos, “ao fim de oito ministro das Finanças e sete Governos”.

O governante também afiançou que o Governo deu “todas as instruções ao Conselho de Administração da CGD para actuar na preservação quer patrimonial quer das responsabilidades que ainda se consigam fazer valer” pela eventuais decisões de gestão danosa.

Em termos criminais, poderá já não haver espaço para condenar eventuais culpados, dada a prescrição dos possíveis crimes. Mas a administração da CGD “tem a indicação pelo Governo para levar até às últimas consequências todas as acções necessárias para que aqueles que possam ser responsabilizados possam vir a sê-lo no seu devido lugar”, referiu Centeno.

O ministro explicou também que foi, nesse sentido, que mandatou a CGD para enviar o relatório da auditoria à Procuradoria-Geral da República e ao Banco de Portugal. Além disso, a CGD constituiu-se como assistente para poder acompanhar o processo judicial, afirmou.

Na semana passada, foi divulgada uma versão preliminar de uma auditoria à gestão dos últimos 15 anos na CGD que aponta problemas de concessão de créditos mal fundamentada, atribuição de bónus aos gestores com resultados negativos, interferência do Estado e ineficiências na gestão de risco.

Essa auditoria vai, agora, chegar ao Parlamento, mas sem o nome dos devedores, depois de o Ministério Público ter notado que não se opõe ao envio do documento para consulta dos deputados.

O Estado injectou directamente 2.500 milhões de euros na CGD que recebeu ainda 500 milhões de euros decorrentes da transferência de acções da ParCaixa e mais 945 milhões da conversão em capital dos ‘CoCo’s’ de 2012 (incluindo juros).

A Caixa emitiu também cerca de 1.000 milhões de euros em dívida subordinada que foi colocada junto de investidores institucionais privados, uma operação negociada com Bruxelas para que a recapitalização não fosse considerada ajuda de Estado.

O ex-presidente da CGD António Domingues (que negociou com Bruxelas a recapitalização) justificou, em Janeiro de 2017, a elevada injecção de capital com a necessidade de fazer face a perdas potenciais que a sua equipa encontrou no banco.

ZAP // Lusa

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15 COMENTÁRIOS

  1. É sempre a mesma coisa. Apurar culpados?? Essa é p/ rir ou chorar?? TODA a gente c/ 2 dedos de testa sabe mt bem quem são os culpados. São TODOS Voçês . Queres deitar mais areia p/ os olhos do Zé LORPA?? CHEGA desta M—- estamos FARTOS de pagar IMPOSTOS p/ esta gentalha andar a ROUBAR. ESta gentalha que NUNCA soube o que é trabalhar. Se pelo menos os obrigassem a PAGAR o que ROUBARAM c/ JUROS, mas não já vem c/ prescreveu. TUDO que é DIVIDA / ROUBO a entidades do ESTADO NÃO prescreve – é o q a lei diz ou não?? Ou é so p/ alguns??? Poupem nos á v/ estupidez…

  2. Centeno está esquecido que o apuramento de responsabilidades é até 2015, quando ele já era Ministro das Finanças há 2 anos.
    Por outro lado o apuramento de responsabilidades, são POLÍTICAS, já que as criminais estão prescritas e a culpa morre solteira.
    Lembrar que foram os partidos das esquerdas encostadas que inviabilizaram o apuramento de responsabilidades criminais.
    De uma coisa temos a certeza – já sabemos que vai pagar esta CORRUPÇÃO E ROUBO. Os mesmos …

  3. É sempre mais do mesmo. Apurar culpados?… Mais um apurador!… Toda a gente sabe quem são!!! Deixem mas é cair o sigilo bancário, que é para ninguém se esconder atrás dessa cortina.

  4. Ó Carlos não seja burro, desde quando é que o Dr. Mário Centeno é Ministro das Finanças?
    A azia é tanta que até já vale enganar descaradamente. Vá-se tratar e não diga parvoíces desonestas.

  5. Ele vem agora assumir má gestão, mas isso não serve de nada. São palavras bonitas nesta altura, mas tudo vai cair em saco roto. Este descalabro já dura há mais de 40 anos. Pessoas que nunca foram banqueiros a administrar a Caixa, só porque são da cor e percebem tanto daquilo como eu de um lagar de azeite. É a democracia parida pelo 25 de Abril que é culpada de tudo isto. O Povo vota mas o seu voto não vale de nada. Lá por cima está tudo feito por eles e para eles. Nessas associações de malfeitores são todos amigos uns dos outros, embora eles queiram fazer crer que não. A corja é toda a mesma e eles só querem o voto da maralha na devida altura e os impostos em dia. Uma corja de FDP???

  6. … Portugal um país de governantes ignorantes, incompetentes e inocentes.
    … Portugal com instituições sem qualquer tipo de credibilidade quer nacional quer internacional país com democracia em total podridão.

  7. Má gestão ou más gestões? Os culpados parece terem sido vários gestores e os políticos cúmplices também, portanto que se termine com o encobrimento e venham os nomes cá para fora e justiça com eles doa a quem doer.

      • E o vitinho que em tempos até julguei por homem de bem e competente acabou por ter como prémio um vice no BCE onde possivelmente será mais um ninho de corruptos e incompetentes.

  8. Se os Gestores fossem uns Trolhas era um Roubo, com uma pena de 25 anos de cadeia e confiscavam todo o patrimônio. mas como se trata de uns Sr, s VIPES de Gravata é uma má Gestão.
    Eu também já devi a esse Banco alguns milhares de euros, para a minha atividade profissional, já liquidei e dei lucro, com uns spreeds elevados, os créditos nunca foram creditados na sua totalidade, isto é, vinham em tranches mensais, e sem aviso prévio, deslocava-se o fiscal desse mesmo Banco para acompanhar o rasto do dinheiro.
    VOLTA SALAZAR ESTAS PERDOADO

  9. Vai em frente Centeno! Como tem sido habitual só tu tens tido mãos para navegar esta nossa caravela portuguesa, que até chegar às tuas mãos era um barco sem rumo. Dá-lhes forte e sem medos pois é o que merecem!

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