Centros começam a reduzir horários. Registadas mais de 14 mil suspeitas de reações adversas às vacinas covid-19

Fernando Veludo / Lusa

O vice-almirante Gouveia e Melo, coordenador da “task force” de vacinação contra a covid-19

Com 85% da população portuguesa com pelo menos uma dose da vacina, afluência aos centros de vacinação começa a ser residual, com alguns a proceder à transferência dos recursos para os centros de saúde. Até agora, ocorreram em Portugal 82 mortes com possíveis ligações à toma das vacinas.

Os quatro centros de vacinação covid-19 do Douro Norte reduzem para metade o horário de funcionamento a partir de terça-feira e, no final do mês, os meios começarão a ser deslocados para os centros de saúde. A informação foi dada ontem pelo diretor executivo do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) Douro I — Marão e Douro Norte, Gabriel Martins, que referiu que o volume de utentes que se querem vacinar “começa a ser residual”.

Na área deste ACES, que abrange sete municípios — Alijó, Mesão Frio, Murça, Peso da Régua, Sabrosa, Santa Marta de Penaguião e Vila Real —, foram vacinados com a primeira dose da vacina 82% dos utentes e a taxa de vacinação completa está na ordem dos 79%.

“Começamos a ter um volume de utentes que já é ou resistente à vacinação ou então é em número muito pequeno e, como tal, não justifica termos equipas inteiras a garantir a permanência dos centros de vacinação para uma afluência tão baixa e, numa lógica de poupança e de otimização de recursos, vamos reduzir 50% aquilo que é a nossa capacidade instalada nos centros de vacinação”, explicou Gabriel Martins.

“A partir do final de setembro vamos tendencialmente começar a deslocar os meios dos centros de vacinação para os centros de saúde”, acrescentou o responsável. No entanto, Gabriel Martins ressalvou que terão ainda que ser equacionadas “algumas incógnitas”, nomeadamente qual vai ser a opção em relação a terceiras doses, ou seja, quais os grupos que poderão vir a ser alvo de uma terceira dose da vacina contra a covid-19.

O diretor salientou o “esforço bastante intenso” que está a ser feito para vacinar os poucos utentes que ainda não o fizeram. “Temos estado a fazer convocatórias por telefone de utentes que ainda estão em atraso e a nossa taxa de repescagem de utentes é baixa. Ou seja, nós em 100 telefonemas conseguimos muitas vezes 15 ou 20 utentes que se vêm vacinar”, referiu.

Detetadas mais de 14 mil reações adversas à vacina em Portugal

O Infarmed, Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde, anunciou ontem que foram registadas em 14 mil suspeitas de reações adversas às vacinas contra a covid-19. Há ainda registo de 82 mortes entre idosos, apesar de não ser possível comprovar a relação causa-efeito entre a toma da vacina e os óbitos.

A maior parte das notificações aconteceu com a vacina da Pfizer/BioNtech (Comirnaty), 7581, seguindo-se a da AstraZeneca (Vaxzevria), com 4188, a da Moderna (Spikevax), com 1486, e a da Janssen, com 1136. Ainda assim , o organismo destaca que estes dados “não permitem a comparação dos perfis de segurança entre vacinas”, já que estas foram utilizadas em subgrupos populacionais distintos e “em períodos e contextos epidemológicos distintos”.

Através dos números do Infarmed é possível perceber que por cada mil vacinas foram detetadas uma reação adversa com as vacinas da Pfizer, Moderna e Jansen, ao passo que com a da AstraZeneca o número passa para duas. O Infarmed diz ainda que esta tendência se manteve estável ao longo dos meses em que a vacina tem vindo a ser administrada.

No que respeita às 82 mortes registadas por possíveis ligações às vacinas, aconteceram em pessoas cujas idades rondava, em média, os 77 anos, apesar de, tal como reforça o Infarmed, não se pressupor “necessariamente a existência de uma relação causal entre cada óbito e a vacina administrada, decorrendo também dentro dos padrões normais de morbilidade e mortalidade da população portuguesa”.

  ZAP //

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